Análise: “2023 deverá manter actividade em níveis dos últimos cinco anos”
De acordo com o estudo anual Market 360º, da JLL, apesar dos desafios económicos que se vivem, 2023 será “um ano dinâmico para o imobiliário português”. Falta de oferta continua a ser uma das principais preocupações do sector

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A consultora imobiliária JLL prevê “um ano dinâmico” para o imobiliário nacional, em linha com os ritmos médios de absorção, ocupação, investimento e valores dos últimos cinco anos, especialmente nos escritórios e na habitação. No balanço apresentado esta quinta-feira, dia 19 de Janeiro, no seu estudo anual Market 360º, a empresa deu conta, ainda, do total de mais de 100 milhões de euros de facturados em 2022, o que representou um crescimento de 7% face a 2021.
“A solidez já mostrada pelos indicadores do mercado em contexto de incerteza, a consolidação de Portugal como destino imobiliário internacional e o desequilíbrio entre a procura forte e a oferta reduzida sustentam as expectativas da consultora num ano de incerteza e desafios macroeconómicos”, indica o estudo.
A JLL antecipa um natural abrandamento na dinâmica da procura quer para ocupação quer para investimento face ao ano passado, pela dupla circunstância de enfrentar um agravamento das condições económicas e comparar-se com níveis recorde de atividade. Contudo, não antecipa quebras disruptivas em termos de montantes transacionados e absorção, prevendo ainda que os preços e as rendas possam manter uma trajetória positiva, mas mais suave. A baixa capacidade de reposição da oferta, que se mantém escassa em todos os segmentos, é uma das explicações para este comportamento.
Recorde-se que o ano 2022 estabeleceu novos recordes na transacção de habitação, com vendas estimadas de 31 mil milhões de euros, e no investimento em imobiliário comercial*, cujo volume ultrapassou a barreira inédita dos 3.400 milhões de euros.
O volume de absorção, também,, tocou novos máximos, atingindo-se a ocupação de 272 mil m2 de escritórios em Lisboa, acima do anterior máximo histórico registado em 2008. Os preços da habitação intensificaram a trajectória de crescimento ao longo do ano e as rendas quer da habitação quer dos imóveis não residenciais, incluindo escritórios, logística e retalho, exibiram igualmente uma tendência positiva.
Pedro Lancastre, ceo da JLL, declara que “encaramos 2023 com bons olhos, pois o imobiliário nacional já deu provas da sua capacidade de resistir a choques externos e adaptar-se rapidamente em contextos de incerteza”. É, no entanto, um “optimismo cauteloso”, na medida em que o agravamento das condições económicas em Portugal e na Europa pode contaminar o mercado imobiliário. “Será um ano de redução do poder de compra das famílias e da capacidade de investimento das empresas, e de maiores restrições no acesso ao financiamento, tudo isto a acontecer numa Europa onde ainda não se sabe muito bem o que esperar em termos de geopolítica”, alerta Pedro Lancastre.
Pedro Lancastre considera, ainda, que “será normal que se repensem estratégias e reposicionem projectos”. Isto porque, “ainda que os promotores e investidores não antecipem quedas significativas na procura, vai haver maior dificuldade no acesso ao financiamento para novos projectos, num contexto em que os custos de construção estabilizam e em que os licenciamentos estão muito demorados”.
Por isso, “em termos de valor, há condições para estabilizar os preços e as rendas em setores mais aquecidos e dar continuidade à tendência de crescimento em mercados secundários mais afetados pela falta de oferta e para onde a procura se está a direccionar em busca de produtos mais adequados aos seus rendimentos, estejamos a falar de habitação, escritórios ou armazéns”.