Thomas Kröger requalifica Museu do Carro Eléctrico
O jovem arquitecto alemão, Thomas Kröger, foi o vencedor do Concurso de Arquitectura para a Requalificação do Museu do Carro Eléctrico do Porto – propriedade da STCP, seguido da equipa Pedra Líquida em segundo lugar e de Pedro Tiago Pimentel em terce

Ana Rita Sevilha
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O jovem arquitecto alemão, Thomas Kröger, foi o vencedor do Concurso de Arquitectura para a Requalificação do Museu do Carro Eléctrico do Porto – propriedade da STCP, seguido da equipa Pedra Líquida em segundo lugar e de Pedro Tiago Pimentel em terceiro lugar. O concurso que foi lançado a 4 de Janeiro de 2010 e que contou com a assessoria técnica da Ordem dos Arquitectos Secção Regional Norte recebeu 49 propostas, entre nacionais e estrangeiras, que suscitaram da parte do júri – devido ao elevado número e à qualidade da generalidade dos trabalhos, uma manifestação de agrado.
Processo de dissecação
Foi o fascínio pelo edifício que levou Thomas Kröger a concorrer: “a antiga Central Termoeléctrica de Massarelos oferece a beleza da engenharia arquitectural industrial, e a atitude representativa das fachadas incorpora as pretensões técnicas do seu tempo”, revelou o arquitecto à agência Lusa. O projecto assinado por Thomas Kröger, foi, de acordo com o mesmo, “desenvolvido em torno das necessidades funcionais” e teve a preocupação de “dar seguimento ao processo de design racional existente e de organizar e desenvolver o edifício à luz da máxima ‘a forma segue a função’, tornando-o não só um objecto funcional para o Museu mas também para a cidade”, explicou o arquitecto ao Construir. “Concentrámo-nos na construção existente, e na inusual quantidade de portas que revelam o que a alma do edifício oferece. Fizemos a dissecação do complexo do edifício como parte do processo de desenho”, sublinhou o arquitecto diplomado pela Universität der Künste de Berlim. Para o arquitecto sediado em Berlim, o sucesso da sua proposta está directamente relacionada com a preocupação em manter a identidade do edifício. “Mantivemos o máximo que podíamos para incorporar as novas funções e adicionámos o menor número de detalhes possíveis para manter a identidade do edifício. Acho que o júri percebeu nas maquetas que isso poderia resultar bem no novo edifício”. De acordo com a descrição do projecto vencedor o Museu do Carro Eléctrico, instalado no edifício da antiga Central Termoeléctrica de Massarelos, o esvaziamento do edifício fez parte de um processo de concepção que ia ao encontro de separar, demolir e preparar os volumes para a reorganização das novas funções e espaços necessários. O objectivo, explica Thomas Kröger é “oferecer opções multifuncionais e flexíveis”, que permitam tanto receber actividades para um grupo grande de pessoas como para eventos mais intimistas.
Projecto
O Museu terá assim uma nova entrada, através de uma ampla escadaria, e será criada uma estrutura metálica e em vidro, que vai permitir uma maior visibilidade do rio Douro a partir do edifício. No piso térreo vai situar-se um espaço envidraçado com o átrio e a recepção, com acesso às áreas de exposição permanente e temporárias, ao auditório (com capacidade para 100 lugares), às zonas privadas do arquivo e ao centro de documentação. No piso superior aparecerá o salão nobre com capacidade para receber diversos eventos, em consonância com o objetivo da STCP de criar uma sustentabilidade financeira daquele património. Uma biblioteca, loja, café, espaços educativos e salas para workshops são outros dos espaços projectados. Na proposta de Thomas Kröger o aço leve a o vidro merecem destaque, ficando o novo volume intencionalmente separado das “casca histórica”, possibilitando a utilização do vidro que a luz natural entre filtrada no interior do edifício. Extensões verticais e horizontais saiem do interior do novo volume para o exterior do edifício, um gesto marcado por um terraço que anuncia o rio Douro. Com a sua proposta, Kröger teve como objectivo tornar a arquitectura industrial uma experiência dando ao edifício uma nova identidade. Conforme refere o júri, Thomas Kröger apresentou “uma proposta conceptualmente muito bem articulada e estruturalmente segura, tendo como princípio uma clara leitura do programa, através da sua hierarquização e organização funcional, e consideração pelos edifícios existentes. A solução valoriza e retrata os elementos arquitectónicos presentes, pela introdução ‘cirúrgica’ de novos, em diálogo construtivo com a configuração espacial e a estrutura original”.