Nuno Grande assina S. Bento Residences
Promovido pelo Grupo Nelson Quintas e construção do Grupo San José, o projecto pretendeu criar “uma ligação conceptual entre o século XVIII e o século XXI”

CONSTRUIR
Casa da Arquitectura atribui 10 bolsas de doutoramento para estudo de acervos da instituição
Exponor recebe Empack e Logistics & Automation Porto a 9 e 10 de Abril
Pipeline de novos escritórios na grande Lisboa mais que triplica para 330.000 m2
JLL reforça aposta na área de Patrimónios Privados
A arquitectura nacional em destaque em Osaka
PERFISA: Inovação e Sustentabilidade na Tektónica
Porto Business School debate sinergia energética África – Europa
Grupo Preceram na Tektónica | 10 a 12 de abril 2025
Grupo Norfin anuncia construção de hotel da marca JW Marriott
CBRE representa 42% das colocações de flex offices no mercado em 2024

Créditos: Alexander Bogorodskiy
Edificado numa das principais artérias da “alma” da cidade do Porto, lado a lado com o edifício da Estação Ferroviária de São Bento (Imóvel de Interesse Público), beneficiando da sua integração num conjunto classificado pela UNESCO como Património da Humanidade, o projecto resulta da demolição de uma frente de edifícios da Rua do Loureiro (artéria do século XVIII) para a criação de um novo eixo viário na Avenida D. Afonso Henriques em direcção à Sé Catedral e à Ponte Luís I. “Assim surge o S. Bento Residences num bloco monolítico, em betão aparente, que estabelece uma ligação singular com a envolvente, entre as restantes arquitecturas e as encostas rochosas que caracterizam aquela área urbana”, descreve Nuno Grande, arquitecto responsável pelo projecto.
Por um lado, a cidade histórica e sua necessária integração, por outro, a afirmação da sua contemporaneidade. É assim que Nuno Grande descreve o edifício S. Bento Residences, a partir do qual “procura construir uma ligação conceptual entre o século XVIII e o século XXI”, ainda que a escala proposta siga a do edifício preexistente, que ali se encontrava em estado de ruína.
De salientar que o novo edifício cumpre ainda duas funções, traduzidas num volume que complementa a fachada setecentista da Rua do Loureiro, “reabilitada nos seus elementos compositivos e mantendo um desenho de caixilharia e de guardas, em ferro forjado, enquadrado na frente urbana”, e um outro volume, que “celebra a existência de um novo tempo da cidade”. A fachada sobre a Avenida D. Afonso Henriques “reinventa os vãos tradicionais do Porto histórico”, através de “um jogo de varandas sulcadas” na massa do edifício. Entre os dois volumes existe uma “fenda”, a toda a altura do edifício, que delimita a zona de recepção e de acesso aos diferentes apartamentos.
A materialidade escolhida, o betão aparente bujardado, aproxima-se da massa e da textura do granito portuense, “sem o mimetizar”. A linguagem arquitectónica, desenvolvida na nova fachada,” resgata os vãos verticais dos edifícios tradicionais do Porto, inserindo-os numa outra composição”.
“Assumindo convictamente o tempo em que é realizado – o século XXI – o projecto adapta-se, simultaneamente, à frente setecentista da Rua do Loureiro, à escala oitocentista da Praça Almeida Garrett (em frente à estação de São Bento), e ao gesto novecentista que liderou o rasgamento da Avenida D. Afonso Henriques… Respeita a memória do lugar, nessa cíclica tendência de inovação urbana e arquitectónica… A maior qualidade deste edifício será essa: estabelecer uma ponte conceptual entre o século XVIII e o século XXI”, conclui o arquitecto.
No seu interior “habitam” agora dezasseis apartamentos turísticos, com três diferentes tipologias (Studio, Studio Superior e One Bedroom apartment), distribuidos por quatro pisos e que permitem criar “incomuns enquadramentos urbanos, visíveis através das janelas e varandas exteriores”.
Vocacionado para estadias de curta e média duração, o conceito de “conforto” no S. Bento Residences adquire “uma nova interpretação em cada detalhe de interiorismo”, que esteve a cargo da equipa do próprio Grupo Nelson Quintas. No piso térreo existe, também, um espaço de restauração.