“Lisboa merecia um projecto com esta dimensão”
No próximo dia 15 de Março, Lisboa vai passar a contar com o “primeiro cluster criativo de Portugal”, um projecto que recupera as antigas cantinas e balneários dos estivadores do Porto de Lisboa
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Ana Rita Sevilha
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Lisboa prepara-se para acolher aquele que se apresenta como “o primeiro cluster criativo de Portugal”. O projecto que juntou os empresários Filipe Botton (Logo-plaste), João Raimundo (Montepio), Gustavo Brito (fundador da “Paris-Sete” e do “Santos Design District”) e Miguel Rodrigues, resulta de um investimento de 3 milhões de euros e nasce da reabilitação do Edifício Gonçalo Velho Cabral, na Rocha Conde de Óbidos, em Santos, que em tempos recebeu as cantinas e balneários dos estivadores do Porto de Lisboa, mas que esteve votado ao abandono durante os últimos 20 anos. O edifício que garante marcar a cidade de Lisboa 24 horas por dia, conta com projecto de arquitectura do gabinete GJP Arquitectos.
Com data de abertura marcada para o próximo dia 15 de Março, o LACS – Lisbon Arts Communication & Studios, vai ocupar a totalidade do edifício (5000m2), respeitando a identidade do mesmo e salvaguardando detalhes da sua história.
Ao CONSTRUIR, Gustavo Brito desvendou um pouco mais deste novo espaço lisboeta que junta debaixo do mesmo tecto espaços de trabalho, galeria de arte, studios, livemusic bar e rooftop lounge, envoltos num ambiente de trabalho onde a arquitectura e as infra-estruturas foram pensadas para favorecer o processo criativo.
Encontro de criativos
A ideia do projecto, conta Gustavo Brito, partiu da identificação de uma necessidade: “percebemos que faltava um lugar que pudesse agregar a energia criativa dispersa pela cidade, pensado para receber não só os seus membros, como dar lugar às experiências e aos projectos inovadores dos seus parceiros e oferecer exposições, sala de eventos e um magnífico rooftop. Lisboa merecia um projecto desta dimensão e temos recebido centenas de mensagens com este feedback”.
Aberto ao público em geral, o LACS pretende incentivar o consumo cultural e para isso, “as instalações estão pensadas para serem facilitadoras deste tipo de actividades, desde a produção nas nossas oficinas e studios dos nossos memberships, à promoção através dos nossos meios digitais e eventos nos nossos espaços físicos”. Mas no que é que o LACS é inovador? “Em Portugal assistimos a uma vaga muito interessante de empreendedores e ‘fazedores’, portugueses e estrangeiros; temos cidades históricas cheias de património e vida, com localizações e vistas impressionantes; temos ainda empresas, organizações e artistas com grande qualidade, a trabalhar em projectos de grande interesse para as indústrias criativas. O LACS abre as portas para o lugar de encontro para todos estes elementos, que já existiam, mas que estavam dispersos. Estamos dispostos, através dos nossos parceiros, a potenciar os instrumentos de negócio essenciais aos nossos membros criativos para transformar as indústrias criativas num sector altamente produtivo”. Na prática e para colocar em marcha estas sinergias, o LACS estará aberto 24 horas por dia, todos os dias do ano e tem uma Community Manager – Estela Tabuco -, que vai assegurar o bem-estar dos membros, facilitando-lhes todos os serviços e facilidades que lhes permitam focar-se na sua criação.
Reabilitar para o futuro
Sobre a reabilitação, Gustavo Brito, também ele arquitecto, explica que projecto “uniu o atelier de arquitectura GJP arquitectos, e a engenharia da Ductos Group, para transformar os 5000 metros quadrados do interior deste imóvel à beira-rio com os mais modernos materiais e equipamentos, conferindo-lhe nova luz e vida”.
No processo, “a ligação entre o passado e o presente é assegurada pela presença dos arquétipos que mantivemos como existentes e referenciais da memória do edifício”, explica. “Mantivemos diversos elementos como as texturas nas paredes e nos tectos e os pavimentos que nos remetem para o passado existente”. Mas houve naturalmente desafios e um deles, como refere ao CONSTRUIR, foi “transformar uma imposição numa vantagem”, ou seja, transformar escadas numa galeria de arte vertical. “As duas escadas que magnificamente servem o edifício foram transformadas num conceito de galeria de arte vertical onde iremos proporcionar uma série de actividades culturais provavelmente inesperadas”. Acessibilidade, luz natural, vistas sobre o Tejo e sobre o estaleiro naval são ainda algumas das cerejas em cima deste “bolo”, que reafirma Lisboa como uma cidade trendy, inovadora e criativa.