Segmento dos 18-34 anos vai ser o motor da procura de arrendamento nas cidades europeias

Por a 6 de Janeiro de 2021

Fernando Ferreira, head of Capital Markets da JLL

A pandemia Covid-19 está a mudar de forma rápida o cenário imobiliário em todo o mundo, à medida que as cidades estão a ser re-imaginadas. De acordo com o mais recente relatório da JLL, European City Dynamics, o vírus alterou muitos aspectos da vida dos jovens europeus, incluindo a forma como este grupo irá gerir a sua educação superior, a sua entrada no mercado de trabalho e, em última análise, as necessidades habitacionais que lhes acabarão por estar associadas. Estas mudanças apresentam novas oportunidades e desafios para os investidores, operadores e promotores do sector de imobiliário residencial.

Os residentes urbanos jovens continuarão a impactar a dinâmica do mercado imobiliário e a procura por casas na cidade no mundo pós-pandémico. Em todas as grandes metrópoles urbanas, cerca de 22% da população tem entre 20 a 34 anos, sendo que além de terem maior mobilidade, os jovens são também o grupo mais representativo de inquilinos no sector multifamily e aquele que tem maior probabilidade de viver sozinho, reforçando a sua importância para o mercado de arrendamento da maioria das cidades. Com mais de 40% dos jovens acima dos 20 anos a frequentar o ensino superior na Europa, este grupo é também o principal residente no alojamento para estudantes. Em 14 dos mais importantes países europeus, 25% dos estudantes com menos de 22 anos vivem neste tipo de acomodação. Em Portugal, essa percentagem é bastante menor, não chegando a 10%.

Como o grupo com menor probabilidade de escapar aos impactos económicos da pandemia, os jovens urbanos enfrentam agora uma acrescida incerteza no emprego, desafios na capacidade financeira para aceder a uma habitação e mobilidade reduzida. Estas pressões estão a ter um impacto notável na forma como o imobiliário está a ser e será consumido nas cidades daqui para a frente, apontando para a possibilidade de mais jovens adultos continuarem a arrendar e atrasarem a opção de compra. O sector de multifamily, ou seja, a construção de raiz de habitação para fins de arrendamento tradicional, deverá, assim, continuar a ter um desempenho muito resiliente no seu retorno, com fortes níveis de ocupação e um fluxo estável de rendas. No Reino Unido, um inquérito da JLL aos proprietários institucionais apurou que este ano o montante cobrado em rendas está em cerca de 96% do valor cobrado no ano passado, concluindo que os fluxos de rendas gerados mantiveram os níveis normais mesmo no contexto de pandemia.

Com o mercado de trabalho para os finalistas cada vez mais incerto, mais estudantes podem considerar prolongar a sua educação superior. O tempo médio passado no ensino superior na Europa aumentou de pouco menos de 3 anos logo a seguir à crise financeira global para 3,2 anos em 2011, uma evolução mais rápida do que a trajectória de crescimento de longo-prazo. Um crescimento semelhante poderá verificar-se agora, impulsionando a procura para alojamento de estudantes.

“A natureza abrangente da atual crise irá influenciar profundamente os estilos de vida e as decisões financeiras dos jovens nos próximos anos. O investimento em habitação e as estratégias operacionais necessitam de ter perceção das novas preferências de localização para as casas para arrendamento bem como das expetativas dos inquilinos em terem casas com layouts optimizados”, comenta Tom Colthorpe, senior analyst – EMEA Living Research & Strategy, JLL e autor do relatório.

“Perceber esta procura dos jovens residentes, nomeadamente aquilo que querem da sua casa, deverá traduzir-se num crescimento de contratos de arrendamento e de compras de imóveis que respondam a estas preferências”, acrescenta Tom Colthorpe.

Para Portugal, onde o mercado do multifamily dá os primeiros passos e está a gerar um crescente interesse entre os investidores, “este segmento vai disparar nos próximos cinco anos nas zonas de Lisboa, Porto e respectivas coroas urbanas, sendo os jovens um dos segmentos mais relevantes da procura para este mercado”, afirma Fernando Ferreira, head of Capital Markets da JLL.

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