“Tivemos o privilégio de participar no emergir de um mercado”
Eric Van Leuven faz balanço positivo dos 25 anos da Cushman & Wakefield em Portugal

Ana Rita Sevilha
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Foi há 25 anos que a Cushman & Wakefield iniciou actividade em Portugal. No dia 1 de Julho de 1991, a então consultora imobiliária de origem britânica Healey & Baker (que anos mais tarde se viria a fundir com a americana Cushman & Wakefield), adquiriu o departamento de imobiliário comercial da empresa de mediação George Knight, que já estava presente em Portugal desde 1987 pela mão do próprio George Knight e Eric van Leuven. Van Leuven tornou-se sócio-gerente da Healey & Baker Portugal, com uma equipa de 4 colaboradores que se dedicava essencialmente à comercialização de escritórios e armazéns. O leque de serviços alargou-se e a empresa conta hoje com mais de 80 colaboradores, distribuídos por 8 áreas de actividade. Em entrevista ao CONSTRUIR, Eric van Leuven, Managing Partner da Cushman & Wakefield, faz o balanço de um quarto de século a actuar em Portugal.
De uma forma sucinta, que balanço faz destes 25 anos?
Um balanço muito positivo. Tivemos o privilégio de participar no emergir de um mercado do imobiliário comercial profissionalizado. Participámos na maioria dos grandes empreendimentos imobiliários no país. De cinco colaboradores em 1991 passámos a mais de 80 nos dias de hoje, formando dezenas de jovens de elevado potencial. Apresentámos sempre excelentes resultados ao grupo Cushman & Wakefield e no ano passado fomos o escritório mais rentável da Europa.
Quais as grandes transformações no sector imobiliário português ao longo deste período?
Nos últimos 25 anos fez-se o mercado!
Na área de centros comerciais, por exemplo, fez em Maio passado também 25 anos que foi inaugurado o CascaiShopping, o primeiro centro comercial regional do país. Desde 1991, foram construídos quase 100 conjuntos comerciais, a maioria deles de altíssima qualidade, como atestam os muitos prémios internacionais atribuídos.
No sector de escritórios, construíram-se mais de três milhões e meio de metros quadrados, e o mercado alargou-se também geograficamente, para incluir localizações novas como Miraflores, Oeiras e o Parque das Nações.
No que respeita ao mercado industrial, desenvolveram-se polos tecnológicos e parques logísticos junto às novas redes viárias, com um grau de sofisticação igual ao que encontramos noutros mercados europeus.
Emergiu também um mercado de investimento institucional, e proprietários profissionais do imobiliário, nacionais e estrangeiros, investiram aproximadamente 20 mil milhões de euros em centros comerciais, edifícios de escritórios, hotéis e armazéns.
De que forma a Cushman & Wakefield contribui para essas mesmas transformações?
Gostaríamos de crer que a Cushman & Wakefield teve alguma influência nas transformações do mercado imobiliário ao longo do último quarto de século.
Ajudámos a conceber, a comercializar, a avaliar e a gerir muitos dos mais emblemáticos empreendimentos imobiliários do país – centros comerciais de norte a sul (e ilhas!), parques de escritórios e logísticos em redor de Lisboa, edifícios e lojas nas principais artérias de Lisboa e do Porto.
Tivemos a honra e o privilégio de colaborar com as principais empresas de promoção imobiliária; com muitas pequenas e médias empresas portuguesas e com as maiores multinacionais; com os grandes investidores nacionais e estrangeiros; com cadeias de lojas reconhecidas e com empreendedores com ideias comerciais inovadoras, alguns dos quais são hoje cadeias de renome.
Ao longo deste período, aconselhámos centenas de clientes, procurando sempre fazê-lo com profissionalismo, rigor e isenção, tentando ser positivos e realistas.
Durante os 25 anos, a Cushman & Wakefield participou em inúmeras transacções, muitas delas importantes a nível nacional e com volumes consideráveis, como a do Campus de Justiça, dos centros comerciais AlgarveShopping e Estação Viana, e da Torre Ocidente – para referir alguns exemplos mais recentes.
De futuro, ainda existem espaço e mercado para operações dessa envergadura?
Claro que sim. Com a actual atractividade do mercado de investimento imobiliário português, é expectável que continuemos a assistir a grandes operações em Portugal por parte de investidores estrangeiros. Apesar de estarmos num mercado relativamente pequeno, a excelente relação qualidade/preço do nosso imobiliário é muito atractiva para os investidores institucionais, que cada vez mais consideram Portugal como um bom destino de investimento.
Como olha para o futuro do mercado imobiliário português e quais as grandes tendências?
Encaramos o futuro com optimismo. A elevada liquidez em muitas geografias e a fraca oferta de alternativas ao investimento em imobiliário devem continuar a beneficiar o mercado. A reabilitação urbana irá manter um forte crescimento, mas a nova promoção deverá também começar a surgir facilitada por um mercado ocupacional mais dinâmico, tanto em retalho como escritórios, e por uma maior disponibilidade de capital. Além disso, os compradores recentes dos grandes portefólios têm horizontes relativamente curtos e procurarão vender num prazo de 3 a 5 anos – o que beneficia quem como a Cushman & Wakefield vive de transacções!