Catástrofe na Madeira foi natural mas teve “ajuda humana”, diz investigador
O geógrafo defende, no rescaldo da intempérie madeirense, que o território não pode ser pensado “da mesma maneira, o paradigma futuro terá de ser outro”

Lusa
Casa da Arquitectura atribui 10 bolsas de doutoramento para estudo de acervos da instituição
Exponor recebe Empack e Logistics & Automation Porto a 9 e 10 de Abril
Pipeline de novos escritórios na grande Lisboa mais que triplica para 330.000 m2
JLL reforça aposta na área de Patrimónios Privados
A arquitectura nacional em destaque em Osaka
PERFISA: Inovação e Sustentabilidade na Tektónica
Porto Business School debate sinergia energética África – Europa
Grupo Preceram na Tektónica | 10 a 12 de abril 2025
Grupo Norfin anuncia construção de hotel da marca JW Marriott
CBRE representa 42% das colocações de flex offices no mercado em 2024
O investigador e geógrafo Raimundo Quintal afirmou que a intempérie de Fevereiro na Madeira foi de origem natural mas teve “ajuda humana”, de “quase seis séculos na desertificação das montanhas”.
“Quando comparamos o que aconteceu na Madeira com o que aconteceu na Islândia, [verificamos que] na Islândia a catástrofe foi puramente natural, e na Madeira [a catástrofe] tem muito de natural embora haja alguma indução humana. Não é uma catástrofe unicamente natural e qualquer pessoa que estude estes problemas só inconscientemente é que o diria”, defende o geógrafo madeirense e antigo vereador do ambiente da Câmara Municipal do Funchal.
Raimundo Quintal falava à agência Lusa após a intervenção no debate “Uma Visão do Ordenamento Biofísico”, realizado na Sociedade de Geografia de Lisboa e dedicado ao temporal recente que assolou a ilha da Madeira.
O geógrafo defende, no rescaldo da intempérie madeirense, que o território não pode ser pensado “da mesma maneira, o paradigma futuro terá de ser outro”, assumindo também “sérias dúvidas” quanto à divisão de fundos estipulados pela comissão paritária do Governo Regional e do Governo central, “entre a recuperação das grandes obras das ribeiras e todo o reordenamento do território”.
“Nos dois grandes ícones das cheias, que foram a Serra de Água e a baixa do Funchal, não morreu ninguém, mas perto da Serra de Água, numa pequena aldeia que ninguém viu, o Colar da Rocha, morreram sete pessoas”, sublinhou Raimundo Quintal, alertando também para “a falta de uma cultura de prevenção”.
Para Raimundo Quintal, desde 20 de Fevereiro, todos aqueles que “diziam que eram domadores da Natureza”, sentem-se hoje “pigmeus” perante a mesma e os seus possíveis efeitos.
Segundo o investigador, desde o início do século XX até agora ocorreram 35 aluviões (inundação provocada por grande volume de água) na Madeira, sendo que oito foram no século XIX, 22 no século XX e cinco já em pleno século XXI.
A crescente ocupação dos solos, a pressão demográfica, a ausência de uma política de reflorestação e também as alterações climáticas foram questões centrais num debate sobre os aluviões na Madeira subordinado à máxima “Ler o passado, compreender o presente, prevenir o futuro”.
O debate “Uma Visão do Ordenamento Biofísico” contou também com participações do arquitecto paisagista Fernando Pessoa, e dos professores Rodrigo de Oliveira, Delgado Domingos e Domingos Rodrigues.
O temporal que assolou a Madeira a 20 de Fevereiro provocou 43 mortos, oito desaparecidos e 600 desalojados.