Covid-19: Turismo residencial prevê quebras de receitas superiores a 50%

Por a 26 de Março de 2020


A Associação Portuguesa de Resorts (APR) acredita que devido à pandemia do Covid-19 o sector do turismo residencial deverá sentir quebras de receitas em médias superiores a 50% no total do ano 2020, face ao ano anterior, de acordo com um inquérito realizado junto dos seus associados.

Também para o sector da hotelaria, apartamentos turísticos e aldeamentos, projecções da Neoturis prevêem para o Algarve perdas na ordem dos 2,4 milhões de euros por dia entre 1 de Março e 31 de Dezembro de 2020. Ou seja, para um total de proveitos de 1 226 milhões de euros em 2019, iremos evoluir para 495 milhões de euros em 2020, ou seja, uma redução de 731 milhões de euros (- 59,6%).

De acordo com a APR, estas estimativas são válidas a 24 de Março e pressupõem que o pico do surto será atingido em meados de Abril, que a situação estará controlada no início de Junho e que nessa altura as restrições ao tráfego aéreo irão terminar no espaço europeu, norte-americano e asiático. Contudo, “como estamos especialmente dependentes dos nossos mercados emissores, todos em diferentes fases e alguns com situações bem mais complexas, é possível que o regresso a algum tipo de normalidade seja bastante mais demorado e que a realidade seja ainda pior que estas projecções”, refere Pedro Fontainhas, director executivo da APR.

No que diz respeito às medidas de protecção do emprego e de apoio às empresas anunciadas pelo Governo, a APR considera que estas “são claramente insuficientes e carecem em alguns casos de regulação e detalhes específicos”.

Pedro Fontainhas considera que “devemos examinar a realidade dia a dia, semana a semana, não em meses ou trimestres: as receitas podem caíram em vertical na maioria dos casos em 100% de um para o outro. Quem não viesse a ter trabalho deveria receber imediatamente o subsídio de desemprego até que as respectivas empresas estejam em condições de readmitir essas mesmas pessoas”.

Também as linhas de financiamento especiais, apesar das garantias creditícias a dar pelo Estado, são insuficientes no entender da APR. Neste sentido, “o Estado deve intervir com rapidez e músculo na injecção directa de dinheiro na economia e neste sector em particular. As circunstâncias que vivemos e que antecipamos exigem, por exemplo, a isenção de alguns impostos durante um certo período de tempo, designadamente dos impostos de património e de transmissões imobiliárias, que possam ser um incentivo, que permitam manter os compradores no mercado.”

“A dilação de prazos de pagamentos de impostos e outras responsabilidades financeiras por prazos muito mais longos será também um factor que permitirá mais uma vez que as empresas possam continuar a respirar”, acrescenta.

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