Reabilitação Urbana: uma tendência que veio para ficar?
Não é novidade que o sector da construção e o mercado imobiliário sofreram uma quebra drástica durante a crise financeira. São inúmeros os casos de empresários e trabalhadores do sector que viram as suas estáveis empresas e empregos serem postos em causa e terem de se reinventar para fazer face à situação económica. No entanto, foi exactamente neste contexto que o mercado da reabilitação urbana ganhou uma posição chave na dinamização do sector

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Pedro Mira Martins
Senior Manager de Property & Construction da Michael Page
Não é novidade que o sector da construção e o mercado imobiliário sofreram uma quebra drástica durante a crise financeira. São inúmeros os casos de empresários e trabalhadores do sector que viram as suas estáveis empresas e empregos serem postos em causa e terem de se reinventar para fazer face à situação económica. No entanto, foi exactamente neste contexto que o mercado da reabilitação urbana ganhou uma posição chave na dinamização do sector.
Embora tradicionalmente as famílias portuguesas fossem adeptas da aquisição de habitação própria, a nova realidade impôs novos hábitos. Quer seja por falta de liquidez e de estabilidade nos empregos, que deixaram de permitir o acesso fácil ao crédito bancário, quer seja pela cada vez maior necessidade dos profissionais mais jovens de garantirem a mobilidade laboral, o mercado de arrendamento está – como se diz na gíria – em alta.
É principalmente nas grandes cidades que a reabilitação urbana tem surgido de forma mais sustentada, ligada ao arrendamento. Lisboa, como seria de esperar, foi pioneira a incentivar a reabilitação de muitos prédios urbanos, bem como o seu relançamento no mercado imobiliário com valorizações muito significativas, especialmete nas zonas de luxo da capital.
Mas não só de Lisboa se faz este novo conceito. Cidades como Porto, Braga e Coimbra, estão a mostrar que vale a pena reabilitar o que estava esquecido. Além da preservação de parte da história, outro dos benefícios de dar uma nova face às nossas cidades consiste no incentivo de várias áreas da nossa economia.
Sobre os benefícios económicos, é importante destacar que a reabilitação urbana permitiu a manutenção de empresas e postos de trabalho do sector da construção, que de outro modo teriam sucumbido à crise. Outro aspeto positivo é o facto de a maior disponibilidade de habitações e imóveis comerciais nas cidades estar a atrair população jovem para repopular zonas tradicionalmente envelhecidas. Não menos importante é o facto de termos para mostrar ao mundo que nos visita cada vez mais cidades melhores! Porque não só de Lisboa se faz o turismo em Portugal, cada vez mais há interesse em explorar outras zonas do nosso país.
Perante esta nova realidade, há que tirar máximo partido das oportunidades de crescimento económico que se nos apresentam. Esta é uma leitura que tem de ser feita de forma conjunta com todos os envolvidos e interessados: Estado, municípios, empresas do sector, associações de proprietários e população em geral.
De uma forma ou de outra, todos ganham se a reabilitação urbana se tornar (ou poderá já dizer-se: se se mantiver) um mercado sólido e bem implementado. A valorização das nossas cidades depende disso.