Tóquio resiste à crise económica que afecta o Japão
“Tóquio nunca deixou de construir a reputação do Japão como um viveiro de design e cultura contemporânea continuou a crescer”

Lusa
Exponor recebe Empack e Logistics & Automation Porto a 9 e 10 de Abril
Pipeline de novos escritórios na grande Lisboa mais que triplica para 330.000 m2
JLL reforça aposta na área de Patrimónios Privados
A arquitectura nacional em destaque em Osaka
PERFISA: Inovação e Sustentabilidade na Tektónica
Porto Business School debate sinergia energética África – Europa
Grupo Preceram na Tektónica | 10 a 12 de abril 2025
Grupo Norfin anuncia construção de hotel da marca JW Marriott
CBRE representa 42% das colocações de flex offices no mercado em 2024
Geberit lança placas de descarga ultrafinas
Em cada quatro edifícios do centro de Tóquio, um foi construído nos últimos vinte anos, mostrando que, na arquitectura e no design, a capital japonesa resistiu à prolongada crise económica que afecta o país.
Alguns ícones de Tóquio – projectados pelos ateliers de Tadao Ando, Renzo Piano, Herzog & De Meuron e outros galardoados com o Nobel da Arquitetura (o Prémio Pritzker) – são mesmo posteriores a 2000, quando o Japão entrou na segunda década consecutiva de estagnação.
“Tóquio nunca deixou de construir a reputação do Japão como um viveiro de design e cultura contemporânea continuou a crescer”, afirmam Julian Worrall e Erez Golani Solomon num estudo publicado este mês na capital japonesa.
“Quase dois milhões de edifícios ocupam as 23 freguesias que constituem o centro de Tóquio. Cerca de um quarto foram construídos depois de 1990”, salientam aqueles dois arquitectos ocidentais.
A maioria dos 83 projetos analisados no estudo foi construída já no século XXI e 19 deles nos últimos quatro anos.
Segundo a visão de Worrall e Solomon, o que a nova arquitectura de Tóquio evidencia “não é um modelo de futuro possível mas de um presente alternativo”.
A imagem da cidade como paisagem urbana futurística – e modelo da Los Angeles de 2019 que serviu de cenário do filme “Blade Runner”, de Ridley Scott – data do início da década de 1980.
Nessa altura, Xangai, Berlim, Pequim e outras grandes metrópoles emergentes estavam adormecidas e o Japão era considerado a “próxima super-potência”.
Trinta anos depois, a teia de arranha-céus envidraçados, vias rápidas elevadas, fachadas cobertas por enormes ecrãs e ruas inteiras banhadas de néon que fascinou o Ocidente continua vibrante.
Não há dois edifícios iguais, estreitas ruas com vivendas desaguam em grandes avenidas e ao virar da esquina, pode deparar-se com uma alta torre de escritórios ou um pequeno jardim com corvos a grasnar.
Devido à constante manutenção e à qualidade dos materiais mais utilizados – sobretudo betão, vidro e aço – muitos edifícios parecem até acabados de fazer.
Em certas zonas, o novo e o antigo nem sequer se distinguem.
O Edificio Sony de Ginza, onde já se podem apreciar os futuros aparelhos de televisão 3D, foi construído há 44 anos, mas não destoa da loja ao lado, a Hermès, desenhada por Renzo Piano e concluída em 2006.
O pequeno e o grande também coabitam, permitindo, por exemplo, criar zonas de estacionamento de três ou quatro lugares – com os respetivos parquímetros e máquinas de bebidas – num espaço que noutras cidades só serviria, talvez, para arrumar contentores de lixo.
“Em Tóquio, sente-se que a pressão do futuro é muito menos urgente do que em cidades como Xangai ou Dubai, porque o futuro, em Tóquio, já chegou”, afirmam Worrall e Solomon.