Work Book desenha futura Escola-Hotel do Politécnico do Cávado

Por a 15 de Janeiro de 2021

O atelier Workbook é responsável pelo projecto de execução da futura Escola-Hotel do Instituto Politécnico da Cávado e do Ave, que funcionará na antiga Quinta do Costeado, na Cruz de Pedra (Guimarães) e que, de acordo com os promotores da iniciativa, se espera que seja uma “infraestrutura de referência em termos regionais, nacionais, mas também internacionais”.

Os arquitectos Filipe Vilas Boas e Pedro Vinagreiro apresentaram, em reunião de Câmara, o projecto que prevê a reabilitação de um espaço de grande valor patrimonial e histórico para Guimarães e que contempla princípios de sustentabilidade ambiental na construção dos novos espaços e preocupações de teor patrimonial na recuperação das pré-existências.

Trata-se de um projecto de arquitectura focado na reabilitação, refuncionalização e ampliação da Quinta do Costeado com base na “simplicidade, conforto, contemporaneidade e sustentabilidade”, disse Filipe Vilas Boas. A Casa Senhorial existente será recuperada para funcionar como Escola-Hotel, com um conjunto de quartos reduzido que albergará hóspedes e que terá como único objetivo a colocação em prática dos conhecimentos adquiridos durante os cursos que serão ministrados pelo Instituto Politécnico do Cávado e do Ave naquele espaço. Na zona das antigas adega e cavalariça, será instalado uma cozinha com o mesmo intuito. O novo espaço a ser construído, e que terá como função a vertente pedagógica, terá 5 pisos (sendo um deles subterrâneo). Aí ficarão instaladas valências como salas de aula, salas de professores, laboratórios, cozinha, cafetaria, cantina, auditório, serviços administrativos, entre outras. Serão utilizados materiais de baixo custo de manutenção, como a madeira lamelada e o acabamento cerâmico das partes exteriores. O edifício terá ainda uma esplanada voltada a poente e, no último piso, uma cobertura que se pretende como espaço verde. Haverá ainda um conjunto de pátios que se projectam numa estrutura de vidro aberta, para aproveitamento da luz natural. A possibilidade de ligação à ciclovia e a percursos pedonais está equacionada, bem como a utilização de uma área ao ar livre para a realização de eventos, coabitando e integrando-se nas zonas verdes pré-existentes.

No final da apresentação, Maria José Fernandes, presidente do IPCA, disse ser o projecto da Escola-Hotel uma obra estratégica para a instituição e para Guimarães e mostrou a sua convicção no sucesso do projecto educativo. “O nosso compromisso é fazer da Escola-Hotel uma escola de referência a nível internacional. Teremos uma oferta ao nível das licenciaturas, mestrados, cursos técnico-profissionais e, futuramente, doutoramentos, num projecto educativo que poderá trazer para Guimarães um número próximo dos 1500 alunos”, disse. Maria José Fernandes agradeceu o apoio da Câmara Municipal e a colaboração da equipa de projecto de arquitectura no que acredita ser “uma obra estruturante para Guimarães”.

Domingos Bragança, presidente da Câmara, recordou João Carvalho, anterior presidente do IPCA, pelo facto de ter acreditado e lutado pelo projecto, bem como ao ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, por ter apoiado a instalação da Escola-Hotel em Guimarães. “Este investimento, que será elevado, dará corpo a um projecto estratégico para Guimarães e para a região, e será uma enorme mais-valia para a rede de restaurantes e hotéis da região Norte do país”, frisou. Mais tarde, na conferência de imprensa final, o Presidente da Câmara foi mais detalhado nas suas declarações, destacando os princípios de sustentabilidade ambiental subjacentes ao projecto de arquitectura, e outros dois eixos importantes da Escola-Hotel. “Este projecto da Escola-Hotel do IPCA é fundamental para a ciência e conhecimento, actuando em áreas como a nutrição, turismo, restauração e hotelaria, mas também para o projecto de reabilitação urbana em curso, pois acrescenta cidade à cidade e dialogará com a sua envolvente, nomeadamente com os fornos da Cruz de Pedra e com o projecto urbanístico da zona”, referiu Domingos Bragança. Se tudo correr sem percalços, espera-se que o lançamento a concurso da obra possa avançar nestes primeiros meses de 2021 e a sua execução começar até ao final do ano. “Ainda não sabemos o valor final do custo da obra, seguramente superior a 5 milhões de euros, pois faltam ainda os projectos de especialidade. Nem sabemos o prazo de conclusão. Sabemos sim que o que fazemos pode demorar tempo, mas será feito com qualidade”, concluiu.


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