A Vila Galé vai investir cerca de 20 milhões na reabilitação da Quinta da Cardiga, na Golegã, onde surgirá o hotel Vila Galé Collection Tejo – Country Resort Hotel Convention, Spa & Equestrian Sports, que terá como tema a história da Ordem dos Templários e da Ordem de Cristo. Os trabalhos, que deverão começar no segundo trimestre de 2025, vão ser desenvolvidos em duas fases.
A primeira será dedicada à recuperação do núcleo principal do empreendimento, composto pelo Palácio – preservando-se os seus amplos salões, cúpulas e abóbadas seculares, bem como os múltiplos painéis de azulejos e estatuária –, Lagar e Celeiro. Mas também dos antigos edifícios das cocheiras, do picadeiro, de forma a poder receber competições oficiais, e da capela, decorada com azulejaria de padrão e retábulo de pedra na capela-mor com alto relevo da Nossa Senhora da Misericórdia.
Compreenderá 71 quartos, recepção, bar panorâmico, restaurante, spa com piscina interior, salas de massagens e ginásio, piscinas exteriores para adultos, zona de lazer para crianças e campos de futebol, padel e polidesportivo, picadeiros externo e coberto e cocheiras.
Já a segunda fase, que decorrerá em 2027, será dedicada ao conjunto de edifícios a Norte da Quinta da Cardiga, também desactivados e em ruínas. Aqui, surgirão mais 45 quartos e um grande salão de eventos.
“Queremos fazer aqui um hotel de grande qualidade, que permita atrair mais turistas e visitantes para a região. Será um resort de campo que, como não podia deixar de ser, estará muito ligado à tradição equestre. Mas também homenageará o valor histórico do Palácio e de toda a propriedade, tirando partido da sua localização e da beleza das paisagens que rodeiam”, antecipa Jorge Rebelo de Almeida, presidente da Vila Galé.
“Trata-se de mais um projecto de recuperação de património e, mais uma vez, no interior do país, porque queremos cada vez mais contribuir para o seu desenvolvimento, até para aliviar a carga turística que existe no litoral”, sublinha.
Classificada como imóvel de interesse público desde 1952, a Quinta da Cardiga soma vários séculos de História. Em 1169, estas terras foram doadas por D. Afonso Henriques aos Templários, que ali ergueram um castelo integrado no sistema defensivo do Médio Tejo, do qual fazem também parte Almourol, Ceras e Zêzere.
Com a extinção da Ordem Templária, a Quinta é entregue à Ordem de Cristo. Posteriormente, no século XVI, durante o reinado de D. João III, transforma-se numa propriedade de veraneio, de cariz apalaçado, graças à intervenção do arquiteto João Castilho (que também assinou a ampliação do Convento de Cristo, em Tomar).
As novas construções, incluindo áreas habitacionais, claustros, pátios e produção agrícola, tiveram por base o castelo templário medieval, de que subsiste a torre de menagem. A partir de então, por aqui passou muita da nobreza e burguesia portuguesas, até que, após a revolução liberal e extinção das ordens religiosas, em 1836, a Quinta da Cardiga foi vendida em hasta pública por 200 contos de reis. A partir de então, teve sucessivos proprietários privados até ao seu declínio e abandono a partir da 2ª metade do século passado.