“Não vale a pena multiplicar barragens quando não há água”
O Plano Regional de Eficiência Hídrica do Algarve inclui 57 medidas, cuja implementação corresponde a um investimento de 228 milhões de euros.

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Foi esta semana apresentado Plano Regional de Eficiência Hídrica do Algarve. O plano pretende avaliar as disponibilidades e os consumos hídricos actuais, no barlavento e no sotavento algarvio com estabelecimento de cenários prospectivos que tenham em conta os efeitos das alterações climáticas, bem como estabelecer metas e horizontes temporais de eficiência hídrica para os principais usos, nomeadamente os associados aos sectores agrícola, turístico e urbano.
O plano elenca 57 medidas, cuja implementação corresponde a um investimento de 228 milhões de euros, a maioria das quais destinadas ao sector da agricultura, no valor de 79 milhões de euros, embora a componente urbana seja aquela que requer maior investimento (122 milhões de euros).
O documento propõe ainda identificar medidas de curto e médio prazo que promovam a reutilização da água tratada e a eficiência hídrica, assim como os factores críticos para o seu sucesso e identificar soluções estruturais e novas origens de água que complementem o previsível decréscimo do recurso por via das alterações climáticas.
Durante a apresentação do Plano Regional de Eficiência Hídrica, que contou com a presença do ministro do Ambiente e da Acção Climática, João Pedro Matos Fernandes, e da ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, foram apontadas potenciais soluções para reforçar a oferta de água na região, nomeadamente, a captação de água no rio Guadiana, a montante do Pomarão, a dessalinização de água do mar e a construção de uma barragem na ribeira da Foupana, no sotavento algarvio.
Matos Fernandes salientou que “não vale a pena multiplicar barragens quando não há água” e referiu que a reutilização de águas residuais é a solução mais imediata para garantir uma maior disponibilidade hídrica no Algarve.
Por sua vez, a ministra da Agricultura referiu que “esta iniciativa simboliza um compromisso da Agricultura para, de mãos dadas com as diversas entidades e áreas governativas, designadamente do Ambiente e da Acção Climática, abraçar esta missão que é garantirmos um futuro melhor graças a um presente mais sustentável”.
Apesar do consumo de água do sector agrícola no Algarve ter sido reduzido em cerca de 56% desde 2002, quer por via da redução do regadio individual quer pelo aumento da eficiência hídrica, uma das conclusões deste Plano é que é necessário reduzir as perdas de água. Neste contexto, e visando aumentar a eficiência dos sistemas, é necessário melhorar os sistemas de mediação dos volumes distribuídos, promover as melhores práticas de rega nas explorações agrícolas, o aumento da eficiência da rega nas parcelas (conversão para gota-a-gota), a reabilitação e modernização dos regadios existentes, a utilização de águas residuais tratadas e, inclusivamente, estudar a possibilidade de armazenar as escorrências das águas pluviais das estufas.
No Algarve, a titular da pasta da Agricultura, anunciou a abertura de dois Avisos até ao final deste ano, no âmbito da acção 3.4 e Rede Rural do PDR2020, no montante de 840.000€, com as seguintes medidas: Obra de recuperação e equipamento do furo de captação da Luz de Tavira; Reparação da estrutura metálica da descarga de fundo da Barragem da Bravura; Monitorização dos volumes de água transportados pelo adutor Odeleite/Beliche; Reactivação do Portal do Regante.
Além da apresentação do plano, a sessão, que decorreu na Universidade do Algarve, incluiu a assinatura de protocolos com os 16 municípios do Algarve, para intervenções prioritárias do plano de eficiência hídrica e de um protocolo entre a Águas do Algarve e a Associação dos Campos de Golfe.