Arquitectos subscrevem manifesto contra transformação do Bom Sucesso em centro comercial
“O Bom Sucesso faz sentido como mercado, mas não como centro comercial” salienta o texto do movimento Bom Sucesso Vivo

Lusa
Devo vender a casa sozinho ou recorrer a uma imobiliária? Prós e contras
MCA celebra contrato de 15M€ com linha de crédito britânica
AIP e Euronext lançam programa ELITE para capacitar empresas em crescimento
Município de Alcobaça inaugura Área de Localização Empresarial da Benedita
Sell and Go ultrapassa os 10M€ em aquisições e reforça presença no mercado imobiliário
Prospectiva e Hydroplante realizam estudos de viabilidade em Madagáscar
LDC Group adquire Weddo Living e reforça aposta na gestão de arrendamento
RBR Estate Investments investe 1,5 M€ em projecto nos Anjos
Cosentino alarga portfólio de casas de banho com novo lavatório
Escarlata Loncán assume Direcção Geral da Quilosa Selena Iberia
Siza Vieira, José Pulido Valente e Manuel Correia Fernandes são alguns dos arquitectos subscritores de um manifesto, hoje divulgado, a favor da requalificação do Bom Sucesso “como mercado, mas não como centro comercial”.
“O Bom Sucesso faz sentido como mercado, mas não como centro comercial” salienta o texto do movimento ‘Bom Sucesso Vivo’, que tem ainda como subscritores os arquitetos André Tavares, Francisco Barata Fernandes, José Gigante, Manuel Fernandes de Sá, Nicolau Brandão, Nuno Brandão Costa e Paula Santos
Os arquitectos salientam que o projeto previsto para o Mercado Bom Sucesso “é um atentado a um edifício modernista com um processo de classificação como património nacional já aprovado pelo IGESPAR e a aguardar conclusão” e que está em causa a “adulteração de um edifício histórico”.
“Do que foi tornado público, sabemos que se pretende encher o interior com dois grandes volumes a cortar, e ocupar o espaço central, quase encostados às suas fachadas envidraçadas”, criticam.
O documento destaca também que “transformar o mercado em centro comercial destrói a arquitectura do edifício” já que “o projecto actual reflete uma visão fachadista da arquitectura, destruindo o que o edifício tem de melhor, o magnífico espaço interior”.
Os subscritores lembram que “a alma do pequeno comércio popular faz parte da alma desta cidade do Porto” e que a zona da Boavista está já “saturada de centros comerciais, edifícios na grande maioria sem qualquer qualidade arquitectónica”.
Salientam ainda que “destruir um mercado para criar mais um centro comercial é empobrecer a qualidade e variedade da vivência urbana”
“Este mercado precisa sim de se tornar a habilitar como edifício e na sua funcionalidade de mercado, tal como consta dos requisitos que fundamentaram o processo de classificação”, acrescentam, defendendo que só assim aquele espaço “ficará digno de um uso público intenso, como já teve antes do abandono recente a que foi votado”.
Os arquitectos apelam, por fim, ao ministério da Cultura e ao IGESPAR para que pronunciem e intervenham neste processo, “impedindo a destruição do Mercado do Bom Sucesso”.
“Como cidadãos empenhados pretendemos que o edifício do Mercado continue a marcar a sua época, através do respeito pelo património construído e classificado e que continue a marcar o seu fim de mercado tradicional de frescos, sempre actual numa cidade viva”, conclui o documento.
O Mercado do Bom Sucesso vai ser entregue à empresa Mercado Urbano – Gestão Imobiliária, subsidiária da empresa bracarense Eusébios.
A proposta que venceu o concurso público em julho de 2009 aponta a construção de um hotel low cost, de uma área de escritórios, 44 bancas de produtos gourmet e 23 lojas, numa empreitada que se deve prolongar por 27 meses.