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    Opinião

    A Digitalização do Sector da Construção

    É preciso reconhecer da necessidade de ajudar as empresas e as suas pessoas a adaptarem-se a estas novas realidades e metodologias, promovendo incentivos positivos a quem empreenda este caminho

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    A Digitalização do Sector da Construção

    É preciso reconhecer da necessidade de ajudar as empresas e as suas pessoas a adaptarem-se a estas novas realidades e metodologias, promovendo incentivos positivos a quem empreenda este caminho

    João Rodrigues
    Sobre o autor
    João Rodrigues

    Aproveitando que a presente edição do jornal CONSTRUIR dá um destaque especial ao tema da “Arquitectura – Traço”, dedico este artigo de opinião ao tema da digitalização do sector da construção. Começo por trazer à discussão alguns conceitos fundamentais para enquadrar o tema e que, não raras vezes, tende a ser tratado de forma diferente, quiçá antagónica, em função dos diferentes actores envolvidos.

    Da minha parte, julgo importante que a transformação digital de qualquer organização esteja sempre subordinada a um propósito maior. Portanto não deve ser encarada como um fim em si mesmo, mas sim como um processo que visa a melhoria operacional da organização, ou mesmo um processo de transformação dos seus modelos de negócio. Considero também que a transformação digital deve ser encarada como algo que interessa a toda a organização e não apenas a uma área especifica da mesma e, por isso, deve ser promovida e gerida pela sua Administração.

    Terceiro, mas não menos importante, a transformação digital deve estar suportada em dados e algoritmos mas tem de estar centrada nas pessoas, visto serem elas o factor determinante para o sucesso do processo. Tomando por aceite o que anteriormente escrevi, foco a minha atenção na digitalização do sector da construção, tomando por exemplo o caso específico dos edifícios, mas que penso ser facilmente replicável às restantes tipologias de construção. Segundo dados internacionais de reputação intocável os edifícios, que em Portugal representam uma parte importante da construção, são responsáveis por cerca de 40% das emissões globais de CO2, têm aproximadamente 70% do seu custo concentrado no período de utilização, estimando-se que neles passemos cerca de 90% das nossas vidas.

    Parece-me então natural que foquemos a digitalização da construção de edifícios no objectivo de reduzir drasticamente as suas emissões de CO2, garantindo a máxima eficiência operacional em todo o seu ciclo de vida e que se tenha uma especial atenção ao conforto e à produtividade dos seus ocupantes. A partir daqui é fácil concluir da necessidade de uma integração completa entre todas as especialidades do projecto (arquitectura, civil, electricidade, AVAC, hidráulicas, etc.), onde tecnologias como o BIM (Building Information Modeling), modelos como o ETIM (um standard internacional de classificação de produtos técnicos cada vez mais utilizado) e conceitos como o gémeo digital, entre outros, são cada vez mais utilizados, trazendo um real benefício a todos. Não devemos, no entanto, desprezar a existência de obstáculos reais na implementação desta transformação de metodologias e de mentalidades.

    Desde logo, é preciso reconhecer da necessidade de ajudar as empresas e as suas pessoas a adaptarem-se a estas novas realidades e metodologias, promovendo incentivos positivos a quem empreenda este caminho.

    Devemos também promover uma alteração nos critérios de tomada de decisão, privilegiando os critérios de longo prazo, como o custo total da propriedade, em lugar de critérios de curto prazo, como o custo de construção. São muitos os exemplos de que o investimento inicial em soluções tecnologicamente mais sofisticadas, são largamente compensadas pela redução dos custos operacionais das infraestruturas, pelo que se torna fundamental que todos os envolvidos ajam em conformidade com esta realidade. Finalmente, mas não menos importante, é necessário promover uma cultura de colaboração e transparência, eliminando em definitivo culturas de predomínio de alguns dos elos da cadeia em detrimento de outros. É por isso que consideramos que o Estado deve liderar esta transformação, promovendo as alterações legislativas que se justifiquem. Na APIEE somos totalmente favoráveis à existência de uma cultura colaborativa que una toda a cadeia de valor, pelo que encaramos a transformação digital do sector como uma oportunidade para promover um mercado cada vez mais maduro e sofisticado, onde a concorrência justa e leal seja uma realidade que a todos orgulhe e satisfaça.

    Sobre o autorJoão Rodrigues

    João Rodrigues

    director executivo da Associação Portuguesa dos Industriais de Engenharia Energética (APIEE)
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