Fala Atelier: As propostas para dois edifícios de habitação e uma sala de espectáculos

Por a 11 de Janeiro de 2021

O Fala Atelier nasceu no Porto em 2013. Liderado por Filipe Magalhães, Ana Luísa Soares e Ahmed Belkhodja, o atelier trabalha com optimismo metódico numa ampla gama de projectos, desde territórios até casas de pássaros. Os projectos do Fala são uma mistura de linguagens formais, referências, citações e temas, regulados por uma obsessão por clareza, caracterizados por uma arquitectura “hedónica e pós-moderna, intuitiva e retórica”.

Damos aqui a conhecer dois desses projectos. Embora distintos pelo objecto da sua arquitectura, pelo fim a que se destinam e local, apresentam as características únicas que identificam o Fala nos seus trabalhos.
O primeiro é um projecto de habitação no Porto – six houses and a garden – concluído em 2019 para um cliente particular e que incidiu sobre a reabilitação de um conjunto edificado, de pequenas dimensões, “escondidas num quarteirão da cidade”, como refere Filipe Magalhães, um dos responsáveis do atelier. O resultado foi a transformação do espaço em seis casas em torno de um jardim comum.

O segundo trata-se de um projecto desenvolvido de raiz, para um promotor público na Bélgica, o Horst arts & music festival e que se destinou a criar um espaço de usufruto ao ar livre para diferentes actividades artísticas e com capacidade de adaptação consoante a necessidade e o que se pretender. Construído em madeira local, o projecto “é orgulhosamente livre e aberto a interpretações” podendo ser visto como “um palco, uma sala ou uma praça”, explica o atelier.

six houses and a garden
“Dois edifícios semelhantes, um muito longo e outro muito curto. Seis casas – quatro idênticas e duas excepcionais – em torno de um jardim comum, escondidas num quarteirão da cidade. Uma arquitectura para amarrar a realidade fragmentada.
A composição de cada espaço interno combina linhas ortogonais, diagonais e curvas. O perímetro ligeiramente distorcido das salas define os limites; os espaços principais vêm da subtracção de superfícies que definem programas secundários. Os elegantes pilares de metal trazem tensão vertical; as aberturas redondas ligam programas desiguais. Em volumes tão pequenos, esta combinação de geometrias ambivalentes resulta em espaços de estar peculiares.

A materialidade dos interiores segue sua complexidade espacial. As paredes são meramente brancas, as lajes e escadas em betão aparente, os pisos exibem mármore Estremoz polido e o tecto inclinado é pintado de rosa. Portas de madeira, puxadores exagerados e toques de mármore rosa aqui e ali acompanham o jogo de superfícies.

No exterior, as casas definem um meio claustro, emoldurando um jardim colectivo, onde é impossível entender onde cada casa começa ou termina. A fachada é uma sobreposição de várias linhas rítmicas – as finas colunas de metal, as portas azuis listadas, as clarabóias pretas. O tecto é feito de duas camadas: um plano ondulado rosa é flutua por baixo das chapas de metal ondulado, enfatizando a pouca espessura da superfície. Em redor, um cenário urbano honesto define o pano de fundo idílico para o exercício de arquitectura proposto”

folly for sun and sound
“A estrutura não se decide entre ser um palco, uma sala ou uma praça; é composta por uma sucessão de plataformas e alçados com caracteres distintos. O volume assemelha-se ao dos edifícios militares nas imediações mas a sua linguagem não é de todo militar.
Essencialmente construído em madeira local, estabelece significados através do uso pontual e/ou sistemático da cor sobre os seus elementos. A coerência do projecto é orgulhosamente livre e aberta a interpretações. Peças de contraplacado verdes e brancas parecem penas no exterior, e longas faixas horizontais no interior. Uma cobertura leve em metal recebe os convidados, protege o balcão e suporta duas bolas de espelhos. Uma das fachadas lembra uma lua e a outra um gato estendido ao sol”

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