Biodesign valoriza parque em Tomar

Por a 20 de Outubro de 2006

Com o objectivo de valorizar o perímetro urbano de Tomar em termos paisagísticos, ambientais e funcionais, a Biodesign visa assegurar a articulação do Parque Urbano com a cidade e devolver ao rio Nabão a sua função como vector de desenvolvimento

Localizado em Tomar, o projecto da Biodesign para a primeira fase do parque urbano da cidade está integrado no Programa Polis. Inserida no contexto do Plano de Pormenor do Parque Desportivo ao Açude da Pedra, a intervenção deverá garantir uma articulação entre o centro da cidade, o parque desportivo, as novas áreas de expansão urbana e a paisagem. A criação de uma ciclovia, deverá garantir a ligação entre as diferentes áreas, equipamentos e infra-estruturas, permitindo desta maneira que se usufrua da zona ribeirinha, potenciando novas valências de uso recreativo e cultural.

Situada no centro do país, a cidade de Tomar encontra-se na proximidade de três importantes rios, o Tejo, o Zêzere e o Nabão, «oferecendo múltiplas potencialidades relacionadas com o património natural», revela o documento da proposta. De acordo com os autores do projecto, a cidade ainda não tirou o devido proveito do potencial do rio Nabão, sendo este o responsável pela génese daquele território. Nesse sentido, é no âmbito de devolver ao rio a função de vector de desenvolvimento que a Biodesign complementou a sua proposta, com o objectivo de valorizar em termos ambientais, paisagísticos e funcionais aquela zona do perímetro urbano de Tomar. Segundo a memória descritiva do projecto, a equipa projectista visa concretizar um projecto que se traduza «numa perfeita concepção ambiental, funcional e estética», tendo em atenção os aspectos ligados à gestão e manutenção dos espaços. Desta forma, a intervenção caracteriza-se por uma estrutura «tanto quanto possível auto-suficiente», nomeadamente em relação à gestão e conservação da água, através de uma selecção das espécies vegetais e dos revestimentos a utilizar.

Valorização ambiental

Uma valorização «dando expressão às qualidades intrínsecas» da paisagem, é um dos objectivos a atingir pela Biodesign através desta intervenção. Sendo igualmente importante a articulação do Parque Urbano com a sua envolvente, a revitalização de zonas degradadas ou abandonadas são equacionadas na proposta como possíveis valências de uso recreativo, desportivo e cultural, numa perspectiva global de preservação. Contemplando uma praça de entrada, estacionamentos e acessibilidades, parque infantil, zonas verdes, cais de acostagem, parque de merendas, infra-estruturas, ciclovia e percursos pedonais, o projecto para a primeira fase do Parque Urbano de Tomar, pretende assegurar a articulação do Parque com a cidade. Dotado de uma praça de entrada, a mesma nasce da «necessidade de marcar a transição entre a malha urbana e o Parque», funcionando como um elemento de recepção e distribuição do mesmo, lê-se na memória descritiva. Sendo uma área pavimentada e ensombrada, as suas funções são para além da de entrada, as de estadia e encontro, acentuadas pela proximidade ao Passeio das Artes e aos equipamentos a ele associados. Recorrendo a materiais da região e pontuada por mobiliário urbano, este espaço é o último de carácter urbano antes de se entrar no Parque, e a sua presença é acentuada por um pórtico em aço corten. Relativamente ao estacionamento do parque, no mesmo podem coabitar veículos ligeiros e autocarros. De forma a que este espaço seja dotado de alguma flexibilidade, a área será arborizada para permitir que quando não esteja totalmente ocupada possa funcionar como uma zona de chegada e de acolhimento. Os vários caminhos propostos na intervenção servem funções como, de passeio, desporto ou como pontos de leitura do espaço e formalizadores da estrutura. Construídos em pavimentos de baixo custo, baixa manutenção e permeáveis, servem também para fazer alusão à «estrutura fundiária associada à agricultura que já ocupou o local», bem como, para fazer uma relação com o rio e com os canais. A criação de um parque infantil é outro dos objectivos da proposta da Biodesign, e ficará localizado junto ao Passeio das Artes, na proximidade do parque de merendas, do Jardim dos Sentidos, dos campos de jogos e da entrada do Parque, funcionando como uma zona de complementaridade entre os diversos equipamentos. Este espaço visa ser um misto de espaços de jogos, de estadia, didáctico e pedagógico, que cria condições para ser usufruído por diferentes gerações. O Jardim dos Sentidos, é outro dos espaços da proposta, e pretende atrair para além da visão, o olfacto e o tacto dos seus utilizadores. Inserido num núcleo de características polivalentes, o mesmo serve de espaço de «lazer, de encontro e de descoberta», revela a memória descritiva do projecto. De acordo com os autores da proposta, o Jardim dos Sentidos funciona como uma peça diferenciadora no contexto do Parque, permitindo ser utilizada por invisuais, que «sentirão um espaço desenhado para o cheiro e o toque», bem como pelos restantes utentes que serão sensibilizados para a sua complexidade sensorial. O parque de merendas, «essencial à vida de um parque urbano dada a animação que potencia», é outro dos espaços propostos para o Parque Urbano de Tomar. O mesmo, será equipado com sistemas de deposição e recolha de resíduos, e pavimentado com gravilha e granito. Sendo o rio um elemento importante no desenvolvimento da proposta, a intervenção conta com um cais de acostagem e um pavilhão de apoio à prática de actividades náuticas, que servirá igualmente de armazém e oficina a pequenas embarcações de aluguer. A falta de espaços de carácter desportivo junto ao centro da cidade, levou à criação de áreas para actividades desportivas no seio do Parque Urbano. Nesse sentido, a localização dos futuros campos de jogos «respondem a uma distribuição racional e equilibrada dos usos e funções do futuro Parque», lê-se no documento da proposta.

Percursos

A ciclovia e os percursos pedonais são o elemento de ligação entre os espaços ribeirinhos e as restantes zonas da cidade. Com dimensões e pavimentos que permitem usos diversificados, funcionam na mesma plataforma e servem também como acesso a veículos de emergência. Relativamente à sinalética e ao mobiliário urbano a utilizar, os mesmo são componentes essenciais «sendo muitas vezes os responsáveis pelo sucesso e pela forma de utilização dos espaços», uma vez que devem manter uma continuidade em relação à que existe na cidade, revela a memória descritiva. A vegetação é outra constante do espaço, que segundo os autores da proposta será mantida na sua maioria. Dada a quantidade de exemplares existentes, a intervenção «não necessita de novas plantações». Contudo, com o objectivo de reduzir os custos de manutenção e de conseguir uma proposta sustentável, o uso do relvado foi cingido a algumas áreas, usando em alternativa prados com diferentes composições, «de forma a aumentar a biodiversidade do local» e «criar uma matriz cromática que defina usos».

Perfil da Biodesign

A Biodesign constituiu-se em Fevereiro de 1991, e integra uma equipa técnica a actuar nas áreas de projectos de espaços exteriores, planeamento de espaços verdes urbanos, ordenamento e gestão do território, conservação da natureza, recuperação de paisagens degradadas, criação e valorização de zonas húmidas, estudos de impacte ambiental, interpretação e divulgação da paisagem, detecção remota e sistemas de informação geográfica. A apostar na sua internacionalização, o gabinete faz parte de um agrupamento de empresas denominado Nerwork for Engineering, Architecture and Technology (NEAT), um agrupamento complementar virado para os mercados estrangeiros. A Biodesign celebrou recentemente 15 anos de actividade.

PUB