Ferrovia: Sines vai estar 150km mais próximo da fronteira

Por a 9 de Junho de 2021

Decorrem a bom ritmo os trabalhos de construção da linha ferroviária entre Évora e Caia, um investimento integrado no corredor internacional sul do plano Ferrovia 2020 e que terá um forte impacto na ligação entre o Alentejo Litoral e a fronteira com Espanha.
Na última semana, o Governo marcou presença nos trabalhos do troço entre Freixo e Alandroal, tendo o primeiro-ministro aproveitado para recordar “o investimento superior a 2000 milhões de euros previstos no Ferrovia 2020, que surgiu numa altura em que o País se tinha desabituado a fazer grandes investimentos na ferrovia» e, por isso «como quando o comboio arranca de uma estação, leva tempo a atingir a velocidade de cruzeiro”. “Hoje estamos em velocidade de cruzeiro e, ano após ano, a taxa de execução tem vindo a acelerar, e vai-nos permitir chegar ao final de 2023 com o Ferrovia 2020 concluído”, afirmou António Costa.

Corredor internacional sul
O corredor internacional sul, que liga a parte Sul da Área Metropolitana de Lisboa e o Alentejo Litoral à fronteira do Caia, é uma “obra estratégica para valorizar um dos maiores activos que o País tem, que é o porto de Sines» e também toda a economia da região. “Com esta obra vamos encurtar em 150 quilómetros e em três horas e meia a distância entre o porto de Sines a e fronteira, o que significa que o porto não vai servir só o território nacional, vai poder servir toda a península ibérica e isso é fundamental para reforçar a capacidade de fixação de empresas e de criação de emprego em toda esta região do Alentejo”, disse. O primeiro-ministro referiu que “também o porto de Setúbal e o porto de Lisboa, ficarão ligados à fronteira, e para além do transporte de mercadorias teremos uma melhoria muito significativa do transporte de passageiros”.

A construção desta linha moderna “é um desafio muito grande para os autarcas que gerem este território”, o desafio “de criarem as oportunidades para o crescimento da actividade industrial e produtiva, porque esta linha serve quem carrega ou descarrega mercadoria no porto de Sines, mas também em qualquer ponto intermédio da linha, dirija-se a mercadoria a Sines ou ao resto da Europa”. O conjunto de intervenções ferroviárias entre Sines e a fronteira com Espanha representa um investimento total de 700 milhões de euros, dos quais 480 milhões de euros das empreitadas do corredor internacional sul, para ligar o litoral à fronteira com Espanha, e o investimento em diversas outras obras de ligação a este projecto.

Investimentos 2030
António Costa disse que já estão a ser elaborados “os projectos das obras previstas no Programa Nacional de Investimentos 2030 para que, quando estiver concluído o Ferrovia 2020, não se tenha de estar à espera de fazer os projectos, as expropriações, todo o trabalho preparatório, que deve começar a ser feito já para que o arranque do plano 2030 seja muito mais rápido do que foi o início do Ferrovia 2020”. O primeiro-ministro sublinhou a necessidade de “agregar a este investimento em infraestrutura o planeamento, a capacidade de projecto, de formação de recursos humanos, de recuperação de composições” que se tinha perdido, para “criar um cluster ferroviário que nos permita, no futuro, vir a ser produtores de comboios, tal como hoje já somos produtores ou contribuidores, através de indústria de componentes, automóvel”. “Estamos num processo de transformação de modos de transporte que as alterações climáticas vão acelerar cada vez mais, de mudança de transporte automóvel para o transporte colectivo e cada vez mais apara a ferrovia, pelo que apostar no cluster da ferrovia é apostar na economia do futuro”, disse ainda.


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