Marquise em apartamento de CR7 é “conspurcação ignóbil” do projecto do arquitecto

Por a 28 de Maio de 2021

“Assistir ao desrespeito e à conspurcação de forma ignóbil do nosso trabalho, da nossa arquitectura, sem ter cumulativamente a anuência dos arquitectos, dos vizinhos e sem projecto aprovado pela CML, construindo à bela ‘maneira antiga’ uma marquise no coroamento do edifício, é algo a que não vou assistir parado”.

É desta forma que o arquitecto José Mateus, autor do projecto do Castilho 203, reage à instalação de uma marquise no último andar do edifício da Rua Castilho, em Lisboa, uma penthouse com piscina exterior que é considerado o apartamento mais caro de Portugal e propriedade do capitão da Selecção Nacional, Cristiano Ronaldo.

Para o fundador do atelier ARX, numa publicação na sua página de Facebook, “há cultura, há autorias, há regras, há respeito pelos outros e pelo trabalho dos outros, há civismo, há princípios que não admito que sejam atropelados. Seja por quem for”. “Inúmeras vezes vibrei com a arte de CR7, emocionei-me com os seus golos extraordinários. Hoje marcou um autogolo, aquele que me ficará gravado para sempre, na minha arquitectura, e sob a forma de um profundo desprezo”, acrescenta José Mateus, que em declarações à Sábado sublinha que embora o terraço no topo do edifício “seja de usufruto do condómino do 13.º andar, é uma parte comum” do prédio. E isso significa que qualquer alteração que lá seja feita obriga a uma “autorização do condomínio, aprovada em reunião de condóminos e registada em ata”. Só que, segundo o arquiteto da ARX, “essa autorização não existe”.

A Câmara Municipal de Lisboa assegura que a construção da marquise no novo apartamento de Cristiano Ronaldo, em Lisboa, é ilegal, desde logo por estar acima da quota máxima permitida na zona. Além disso, não foi autorizada nem pelos condóminos, nem pela autarquia, que confirma que não existe qualquer pedido ou autorização para alterar o projecto original, posterior a 2020.

Post original do Facebook do arquitecto José Mateus

“O AUTOGOLO DE CR7”

A admiração e respeito que tinha por Cristiano Ronaldo, um atleta exímio e inspirador, um exemplo para todos que muitas vezes referi perante os meus filhos e alunos, desmoronou-se num ápice.

Comprou um apartamento no edifício Castilho 203, cuja arquitectura foi desenhada pela ARX, atelier que fundei com o meu irmão Nuno em 1991 e que baseia o seu trabalho, tal como CR7, numa dedicação extrema, níveis de exigência altíssimos, trabalho diário duríssimo. Assistir ao desrespeito e à conspurcação de forma ignóbil do nosso trabalho, da nossa arquitectura, sem ter cumulativamente a anuência dos arquitectos, dos vizinhos e sem projecto aprovado pela CML, construindo à bela “maneira antiga” uma marquise no coroamento do edifício, é algo a que não vou assistir parado. Há cultura, há autorias, há regras, há respeito pelos outros e pelo trabalho dos outros, há civismo, há princípios que não admito que sejam atropelados. Seja por quem for.

Inúmeras vezes vibrei com a arte de CR7, emocionei-me com os seus golos extraordinários. Hoje marcou um autogolo, aquele que me ficará gravado para sempre, na minha arquitectura, e sob a forma de um profundo desprezo.”


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