Worx: “Pandemia continuará a acelerar algumas tendências”

Por a 7 de Abril de 2021

A pandemia continuará a assinalar vários desafios em 2021, mas no geral o mercado imobiliário português tem demonstrado resiliência, perspectivando-se uma retoma gradual a partir do final de 2021 e início de 2022, a par da evolução da vacinação e da procura externa, de acordo com o mais recente WMarket Review, divulgado pela consultora Worx.

De acordo com Pedro Rutkowski, CEO da Worx, “num ambiente em que as taxas de juro registam níveis historicamente baixos, o mercado imobiliário continuará a ser visto como um excelente activo de refúgio, sendo esperado que o volume de investimento em imobiliário comercial se fixe em níveis semelhantes a 2020. Relativamente aos negócios deste ano, é expectável que se registem algumas operações de sale & leaseback dada a óbvia necessidade de liquidez de algumas empresas”.

Pedro Valente, Capital Markets da Worx, adianta ainda que “poderemos vir a assistir a uma maior compressão na yield dos activos core, apesar dos sectores da logística, build- to-rent (BTR), retalho alimentar e outros relacionados com a saúde prometerem ser os principais alvos dos investidores ao longo de 2021”. No geral, os investidores mantêm-se cautelosos, pelo que se preveem mais atrasos na concretização de negócios.

No que diz respeito ao mercado de ocupação de escritórios, Pedro Salema Garção, head of Agency, refere que “o balanço do ano registará uma performance em linha com o ano anterior, compensado em grande parte pela retoma gradual da actividade, estimada para a segunda metade do ano”.

A pandemia continuará a acelerar algumas tendências, nomeadamente o hot desking, o teletrabalho (com aumento de nómadas digitais no país) e a transformação digital. No entanto, no longo prazo, estima-se que se venha a atingir um equilíbrio entre o trabalho remoto e o presencial, com necessidade de um espaço colaborativo para desenvolver competências interpessoais e estimular a cultura organizacional da empresa.

Pedro Salema Garção acrescenta que “a reavaliação da necessidade de espaço por parte de algumas empresas originará um aumento da taxa de disponibilidade, resultando em subarrendamentos e novas áreas no mercado de escritórios, o que por sua vez levará a um maior tenant-mix nos edifícios”. Atendendo a este contexto, tenderá a surgir uma maior flexibilidade contratual permitindo o ajuste às necessidades de espaço das empresas. Reforça ainda que “a saúde e bem-estar dos colaboradores continuará a ser a principal prioridade, sendo que a nova oferta irá responder a estas necessidades (recorrendo a tecnologias touchless e a outras soluções relacionadas com sistemas de ventilação e aproveitamento energético, por exemplo), diferenciando-se ainda com os demais certificados ambientais”.

O sector do retalho continuará a registar impactos distintos dentro dos vários segmentos que o constituem, tendo em conta que o retalho alimentar continuará a destacar-se como o mais resiliente face ao retalho não alimentar. Entre os formatos do retalho, os centros comerciais virão a assistir a uma retoma gradual da actividade (prevista na segunda metade do ano), por via da vacinação e com o aproximar do fim do regime das rendas variáveis. Por outro lado, os retail parks serão o formato de destaque, tirando proveito dos amplos espaços de estacionamento e lojas de grande dimensão, transmitindo uma sensação de segurança ao consumidor.

No comércio de rua encontrar-se-ão alternativas criativas para estimular o volume de vendas. Na restauração, em particular, verificar-se-á o aumento de aberturas de “dark kitchens” (restaurantes virtuais), de esplanadas e espaços mais arejados. Alguns estabelecimentos nos grandes centros urbanos serão reconvertidos para outros usos, surgindo como oportunidade para a logística de lastime ou para o click & collect.

Segundo o departamento comercial da Consultora, “no sector logístico, a localização continuará a ser o principal requisito da procura, nomeadamente perto dos grandes centros urbanos e com espaços destinados ao lastmile delivery”. As cadeias de distribuição irão ajustar as operações com uma estratégia mais direccionada para o nearshoring e, com o acréscimo da procura aliada ao crescimento do e-commerce, haverá maior necessidade de espaços de grande dimensão, com projectos desenvolvidos à medida do cliente. Salienta-se também para o facto de que, “durante os próximos tempos, haverá uma maior evidência de contratos de pré-arrendamento associados a projectos de construção especulativa”.

No geral, a incerteza quanto ao controlo da pandemia continuará a provocar um compasso de espera na tomada de decisão, mas o mercado imobiliário em Portugal permanecerá competitivo face a outras praças europeias e destacar-se-á entre os principais destinos turísticos. Por último, de referir que estas tendências estarão sempre alinhadas com o compromisso nacional para a transição energética e descarbonização


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