Luto nacional por Gonçalo Ribeiro Telles

Por a 11 de Novembro de 2020

O arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles, figura pioneira na arquitectura paisagista em Portugal, morreu a 11 de Novembro, em Lisboa, aos 98 anos.

O arquiteto, cuja carreira também se destacou na cidadania, ecologia e na política, faleceu em sua casa, rodeado pela família. Nascido a 25 de maio de 1922, em Lisboa, Gonçalo Ribeiro Telles é autor de projectos relevantes em Lisboa, como os Corredores Verdes e os jardins da Fundação Calouste Gulbenkian.

O Governo decidiu decretar um dia de luto nacional, esta quinta-feira, dia 12 de Novembro, pela morte do arquitecto paisagista e fundador do PPM (Partido Popular Monárquico), Gonçalo Ribeiro Telles.

“O País tem para com Gonçalo Ribeiro Telles uma enorme dívida de gratidão, quer no lançamento das bases da política ambiental em Portugal, quer no desenvolvimento de uma consciência ecológica. Sendo um homem à frente do seu tempo, as ideias que defendia há 50 anos e eram então consideradas utópicas, são hoje comummente aceites. A sua perda é inestimável. O seu legado, felizmente, perdura, e somos todos seus beneficiários”, afirmou o Primeiro-Ministro, António Costa.

Mas as homenagens a Gonçalo Ribeiro Telles vêm de vários quadrantes do Governo. O Ministro do Ambiente e da Acção Climática, João Pedro Matos Fernandes, recorda o professor universitário, activista da causa pública, considerando Gonçalo Ribeiro Telles “como uma das figuras da sociedade portuguesa que mais se empenhou na defesa do ambiente e na valorização do mundo rural, tendo sido decisiva a sua ação na consagração da Reserva Ecológica Nacional e na Reserva Agrícola Nacional”.

Por sua vez, a Ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamenta profundamente a morte do “homem que, através das paisagens, marcou a cultura portuguesa e o nosso património”.
Natural de Lisboa, o longo percurso pessoal e profissional de Gonçalo Ribeiro Telles é, ao mesmo tempo, sinónimo de serviço público e espelho do impacto vasto que a sua ação teve na sociedade portuguesa, na formação da nossa consciência ecológica e na profunda transformação que as suas ideias inovadoras operaram na forma como olhamos para o ambiente.

“Gonçalo Ribeiro Telles abriu horizontes e ensinou-nos a ler e conhecer o território como um todo, bem como a compreender a importância central da sua preservação. Desta forma, mostrou-nos que a ecologia é, também, uma dimensão fundamental do nosso património cultural. Da sua intervenção pública na área da cultura destaca-se o papel central que teve na fundação do Centro Nacional de Cultura, que comemora este ano 75 anos e do qual era o sócio número um, cuja identidade será sempre inseparável da sua visão idealista e do seu compromisso apaixonado. Com um perfil educador, permanentemente envolvido e interessado, Gonçalo Ribeiro Telles agiu, como poucos, na transformação do nosso país. A cultura portuguesa perdeu hoje o talento de um dos seus grandes arquitetos, mas também uma voz que transformou a defesa do ambiente num posicionamento cultural. É este, também, o seu legado e o exemplo que, em sua homenagem, seguiremos”, sublinhou Graça Fonseca.

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