Receitas globais de construção e capitalização superam os 1,4 biliões de dólares

Por a 31 de Julho de 2020

As 100 maiores empresas de construção do mundo geraram receitas superiores a 1,462 biliões de dólares durante o ano de 2019, o que representa um aumento de 5% relativamente ao ano anterior. A conclusão consta do relatório anual Global Powers of Construction (GPoC) da Deloitte, que analisa a indústria da construção mundial e avalia as estratégias e o desempenho das principais empresas de construção presentes em bolsa no último ano.

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As empresas chinesas continuam a dominar o ranking das 100 melhores construtoras em termos de receita, totalizando 44% de toda a receita. Outros players asiáticos, principalmente do Japão e Coreia do Sul, além de empresas dos Estados Unidos, França e Espanha, também têm uma presença significativa no ranking de vendas do sector. O Japão tem o maior número de empresas no top 100, com 15, seguido pelos EUA (13), China (12) e Reino Unido (11).

A predominância de empresas chinesas no ranking deve-se, principalmente, à dimensão do mercado de construção chinês. A expansão internacional das empresas asiáticas (principalmente chinesas e coreanas), tem sido feita por aquisições não apenas na Ásia, mas também na Europa e nas Américas.

De salientar que as empresas de construção de matriz europeia mantêm-se, ainda assim, como as mais internacionais. “Apesar do sector da construção não estar a ser dos mais afectados pela pandemia de Covid-19, há fortes perspectivas de abrandamento das suas receitas em 2020. Esta será, no entanto, uma boa oportunidade para as empresas do sector reinventarem os seus processos internos e apostarem em modelos de negócio mais diversificados, assentes numa perspectiva tecnológica mais forte”, refere João Paulo Domingos, partner da Deloitte que lidera os sectores de Energy, Resources & Industrials em Portugal.

Veja-se, por exemplo, a construtora Mota-Engil que está na 76ª posição do TOP 100 mundial tendo atingido 3,188 milhões de dólares em vendas durante 2019, mais 4% que no período homólogo. Em termos de capitalização de mercado, as empresas europeias lideram o Top 100 com 37% do valor total de mercado, seguidas pelas empresas chinesas (18%), norte-americanas (16%) e japonesas (15%). O desempenho financeiro das principais empresas de engenharia e construção não foi consistente em 2019, sendo que entre as Top 100, mais de metade das empresas registou um aumento nas vendas, sendo que algumas delas registaram aumentos de dois dígitos. Por outro lado, 13 empresas reportaram contracções de receita superiores a 10%. A pandemia poderá estar a acelerar a forma como a indústria está a abordar o uso de novas tecnologias. Áreas como inteligência artificial e analytics têm o potencial de obter um valor considerável no sector da construção, mas poucas empresas conseguiram ir além de projectos piloto específicos.

O relatório da Deloitte inclui, ainda, uma análise das tendências do sector. Embora a construção tenha sido considerada uma indústria tradicional com um dos menores ganhos de produtividade nos últimos 30 anos, surgiram várias tendências importantes que serão fundamentais para moldar o futuro da indústria, tais como a Inovação, com a digitalização, advanced analytics, inteligência artificial, realidade aumentada e virtual e impressão 3D que têm potencial para gerar valor); Processos e Operações que tendem a ser industrializados para capitalizar os ganhos de eficiência e as empresas tornarem-se mais competitivas; os Materiais de Construção, nomeadamente os nanomateriais que podem ter um impacto significativo nos custos de construção e na qualidade e sustentabilidade dos activos; Compliance, com uma maior regulamentação e transparência no sector : existe uma necessidade urgente de melhoria das práticas de compliance no sector, bem como de uma reformulação da contratação e regulamentação e a Sustentabilidade e de que forma o impacto ambiental estão a tornar-se num requisito importante e as empresas devem introduzir melhorias nos seus processos de negócio.

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