Merlin Properties revela quebra no lucro de 30% no primeiro semestre de 2020

Por a 30 de Julho de 2020

A Merlin  Properties encerrou o primeiro semestre com uma facturação de  259,4 milhões de euros, um EBITDA de 184,1 milhões de euros e um lucro operacional (FFO) de 134,3 milhões de euros, anunciou esta quarta-feira a empresa.
O lucro líquido consolidado segundo a IFRS ascende a 70,9 milhões de euros, não comparável com o exercício anterior por factores extraordinários (activos vendidos e menor revalorização de activos este ano do que no ano passado). Excluindo extraordinários, o lucro líquido é de  87,2 milhões, 30% inferior ao primeiro semestre de 2019 (124,3 milhões de euros). A ocupação da carteira resiste ao efeito Covid-19 e mantém-se nos mesmos níveis que antes do surto da pandemia, alcançando 93,9%, o que demonstra a sua qualidade e a solidez dos arrendatários.

Quanto ao impacto da Covid-19 no fluxo de caixa no exercício de 2020, a promotora acredita que irá atingir os 60 milhões de euros, indicando ao mercado que o lucro operacional do exercício será de 250 milhões de euros (ou 53 cêntimos por acção). “A empresa planeia o resto do ano e 2021 com toda cautela e prudência, mas encara o curto e médio prazo com um balanço muito sólido”, indica em comunicado. E acrescenta: “Apenas 12% dos contratos expiram em 2021 e contamos com 20 milhões de euros em receita adicional derivada de novos contratos assinados em Landmark e Best II & III, que entrarão em produção no próximo ano”.

Reportando ainda ao primeiro semestre por sector, a empresa afirma que os escritórios revelaram  um “bom comportamento durante o semestre, com uma subida em rendas like-for-like de 4,0%”. De acordo com a promotora foram assinados contratos de 187.330 m2, dos quais 147.909 m2 foram assinados durante o segundo trimestre, no difícil contexto pós-Covid. Os contratos com novos inquilinos foram assinados acima das rendas do mercado e as renovações foram feitas a preços elevados, alcançando um release spread de 2,7% no semestre. A ocupação encontra-se nos 90,9%, muito em linha com a alcançada antes do impacto da Covid (91,4% em Março). O nível de incumprimento de rendas foi irrelevante, 0,8% durante o segundo trimestre.

Para os inquilinos retail, a Merlin Properties lançou uma política comercial com descontos nas rendas de 100% durante os meses em que as lojas estiveram encerradas. Nos meses seguintes à reabertura, a Merlin ofereceu incentivos desde Junho, decrescendo até Dezembro (60% / 10%). A política foi recebida de forma muito positiva pelos inquilinos, tendo sido aceite até hoje por mais de 92% dos clientes retail. Como contrapartida, os clientes estenderam os seus contratos até 2022, protegendo a ocupação da carteira durante 2020 e 2021. O nível de incumprimento de rendas foi de apenas 3,3%.

O semestre encerrou com uma ocupação de 94,1% (igual ao período antes da Covid) e os incentivos dados aos clientes ascenderam a 27,8 milhões de euros, com o consequente impacto directo nas contas da Merlin. Após a reabertura, a afluência aos centros comerciais e as vendas dos inquilinos sofreram o impacto lógico devido à menor mobilidade de pessoas, especialmente nas áreas turísticas, com quedas no tráfego de 29% na primeira quinzena de Julho e quedas nas vendas de 18% durante o mês de Junho.

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