Escritórios: Volume de negócios desce 41 p.p.face a 2019

Por a 30 de Julho de 2020


O mercado de escritórios de Lisboa marcou o maior volume acumulado de take-up no 1º trimestre de 2020 (cerca de 43.934 m2), desde que há registo. No entanto, após decretado o estado de emergência, e com a pandemia a impor restrições e a criar incerteza, as decisões prolongaram-se, registando um decréscimo no número de negócios (-41p.p. face ao período homólogo de 2019) e fechando o volume de absorção semestral com uma variação homóloga negativa de 23p.p. quando comparado ao 1º semestre de 2019.

O take-up da Zona 1 (Prime CBD) representou cerca de 26% do volume semestral, seguido da Zona 2 (CBD) com uma fatia de aproximadamente 18%; enquanto as zonas 5 (Parque das Nações), 6 (Corredor Oeste) e 7 (outras zonas não delimitadas) distribuíram-se cada uma com um peso na ordem dos 16-17%. Face ao período homólogo de 2019, a maioria das zonas registaram decréscimos este ano, sendo a maior descida (41,8p.p. t.v.h) assinalada na Zona 3, que, por sua vez, também apresenta uma das menores taxas de disponibilidade no mercado.

Desde 2013 que a vacancy rate tem vindo a marcar uma trajetória descendente devido à elevada procura no mercado de escritórios, chegando a atingir um mínimo histórico de aproximadamente 5,3% no final de 2019. Contudo, com a entrada de novos edifícios no stock e libertação de espaços após o período de confinamento, a taxa de disponibilidade subiu neste 1º semestre para 6,3%.

Pedro Salema Garção, head of Agency da Worx, acredita que “este ano deveremos assistir variação negativa na ordem dos 30p.p. no take-up, registando cerca de 130.000 m2 de volume absorvido. Em 2021 deveremos assistir a uma variação semelhante, retomando um crescimento médio de aproximadamente 20% ao longo dos próximos três anos”.

“Quanto à vacancy rate, esta deverá assumir uma tendência crescente até 2024, subindo cerca de 7% até ao final de 2020 devido à redução de espaços por parte das empresas, seja na óptica de redução de custos ou porque optarem pela via do teletrabalho. A partir de 2021 a vacany rate deverá subir cerca de 9%, estabilizando em 2024, enquanto o take-up seguirá uma recuperação em “Nike swoosh” até 2024″. acrescentou Salema Garção.
A lista de edifícios em pipeline sob construção projecta cerca de 204.900 m² para 2020/22, dos quais 19.181 m2 (9,4%) já estão concluídos. A somar a esta lista estão os edifícios que ainda não iniciaram construção e que equivalem a um montante de 91.950 m2, o que adicionado ao pipeline em curso perfaz cerca de 309.578 m2.

“Ao longo dos últimos anos temos vindo a assistir a um aumento gradual das rendas prime, suportado pela elevada procura e pela pouca oferta de qualidade de novos edifícios no mercado de escritórios de Lisboa. Contudo, face aos recentes eventos e derivado ao período de confinamento, e devido à falta de ocupações (comparáveis), o 2º trimestre mantém a renda prime nos 24€/m2/mês, uma descida de 1€/m2/mês face ao ano de 2019″, afirmou o responsável.

O sector dos “serviços financeiros” foi responsável por cerca de 41,3% do volume de take-up, seguido do sector de “serviços a empresas” com aproximadamente 28,7% e as TMT’s & Utilities a representarem outra fatia significativa, mas de menor peso (cerca de 16,1%) sobre o volume total.

As empresas de consultoria e do sector de construção e imobiliário registaram uma descida abrupta face ao período homólogo de 2019; em contraste, o sector das “farmacêuticas e saúde” (com um peso de 4,5%) registaram uma subida da procura.

Ao longo deste semestre, o take-up das praças europeias também foi condicionado pelo período de confinamento e incerteza gerada relativamente à necessidade de espaços por parte das empresas. De acordo com os dados do BNP Paribas Real Estate, parceiro da Worx – Real Estate Consultants, as principais praças europeias apresentaram uma variação homóloga negativa, no que diz respeito ao take-up semestral, com destaque para Roma, Barcelona, Bucareste, Frankfurt, Madrid Hamburgo.

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