Arquiteturas Film Festival 2020 em formato digital

Por a 14 de Julho de 2020

DR (imagem de arquivo)

A 8ª edição da Arquiteturas, adiada para 2021 devido à pandemia de Covid-19, teria ocorrido na semana passada em Lisboa. No entanto, o festival anunciou que, através do formato digital,  vai permitir revisitar filmes de anos anteriores, nomeadamente as edição de 2013 a 2020.

“A equipa do Arquiteturas decidiu que esta pausa seria uma óptima oportunidade para relembrar as últimas sete edições do festival e fornecer aos espectadores do mundo inteiro uma retrospectiva do festival com filmes gratuitos”.

Esta iniciativa visa proporcionar visibilidade aos filmes e aos realizadores e agradecer a sua contribuição para o início de muitas discussões necessárias iniciadas no festival através das histórias retratadas nos filmes. O festival convida todas as semanas, ao vivo no Instagram, os realizadores para uma conversa informal com a directora do festival, Sofia Mourato.

Através do tema ‘Bodies Out of Space’ será possível “reflectir sobre a construção social do espaço conectado a um fio que circula dentro das suas próprias narrativas de dominação. Narrativas também de identidade em que muitas vezes os nossos corpos são forçados a entrar”. refere Marta Lança, jornalista, produtora e curadora do programa de filmes, masterclass e actividades para o país convidado do festival que este ano seria Angola.

“A arquitectura trabalha com poderes administrativos, económicos, políticos e estruturais que controlam, segregam e colonizam, mapeando activamente os territórios espaciais habitados pelos nossos corpos. Agora, para ser justa, isto não é apenas uma interpretação sombria da disciplina da arquitectura, é um pedido para pensarmos activamente na nossa responsabilidade como espectador e visitante, enquanto percorremos estes labirintos de desigualdade como descendentes directos da exploração do espaço e dos corpos”,

“Todos os dias acordamos numa Luanda de resistência. A confluência de tempos e regimes é visível na arquitectura colonial, das casas de escravos ao modernismo tropical, do português suave ao neoliberalismo, passando pelos arranha-céus asiáticos das novas centralidades. Qualquer angolano faria um filme biográfico imperdível. Um país com pouca produção cinematográfica que é um viveiro de histórias maravilhosas à espera de serem reveladas por uma câmara”, acrescenta Marta Lança.

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