Opinião: “Acreditamos que (…) o mercado irá recuperar nos próximos 3 a 12 meses”

Por a 14 de Abril de 2020

José Cardoso Botelho, managing director da Vanguard Properties

Na presente data, verificamos uma retoma do interesse por parte de clientes nacionais e internacionais, tendo a Vanguard Properties contratualizado, nos últimos dez dias, diversas reservas e contratos de promessa. É por isso, um bom sinal, embora, ainda seja cedo para extrair conclusões. Como é natural, e já amplamente comentado por vários promotores e mediadores, representativos do sector, durante o período de emergência, há um forte decréscimo da atividade comercial, até pela dificuldade de deslocação, tornando mais complexo, mas não impossível, a celebração de contratos.

No segmento residencial de gama alta e super premium, de vendas em planta, onde por ora a Vanguard Properties se posiciona, acreditamos que apesar da redução da atividade comercial, o mercado irá recuperar nos próximos 3 a 12 meses. Portugal, manterá e quiçá ampliará, na fase pós-Covid 19, as suas vantagens relativamente a vários dos seus congéneres europeus, nomeadamente a Espanha, Itália e Grécia, entre outros. O interesse por Portugal, não desapareceu nem diminuiu.

As vendas em planta, de produto novo e de elevada qualidade, irão continuar a apresentar uma alta performance até porque, ao contrário do que muitos pensam, o stock em produção é reduzido e muito inferior à procura pré-Covid 19. Por outro lado, nalgumas cidades de maior relevo, há evidentes atrasos no licenciamento de novos projetos, logo, a oferta, durante os próximos trimestres será bastante limitada por este fator absolutamente crítico.

Nas gamas inferiores de produto, a instabilidade económica, redução do poder de compra e o aumento do desemprego, a curto-prazo, irá certamente impactar fortemente as vendas, dificultando também as revendas de imóveis usados. Na revenda, a conclusão de negócios, sem visita física, é ainda difícil de ultrapassar, nesta fase do estado de emergência.

As taxas de juro vão manter-se baixas, o que é positivo para o setor imobiliário, por diferentes razões. Por um lado, facilita a contratação de crédito e a compra de casa para residir ou investir, por outro, implicará que os produtos financeiros, de baixo risco, terão rentabilidades muito reduzidas e nalguns países, negativas. Ou seja, o imobiliário, tenderá de forma crescente a constituir-se como um investimento de refúgio.

Acreditamos que, especialmente nas vendas em planta, os compradores, irão estar mais atentos – quem é promotor, a sua história e referências – quais os atributos diferenciadores do produto face à concorrência – e quem é o construtor. Estes elementos são ainda mais críticos numa fase de incerteza. No entanto é de salientar que no seu todo a promoção imobiliária em Portugal é hoje muito diferente em relação ao passado. As empresas, são dirigidas por pessoas com muito maior qualificação, estão mais bem financiadas e mais ágeis. A banca, está, incomparavelmente mais atenta, estando a avaliar, de forma muito criteriosa e cautelosa as operações de financiamento. Ou seja, esta crise, não é comparável à do sub-prime. Esta crise, será vencida, se o Governo, implementar medidas inteligentes de atração de capital e de novos residentes. Para tal é essencial reequacionar de forma inteligente e apartidária os programas existentes, nomeadamente do Golden Visa e RNH e criação de outros.

NOTA: O CONSTRUIR manteve a grafia original do artigo


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