PTPC promove concursos de apoio às PME através do Horizon 2020

Por a 18 de Dezembro de 2019

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A Plataforma Tecnológica Portuguesa de Construção (PTPC) vai lançar uma linha de apoio às PME de cerca de 450 mil euros já a partir de 2020. O anúncio foi feito por Rita Moura, presidente da PTPC (em representação da Teixeira Duarte), durante o 8º Fórum Estratégico da Plataforma que se realizou no Auditório do LNEC e que reuniu mais de uma centena de participantes.

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O Metabuilding, cuja candidatura foi aprovada no dia 9 de Dezembro, é um projecto inovador, financiado ao abrigo do Programa Horizon 2020, e dinamizado pela European Construction Technology Platform, em parceria com os sectores da Manufactura Aditiva e das Soluções Baseadas na Natureza, envolvendo seis Países Europeus. Tem como objectivo apoiar as PME através da criação de um ecossistema colaborativo sustentável para a expansão dos seus negócios e integrador de novos sectores e indústrias dinâmicos, mediante projectos de inovação trans-sectorais, transfronteiriços e orientados para os desafios provenientes dos clusters regionais.

“Portugal irá ter a partir de 2020 cerca de 450 mil euros para apoiar os projectos das PME nacionais através de concursos lançados e geridos pela PTPC” avançou Rita Moura, “Com o Metabuilding vamos poder concretizar as boas ideias que temos em Portugal na área da arquitectura, engenharia e construção, gerando startups e promovendo PME´s inovadoras” concluiu.

O 8º Fórum da PCPT contou com a presença de vários reputados oradores nacionais e internacionais para discutir as temáticas da Construção Circular e da Eficiência Energética, questões essenciais na actualidade.

“Os maiores riscos são os ambientais e isto está a chegar aos grandes decisores”, referiu Rita Moura. “A breve prazo, os futuros clientes vão exigir construções sustentáveis e vão ser os grandes influenciadores do futuro. As empresas ou tem esta atitude ou deixam de ter clientes.” finalizou.

“Reduzir, reutilizar e recuperar. Em todos os modelos de economia circular, até na nossa vida pessoal são estes os três princípios essenciais.” afirmou Isabel Pinto Seppä, directora de Assuntos Europeus do VTT, e keynote speaker da tarde. Esta responsável  avançou, ainda, que  o Comité Digital Built Environment foi aprovado há duas semanas e a PTPC está no Executive Board. “Estamos na Comissão Europeia a tentar formar este Comité há mais de 10 anos. Não podia estar mais orgulhosa”.

Surgiu, também, uma referência à nova geração de consumidores: “Os Friday for Future são inteligentes e exigentes. Eles não vão ser consumidores passivos. Vão exigir. Estão preparados e prontos para muita coisa.” finalizou.

Seguiu-se a discussão dos desafios da neutralidade carbónica, cujas conclusões serão um suporte para alinhar a estratégia para o sector AEC.

Emanuel Forest, vice-presidente da empresa da construção Bouygues e membro da Mission Board for Climate-Neutral and Smart-Cities da EU, salientou que “na visão europeia a construção deverá centrar-se em proporcionar bem-estar aos cidadãos, na sustentabilidade do ambiente construído e em contribuir para a prosperidade económica da Europa. A resposta a estes desafios é a parceria Build4People, que está agora em discussão no âmbito do novo programa de financiamento Europeu, Horizon Europe”.  Emanuel Forest acrescentou ainda “a PTPC está envolvida nestes temas e o sucesso com a candidatura Metabuilding é a prova disso”.

“As alterações climáticas são uma realidade, embora alguns não a queiram enfrentar. Nós temos que acreditar na capacidade da ciência, da tecnologia e da engenharia para resolverem os problemas.” referiu Carlos Mineiro Aires, Bastonário da Ordem dos Engenheiros.

Manuel Duarte Pinheiro, professor do IST, acredita que temos que ser proactivos no que diz respeito à economia circular: “Com a publicação do “Green Deal” pela EU, este é o momento certo para a fomentar  a integração ambiental na economia. Está na hora de dar uma oportunidade à engenharia e às nossas empresas.”

 “Todos percebemos o enorme problema das alterações climáticas e seus impactos. Contudo, no mundo real, as empresas vivem de resultados. A preocupação com a economia circular passa para segundo plano, como todos compreenderão. Em regra, as empresas de construção executam obras. É a montante da execução da obra, no projecto, que deve ser reflectida a abordagem da economia circular para que a partir daí seja reflectida em todo empreendimento. O sistema de contratação que temos hoje é limitativo à inovação” começou por afirmar Mário Barros, administrador da Mota-Engil. “Por outro lado, as decisões que são tomadas devem ser sustentadas numa lógica integrada dos seus impactos. Nós, em Portugal, decidimos que vamos fechar as centrais termo-eléctricas até 2023. Na Alemanha, vão fechar até 2030. Era bom que questionassem as empresas antes de porem as leis a vigor. Não é quando as leis já estão cá fora. Nós vamos ter que acabar por importar cinzas, o que pode poluir muito mais do que poluiriam as nossas centrais termo-eléctricas.”, concluiu Mário Barros.

O encerramento do Fórum foi assegurado pela Secretária de Estado do Ambiente, Inês Costa, que abordou o tema “Neutralidade Carbónica – Desafios para a Construção”.

“Creio que todos temos o dever de fazer melhor. A descarbonização do sector da construção não se faz apenas recorrendo à integração de energias renováveis. Faz-se também, por exemplo, pelo design, porque há bom e mau design. Se cria resíduos é um mau design” afirmou a Secretária de Estado. Ao terminar, lançou também um desafio para os produtores utilizadores de materiais de construção, arquitectos, engenheiros e construtores presentes na sala: “Desafio-vos a pensar a sério em medidas voluntárias para melhorar a segregação dos produtos em fase final de vida útil, bem como a pensar o projecto de forma eficaz para essa segregação. Garanto-vos que não é tempo perdido, é dinheiro em caixa.”

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