Mercado residencial contabilizou 24,1 MM€ de transacções em 2018

Por a 28 de Maio de 2019

A Operação Integrada de Entrecampos agregará mais de 200.000 m2 destinados a habitação (700 fogos para arrendamento acessível e 279 destinados ao mercado livre)

O mercado residencial nacional contabilizou um total de 24,1 mil milhões de euros de transações em 2018, mais 24,4% que no ano anterior. As regiões da Área Metropolitana de Lisboa e região Norte somaram 64,6% do total de transacções realizadas em 2018.

“Tendo em conta estes números, a reabilitação urbana exerce um peso bastante significativo, bem como a compra para colocação no mercado de arrendamento turístico, que têm sido sem dúvida, os dois factores mais dinamizadores do mercado residencial”, adianta Alexandra Gomes, Sénior Analyst Research Department da Savills Portugal.

Contudo, a compra e venda de casas para uso próprio e direccionada para os compradores nacionais mantém-se em níveis modestos e que traduzem uma desadequação da oferta actual ao perfil da procura. “A escassez de construção nova pensada de raiz para as famílias portuguesas de rendimento médio é um dos principais desafios que o mercado de promoção residencial enfrenta actualmente”, acrescenta a responsável.

Por outro lado, em 2018 foram licenciados um total de 22.062 edifícios em Portugal, sendo que 5.164 destes edifícios são destinados a reabilitação urbana, 16.898 destinados a construções novas e, destes, 11 375 foram destinados a habitação familiar (67,3%).

A Área Metropolitana de Lisboa representou 15,5% dos edifícios licenciados em 2018, com um total de 2 069 edifícios (84,2%) destinados a habitação familiar.

Já a região Norte contou com um total de 8.580 edifícios, dos quais 23,3% foram direccionados para reabilitação urbana e 70% destinados a construções novas, com a habitação familiar equivalente a 75,4%.

“Em 2019, o mercado residencial deverá iniciar um caminho de maior estabilização e consolidação dos preços, mais direccionado para o segmento de imóveis residenciais usados. A promoção de projectos direccionados para o segmento prime manter-se-à em alta, não sendo ainda expectável um ajustamento de preços visível e que produza efeitos na dinâmica do mercado residencial”, comenta Alexandra Gomes.

A introdução de novas formas e regimes habitacionais que reflectem novos estilos de vida começam a trazer à luz do dia modelos habitacionais assentes em conceitos de economia partilhada e coabitação. Em Portugal dão-se agora os primeiros passos e começam a surgir investidores internacionais com interesse em apostar no mercado português para a implementação de conceitos de Co-Living.

Também os  negócios de Development estão a mudar os centros urbanos das principais cidades do país. Em Lisboa os efeitos deste segmento de investimento têm vindo a dar uma nova vida sobretudo às zonas mais antigas e degradadas, prometendo impulsionar zonas secundárias.

As transacções tidas como Development chegaram a valores entre os 5.000 €/m2 e os 6.000 €/m2 nos dois casos específicos mais emblemáticos (centro histórico da cidade de Lisboa): o quarteirão da Pastelaria Suíça (já num avançado estado de degradação) e o quarteirão do BPI, ambos na baixa lisboeta e que, em conjunto, somam um investimento superior a 125 milhões de euros.

Os projectos previstos para a cidade de Lisboa prometem modernizar e criar novas centralidades da capital portuguesa. São ao todo mais de 520.000 m2 que serão desenvolvidos para quase todos os segmentos de mercado (logístico/industrial é a excepção).

“No total dos projectos previstos, são mais de 2.000 novos fogos de habitação, ainda assim insuficientes para colmatar a procura existente, e na sua grande maioria dirigidos a uma gama média-alta e alta”, refere ainda Alexandra Gomes.

De destacar a operação integrada de Entrecampos que agregará mais de 200.000 m2 destinados a habitação (700 fogos para arrendamento acessível e 279 destinados ao mercado livre), além de comércio, escritórios e equipamentos sociais. Outras zonas secundárias da cidade de Lisboa, como Praça de Espanha / Sete Rios, Alcântara, Belém / Ajuda e o eixo ribeirinho entre Santa Apolónia e o Oriente, absorverão os restantes 320.000 m2 previstos, com especial destaque para o desenvolvimento do Hub Criativo do Beato, actualmente com 30.000 m2 e com projecto de expansão até 100.000 m2, e a construção de 600 novos fogos de habitação no Braço de Prata, numa área de 244.000 m2.

“A junção de vários factores como a grande dimensão dos terrenos e edifícios alvo de intervenção, a localização dos mesmos aliada às boas acessibilidades, o interesse que Lisboa continua a gerar junto dos investidores e a necessidade de aumentar a oferta actual dos mais variados segmentos, dão a estes activos / projectos uma versatilidade que se torna sinónimo de um rápido escoamento no mercado”, conclui a responsável.

O ano de 2019 também demonstrou sinais positivos nos negócios de Development durante o primeiro trimestre. A compra do antigo quarteirão da CGD na rua do Ouro, na baixa de Lisboa, pelo Grupo SANA, foi uma das transacções que comprovam a maturidade deste mercado e a atractividade que continuará a merecer.

O destino destes projectos deverá manter-se na linha dos últimos anos, com o destino dos activos a ser predominantemente levado para os segmentos residencial e hoteleiro.

 

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