“Pink House” faz a “síntese entre tradição e modernidade”

Por a 13 de Novembro de 2018

© Fernando Guerra

A “Pink House” da autoria do gabinete de arquitectura MEZZO ATELIER, de Joana Garcia de Oliveira e Giacomo Mezzadri, foi a vencedora do Prémio de Arquitectura Paulo Gouveia, por “fazer a síntese entre tradição e modernidade, tornando clara a relação da construção com a pré-existência envolvente e a sua função”, referiu o júri.
O Prémio, instituído pelo Governo Regional dos Açores, através da Direcção Regional de Cultura, visa distinguir “obras de recuperação, reabilitação, reconstituição e reinterpretação na Região Autónoma dos Açores, cujo projecto mereça destaque por respeitar o património edificado, e privilegiar o uso de materiais endógenos, sem excluir o uso de linguagem contemporânea”. Recorde-se que, o Prémio Regional é dedicado ao arquitecto açoriano Paulo Gouveia, considerado o expoente do pós-modernismo nos Açores e que faleceu em 2009.

Adaptar mantendo o carácter
Localizado na ilha de São Miguel, nos Açores, aquela que é hoje a Pink House, era, no início do século XX, um estábulo.
Segundo a descrição do projecto a que o CONSTRUIR teve acesso, o objectivo da proposta do MEZZO ATELIER, foi “manter o carácter, as linhas e a atmosfera rural da construção, ao mesmo tempo em que adaptava a estrutura anexa a uma tipologia completamente nova – guesthouse – e aos regulamentos contemporâneos”. Para Joana Garcia de Oliveira e Giacomo Mezzadri, história e contemporaneidade tinham de coexistir em equilíbrio.
Para isso, contam os arquitectos na memória descritiva do projecto, “foram cuidadosamente rasgadas aberturas nas fachadas coloridas, bem como no muro de pedra e um novo volume foi adicionado à construção principal, permitindo que uma segunda residência, menor, surgisse integrada no todo”.
A residência maior, explicam, “desenvolve-se em dois níveis: o piso térreo abre-se para os espaços exteriores circundantes e atinge alturas diferentes criando um pavimento semi-nivelado onde um espaço social dá acesso às suítes e área de serviço privada”. Já o pavimento superior, “contém os espaços sociais e foi projectado como uma ‘planta livre’ para que possa ser aproveitado na altura total”.

Reinterpretar a arquitectura local
Para dignificar o projecto, era importante fazer reinterpretações da arquitectura vernácula açoriana, explicam os arquitectos. Nesse sentido, foram introduzidos novos elementos, “como as escadas exteriores, que ligam ao terraço ao ar livre ou o uso de madeira de cor branca nos interiores”. “Os tons envelhecidos de cor-de-rosa e ocre são a identidade principal da área onde fica a edificação”.
Joana Garcia de Oliveira e Giacomo Mezzadri explicam que “o ocre era tradicionalmente usado para enquadrar janelas e portas e no projecto foi utilizado nas mesas interiores dos dormitórios e da cozinha, adicionando um novo tipo de relação entre vistas interiores e exteriores”.
A dupla de arquitectos refere ainda os interiores e os móveis personalizados, que foram, “cuidadosamente desenhados para criar um ambiente neutro e pacífico, permitindo que as vistas do jardim sejam proeminentes nos espaços interiores”. Ao nível da materialidade, destaque para o uso da madeira, nomeadamente a criptoméria local (cedro japonês), que de acordo com os mesmos, “foi usada abundantemente na construção e no mobiliário” e para as “antigas vigas de madeira de pinho e acácia, encontrados no local, que foram convertidas em mesas feitas por encomenda”.

Menção honrosa
O Júri, constituído pelos arquitectos Ângelo Regojo dos Santos (indicado pela Direcção Regional da Cultura), João Mendes Ribeiro (convidado pela Direcção Regional da Cultura), Manuel Fernandes Dinis (indicado pela Delegação dos Açores – Secção Regional do Sul da Ordem dos Arquitectos), Vanda Laurémia Meneses de Oliveira Aguiar (indicada pela Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores) e pelo Dr. Pedro Marques (indicado pela Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas dos Açores), deliberou ainda atribuir uma menção honrosa à obra “Adega da Baía da Arruda”, na Ilha do Pico, da autoria de Ivo Mendes Barão Teixeira (Atelier Barão – Hutter), por a mesma se destacar pela “clara referência à arquitectura pontual e delicada de Paulo Gouveia na sua relação com a paisagem”.

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