Investigadora adapta parede Trombe para fornecer também arrefecimento
Novo modelo está já a ser testado em Santa Catarina, no Egipto

Pedro Cristino
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Uma investigadora da Universidade Lund, na Suécia, desenvolveu uma forma de adaptar as paredes Trombe – um tipo de parede concebido no século XIX, que tem a capacidade de acumular calor durante o dia e transmitir, de noite, o calor acumulado para o interior dos espaços – não apenas para aquecer, mas também para aquecer edifícios, reduzindo drasticamente as emissões de carbono associadas.
De acordo com a universidade sueca, este novo modelo está já a ser testado em Santa Catarina, no Egipto. “No Egipto, os combustíveis fósseis são responsáveis por 94% de toda a energia produzida”, afirmou a investigadora, Marwa Dabaieh, explicando que, desta forma, existe “uma grande necessidade para soluções energéticas inovadoras, para reduzir as emissões de carbono e que possam também ser utilizadas em comunidades rurais que nem sempre têm electricidade”.
A Universidade Lund frisa que a parede Trombe ventilada é uma construção passiva “antiga e, contudo, ainda popular, que praticamente não requer energia”. Dabaieh continuou a desenvolver esta técnica de forma a poder utilizá-la não apenas para o aquecimento de edifícios, mas também para arrefecimento, proporcionando conforto térmico interior durante todo o ano.
“O novo desenho utiliza as energias renováveis eólica e solar para gerar arrefecimento e aquecimento nos edifícios”, refere a investigadora, explicando que os ajustes “também eliminaram o problema original de sobreaquecimento das paredes Trombe” e, simultaneamente, reduziram “drasticamente” o consumo total de energia e as emissões de carbono.
O novo desenho deste elemento estrutural considerou também os aspectos estéticos da parede Trombe, de forma a poder integrá-la em edifícios modernos, tornando-se “um elemento arquitectónico atraente”. Para materiais, são usados a pedra local, madeira e lã, bem como vidro localmente produzido.
“Os habitantes têm estado envolvidos em todos os passos do processo, para poderem facilmente construir, por si, paredes Trombe ou para poderem mostrar a outros como se constrói uma”, afirmou Marwa Dabaieh, salientando que a construção local “poderia também ajudar a criar novas oportunidades para a população jovem e desempregada”.
Os habitantes de Santa Catarina que instalaram este elemento nas suas habitações testemunharam uma melhor temperatura interior, de acordo com a universidade, e várias pessoas exprimiram a vontade de ter um novo sistema de ventilação instalado – algo que Dabaieh vê com bons olhos, referindo que o sistema de ventilação passiva poderá ser “a chave” para um futuro sustentável.
“De forma a ultrapassar os desafios ambientais futuros, temos de investir em sistemas passivos, de baixo custo, que quase não necessitam de energia de combustíveis fósseis”, alertou, referindo que a parede trombe ventilada “tem um grande potencial para satisfazer as necessidades energéticas em contínuo crescimento sem aumentar as emissões de carbono”.