A escola do futuro deve ter uma arquitectura flexível, diz Nuno Lacerda
Passar dos conceitos à prática é, para Nuno Lacerda, “perfeitamente possível”

Lusa
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A escola do futuro deve ser um espaço flexível, polivalente e transformável, onde o ambiente construído funcione como “um terceiro professor”, promovendo o pensamento crítico, o empreendedorismo e a abertura à comunidade, defende Nuno Lacerda, especialista em arquitectura escolar.
Transpor isto para a realidade faz-se, por exemplo, pegando na ideia da “learning street”, um conceito abordado no debate internacional sobre novas escolas. Trata-se de uma rua de aprendizagem onde os alunos podem socializar, ter acesso à Internet e a livros – uma mistura entre o recreio e a biblioteca que substituiria o tradicional corredor de acesso às salas.
“Passamos de um mero corredor fechado e bastante hierarquizador a algo mais fluido, capaz de receber criatividade, lazer e experimentação. Tudo isto faz parte da aprendizagem. A nova escola tem de ser este espaço de interação, capaz de fomentar a troca de experiências, valores, emoções, sentimentos”, nota o arquitecto, docente da Universidade do Porto.
Para Nuno Lacerda, “a ideia das novas escolas é procurar um espaço de liberdade, é a possibilidade de adaptação a novos paradigmas que estão sempre a surgir” – daí a necessidade de serem polivalentes, transformáveis e adaptáveis.
Flexibilizando o desenho, contribui-se para a formação de pessoas empreendedoras, com capacidade crítica: “É isso que a arquitectura, o espaço organizado, deve possibilitar”.
O arquitecto que desenhou o projecto do Centro Escolar de Mouriz, Paredes (a inauguração está prevista para quarta feira, dia em que arranca o ano lectivo), começou a pensar esta ideia no âmbito de uma investigação sobre as novas escolas, financiada pelo QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional).
“Queríamos encontrar um processo em que a escola fosse o terceiro professor. Onde o ambiente construído servisse para que os alunos pedissem mais, aprendessem mais. Uma escola mais participativa, mais interventiva, mais aberta à comunidade, que pudesse servir os alunos daqui a 20 anos”, recorda.
O resultado da investigação foi num sistema modular de construção, para permitir a tal flexibilidade. “O módulo de ensino poderia ser mais facilmente transformado para outras necessidades. Podia ser um recreio ou ser aberto à população”, exemplifica Nuno Lacerda.
Com isto, rompe-se com a escola tradicional, “apresentada como um bloco imutável, onde cada espaço só serve para uma função”. São “estruturas muito rígidas, que espelham um tipo de ensino e reproduzem a voz do professor. Não são espaços que estimulem a interação”, sublinha.
Passar dos conceitos à prática é, para Nuno Lacerda, “perfeitamente possível”: há estudos “que o comprovam” e o exemplo da escola de Paredes é já uma “aproximação à escola do futuro”, até porque “foi pensada de raiz para a reorganização da rede escolar” do concelho.
No entanto, o arquitecto chama a atenção para algumas condicionantes. “Temos muitas dificuldades por causa de tantos regulamentos e exigências aos projectos”, explica, apontando também o entrave dos “constrangimentos culturais”.