Contestação da Ordem sobre obras na ESAD vai hoje à Assembleia da República
A Ordem dos Arquitectos, promotora de uma petição com 1500 assinaturas entregue na Assembleia da República, vai ser hoje ouvida pela Comissão de Educação e Ciência

Lusa
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A comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República ouve hoje a Ordem dos Arquitectos, que contesta as obras na Escola de Artes e Design (ESAD) de Caldas da Rainha, considerando que põem em risco o edifício premiado.
A obra, segundo o Instituto Politécnico de Leiria (IPL), que tutela a ESAD, está orçada em 2,8 milhões de euros e consiste na requalificação das fachadas exteriores, caixilharias, climatização e iluminação, para resolver problemas de climatização, acústica e higiene e segurança.
“Não faz sentido fazer uma alteração daquelas sem pensar no projecto arquitetónico como um todo”, afirmou à Agência Lusa o arquitecto José Manuel Rodrigues, da direcção da secção regional do Sul da Ordem, que alertou para a importância arquitectónica do edifício, da autoria do arquitecto Vítor Figueiredo, já falecido.
A Ordem dos Arquitectos, promotora de uma petição com 1500 assinaturas entregue na Assembleia da República, vai ser hoje ouvida pela Comissão de Educação e Ciência, a propósito da intervenção prevista pelo IPL no edifício da Escola Superior de Artes e Design, que ganhou o Prémio SECIL de Arquitectura 1998.
“Adulterando a dimensão dos caixilhos e a proporção das janelas e tendo em conta os prémios que ganhou e o trabalho do arquitecto Figueiredo, é a imagem daquele edifício que fica adulterada”, sublinhou.
O arquitecto criticou os responsáveis do IPL, por “não terem a noção de que o século XX já fez património e este edifício ser um marco fundamental na arquitectura portuguesa do século XX”, ao prever uma intervenção directa sem projecto de alteração arquitectónica.
“Se alguém quiser tentar um processo de classificação junto do Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico essa alteração é um ponto a desfavor, porque o edifício vai perder qualidade”, frisou.
José Manuel Rodrigues adiantou que a Ordem propôs já ao IPL acompanhar a realização do caderno de encargos da obra e assumir os custos e os procedimentos para o lançamento de um concurso público, com o objectivo de escolher um arquitecto que seja responsável pela elaboração desse projecto.
“É uma solução em que o IPL sairia servido e o edifício salvaguardado”, disse o arquitecto, acrescentando que, caso o concurso não venha a ser lançado, a Ordem defende como alternativa que os arquitectos que trabalharam no projecto inicial sejam chamados a intervir no projecto de alteração previsto para o imóvel.
A adjudicação da obra sem um acompanhamento de arquitectos foi também contestada pelo conselho científico da ESAD, que enviou uma carta ao IPL, manifestando preocupação.
A mesma posição é defendida na petição, assinada por arquitectos, incluindo o júri do prémio Secil, que integra o arquitecto Siza Vieira.
Além da Ordem dos Arquitectos, a Assembleia da República vai ouvir também o presidente da câmara de Caldas da Rainha e o presidente do IPL, Nuno Vargas, que disse à Lusa que a intervenção vai ter o acompanhamento de arquitectos para salvaguardar as características arquitectónicas do edifício.