Exportações geram crescimento de 10%

Por a 30 de Novembro de 2007

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A Recer cresceu 10% em 2007, sobretudo pelos resultados obtidos no mercado fora de Portugal. Em entrevista ao Construir, Antero Calvo, administrador do grupo Recer, explicou um pouco da estratégia que segue fora de Portugal, com os olhos postos em Angola, para além de lançar várias críticas às associações da sector da construção

Como está a correr financeiramente o ano de 2007 para o grupo Recer?

Temos uma estrutura financeira forte, estável e consistente, e por conseguinte não é sequer uma questão que se coloque. Mas se falarmos do aspecto financeiro de resultados, aí pode haver degradação.

Mas comparativamente ao ano anterior, como está a correr o ano?

Correu ligeiramente melhor, prevemos um crescimento global de 10%, que se deve sobretudo ao crescimento que tivemos, no mercado internacional, na Europa. Todavia, mesmo nesses mercados achamos que existiu um crescimento superior à própria economia. No mercado nacional o crescimento é quase inexistente. No entanto, e das análises que me chegam e que fazemos, temos ganho quota, embora o mercado interno esteja estagnado. Esta é a análise que nos chega.

A nível internacional, quais são os principais mercados da Recer?

Em primeiro lugar a França, e depois a Espanha, a Alemanha, a Inglaterra e a Bélgica. Existem outros, são muitos países, mas estes são os mais importantes.

Qual é a estratégia da Recer para esses mercados? Como funciona esta exportação dos vossos produtos?

A estratégia em termos de vendas, passa por uma acção directa da nossa força de vendas em colaboração com alguns agentes, e ainda suportada em espaços próprios da Recer. Em Espanha e França temos estrutura de apoio comercial, de logística e de marketing. Assim, a Recer consegue colocar-se no mercado através de tipologias de produto de gama elevada e com um design sofisticado e com um valor acrescentado interessante.

Posicionam-se nesses países com produtos de gama elevada?

Como é evidente! Quem em Portugal se quiser posicionar nesses mercados através do preço terá grandes dificuldades, porque há sempre quem queira fazer mais barato. Temos produtos de topo a competir com os melhores italianos e os melhores espanhóis. Com matérias-primas e elaboração com rigor, para mercados exigentes, pois estamos a falar de uma Europa desenvolvida. E foi principalmente nestes sectores que o crescimento da Recer se deu.

Mas quais as maiores dificuldades nesses mercados? O facto de ser um produto português, como tanta vezes se fala em vários sectores?

Em primeiro lugar é a concorrência aguerrida. Os nossos concorrentes são Espanha e Itália, e não ganhámos em relação a eles. No entanto, em relação aos produtos espanhóis, já conseguimos marcar alguns pontos, em relação aos produtos italianos ainda têm um reconhecimento de marcas e de design e qualidade superiores à nossa. No entanto, com alguns anos de muita atenção ao serviço ao cliente e de condições muito atraentes no conjunto global de preço, produto e serviço temos conseguido um reconhecimento ao nível dos italianos, embora possivelmente ainda não temos o reconhecimento devido, mas para lá caminhamos.

Sem ser a Europa, quais os outros mercados internacionais mais importantes?

Sobretudo para a África lusófona, mais precisamente Angola, Cabo Verde e Moçambique. Temos exportações importantes para a Ásia e até mesmo os Estados Unidos. Mas a sobrevalorização do Euro, encarecendo o produto europeu, temos tido uma situação mais completa. Mas temos compensado em mercados asiáticos. Nestes mercados já temos alguma expressão.

Mas existe algum mercado específico que queiram investir em 2008?

Em África destaca-se Angola, e já vendemos alguma coisa para a africa francófona mas sem indíces de crescimento. Mas pensamos que Angola será o mercado que irá crescer mais em África nos próximos anos, e a estratégia passa por trabalhar com os distribuidores locais, e com as especificidades e carências de infra-estruturas logísticas. Luanda necessitará de reforçar a dimensão das suas estruturas portuárias, e o mercado irá desenvolver-se para o interior. E o consumidor angolano é exigente. Não somos uma empresa que considera África como um local para vender produtos desvalorizados e desqualificados. Primeiro não existem desses produtos, residuais, e depois por uma questão de estratégia.

Existem produtos específicos, elaborados para esses mercados?

Não, não existem. Existem produtos específicos para projectos. Aí sim a Recer é extremamente flexível. E atendemos pedidos de projectistas e arquitectos para exclusivos em várias obras.

E existe algum projecto que gostaria de destacar?

Temos algumas obras de vulto no Médio Oriente, e de grande prestígio. Mas como estamos virados para o mercado da reabilitação, habitação, do conforto, não temos grandes obras que assinalar, mas mais de unidades hoteleiras, e menos para grandes áreas comerciais. Temos sim uma grande lista de destaque internacional sobretudo em grandes hotéis de luxo com decoradores de renome que optaram pela Recer. Também em Portugal temos um grande mercado e somos reconhecidos por isso.

E como tem sido o comportamento da Recer, especificamente, em Espanha, sobretudo quando existe um estigma das empresas portuguesas no país vizinho?

Nós passámos por cima de Espanha, e fomos primeiro para França. Espanha é um grande produtor de gamas extremamente concorrenciais, claro que também existe bom produto em Espanha, mas é sobretudo um produtor de gamas baixas. No entanto, nos últimos anos, temos um centro de produção em Espanha, e somos tratados em termos de logística como uma empresa espanhola. Além disso, temos algum tipo de produtos, como os revestimentos exteriores de fachada, e estamos a falar de obras de grande dimensão. Não comungo nada do que se diz que os espanhóis criam grandes dificuldades aos portugueses. Há que trabalhar em Espanha como um espanhol.

Em relação ao mercado nacional, como tem sido o comportamento da empresa em 2007?

Temos ganho quota de mercado à concorrência, num momento em que o mercado está estagnado

Mas qual a razão que atribui a esse estagnamento, a crise está no mercado há demasiado tempo…

Penso que sobretudo o Estado devia ter uma intervenção para desenvolver o mercado. A reabilitação dos centros urbanos, por exemplo, que é algo muito necessário e tem benefícios claros para o país.

Se é tão óbvio porque não se faz?

Mexe com os eleitores…deviam-se criar condições em termos de legislação para as parcerias público-privadas, e o poder político tem fugido às responsabilidades, falta uma visão estratégica.

E como se têm portado as associações do sector da construção?

As associações do sector tem-se portado mal. Pois dependem de apoios estatais. Os dirigentes associativos não desempenham os objectivos pretendidos, por vezes não são autónomos o suficiente. Aliás, o problema é geral porque que a visão dos portugueses em termos associativos e sindicais é muito fraca.

Soluções para solucionar este problema?

Fazer com que os mandatos sejam curtos e renovados mais vezes, para não se deixar enraizar ninguém dentro das associações

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