Junqueira promove edifício em Belém

Por a 19 de Outubro de 2007

Em Belém foi recuperado mais um edifício histórico para dar lugar a habitação de luxo.A reabilitação é da autoria do arquitecto

António Nunes da Silva que manteve as fachadas e o espírito do lugar

Promovido pelo Barclays Bank, através do "Junqueira – Fundo de Investimento Imobiliário Fechado" (FIIF), o empreendimento Palácio da Junqueira está a ser comercializado pela Consultan e recebeu um investimento de 20 milhões de euros. Este condomínio privado tem uma localização privilegiada pela sua proximidade ao rio Tejo e pela proximidade de Belém.

O fundo foi criado em 2005 e assumiu-se como "um meio de criar valor através da reabilitação, requalificação e valorização do património arquitectónico de Lisboa". Recorrendo à sociedade gestora Norfin, o FIIF avançou com este projecto, tendo em conta a identidade do espaço já existente e a sua harmonia com os edifícios envolventes.

Construído por José de Saldanha no início do século XVIII, é um local histórico, foi ponto de reunião da nobreza e habitação de rainhas e aristocracia. A sua recuperação e reabilitação resultou em 25 residências com tipologias compreendidas entre os T2 e os T5 Duplex, as suas áreas variam entre os 181 e os 483 metros quadrados e os preços oscilam entre os 650 mil e os 2,1 milhões de euros. Os promotores realçam a intenção de manter todo o "esplendor" deste palácio, preservando o "‘glamour' de outros tempos", de forma a tornar-se num local que permite viver o centro de Lisboa. Os promotores afirmam oferecer um empreendimento de alto padrão de qualidade de construção de forma a proporcionar um estilo de vida requintado aos seus proprietários. Responsável pelo projecto dos jardins comuns e privativos, Caldeira Cabral procurou um traçado contemporâneo que respeita as referências culturais e arquitectónicas da construção, conferindo privacidade aos espaços verdes.

Arquitectura e Concepção

Os 25 apartamentos estão distribuídos por quatro edifícios de pequena volumetria da autoria de António Nunes da Silva que no seu projecto atribuiu a algumas das residências miradouros, jardins privativos, mezzanines, pés direitos superiores a cinco metros e paredes nobres com mais de 90 centímetros de espessura. Todos os imóveis têm zona de arrecadação, entre dois a quatro lugares de estacionamento e ar condicionado.

O Palácio da Junqueira localiza-se no Sítio da Junqueira, no gaveto da Rua 1º de Maio com a Calçada de Santo Amaro e apresenta uma planta em forma de "U". Em termos de principios arquitectónicos, interpretou-se a nova concepção do palácio de forma a manter as características principais que dominam presentemente este conjunto, no entanto, tendo em consideração o local onde está inserido. O edifício apresenta uma arquitectura discreta, simples tendo apenas duas fachadas mais elaboradas, mantendo uma sobriedade de fachadas que faz a transição para as construções consequentes.

Recuperação das fachadas

Para a reabilitação do edifício propôs-se a recuperação integral das fachadas do palácio sem alterações a não ser no alçado norte correspondente a áreas de serviço, onde foram construídas ao longo dos anos, varandas de ferro, anexos, telheiros e acrescentos. Estes apêndices foram eliminados, abrindo-se novos vãos semelhantes aos existentes, de forma a adaptarem-se à nova reconfiguração interior. Dada a falta de interesse da generalidade do edifício e o mau estado de conservação, a proposta para o interior foi a reformulação ao nível das lajes de piso e a sua divisão interior mantendo-se todos os vãos, pé-direito, portadas em madeira, escadas e balaustrada, arco da entrada em pedra, clarabóia das escadas, moldes de sancas de interesse e todos os pormenores construtivos que justificassem a sua recuperação e restauro. A intenção foi criar o mesmo ambiente da construção passada mas adaptando-a às necessidades actuais. Para tal, as instalações técnicas foram actualizadas e foram mantidos o pé-direito elevado, os vãos altos, a iluminação natural e as divisões de grandes dimensões com acabamentos actualizados. Surgindo como uma evocação ao passado, a arquitectura do Palácio da Junqueira resultou em "vinte e cinco apartamentos contemporâneos e personalizados", com fachadas "em tons de vermelho, branco e rosa", lê-se na memória descritiva. O empreendimento obedece a uma estrutura arquitectónica que valoriza o espaço, a luz e a funcionalidade sem prescindir dos critérios estéticos, explicam os promotores, sublinhando que todos os apartamentos têm elevados padrões de conforto proporcionados pela eficiência energética e pelo isolamento acústico e utiliza materiais como a pedra lioz nas varandas e cantarias e telha de canudo de cor natural, respeitando os materiais originais. O jardim é sobrelevado com fachada recuada, formando um espaço aberto na já referida forma de U, uma das características que os promotores quiseram manter. O projecto de reabilitação do empreendimento e do espaço envolvente caracteriza-se ainda pelos "avanços e recuos das fachadas, os pórticos e ‘túneis'", mantendo jogos de claro/escuro provocados pela sombra que as fachadas avançadas provocam nas recuadas e "a proporção dos vãos e a sua disposição ritmada nas fachadas assim como a sobriedade das formas em duas e três dimensões".

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