Escritórios retomam força no mercado

Por a 19 de Outubro de 2007

A empresa tem uma presença forte na Europa e em Portugal destaca-se no imobiliário de escritórios. Organicamente ou por aquisição, a consultora tem crescido e vai continuar a crescer.Qual foi o contributo da CB Richard Ellis (CBRE) Portugal para o crescimento de 40% da empresa registado na Europa, no primeiro semestre de 2007?

No geral, a empresa tem crescido bastante na Europa e em Portugal também. Nos últimos anos temos crescido não só organicamente mas também por aquisição. Entrámos no mercado de habitação onde ainda temos uma presença sem peso relevante na facturação. Mas temos feito muitos negócios de promoção imobiliária, ou seja, venda de terrenos e actuações relativas à venda de terrenos que têm sido bastante interessantes. Estamos muito activos também, e recentemente, no mercado turístico, na venda de imóveis turísticos. Estes são os crescimentos orgânicos. Por aquisição, temos uma presença no Porto que não tínhamos antes, porque adquirimos a Predibisa. Também na área do turismo, mas mais dedicada à consultoria, temos uma presença por aquisição já que adquirimos parte do capital da Neoturis, que se deve converter na aquisição da totalidade do capital até ao final do ano de 2008. Temos outras aquisições em mente que podem acontecer mas que enquanto não acontecerem não são assunto a mencionar. Aquisições em mente serão de alguma forma aquisições que nós consideramos complementares ao nosso negócio.

Serão em novas áreas?

Sim, não pretendemos adquirir nenhum dos nossos concorrentes que fazem a mesma coisa que nós, mas sim alguma empresa que consideramos trazer alguma complementaridade à nossa actividade. É por aí que estamos atentos e a considerar. Nas áreas em que actuamos também temos crescido, contratando mais pessoas e estamos mais activos na área de gestão de centros comerciais, uma área que crescemos bastante num passado recente. Em termos de facturação, a nossa empresa terá crescido bastante a este nível, hoje em termos de grupo andaremos na casa dos oito milhões de euros e caminhamos para os dez. Este é um objectivo que queremos atingir no próximo ano e por isso o crescimento em Portugal também é acentuado assim como no resto da Europa. No entanto, não pretendemos colaborar substancialmente para o crescimento da empresa na Europa porque infelizmente a nossa realidade é que o mercado português representa 1 a 2% do mercado europeu, não mais que isso. A progressão existe, não é por nós crescermos ou deixarmos de crescer que esta empresa cresce ou deixa de crescer porque esta empresa é mega e tem uma presença importante em todos os mercados.

Fazendo um balanço do ano que está a decorrer, existe alguma tendência diferente dos outros anos ou alguma nova área que está a ganhar força, como por exemplo o turismo residencial de luxo? É este o futuro?

Não acho que haja diferenças substanciais. O mercado continua a ser caracterizado em geral por excesso de dinheiro disponível para investir em imobiliário, com uma pressão da procura sobre a oferta, especialmente de dinheiro que procura imobiliário sem risco, logo procura investimento institucional. Da parte dos ocupantes, quem paga renda, o mercado tem tido algumas melhoras, por exemplo o mercado de escritórios que é de alguma forma indicativo do que se passa no sector, há algumas melhorias, o mercado corre melhor, há mais procura, as empresas estão um bocado mais animadas e em geral há perspectivas de crescimento. Por outro lado, há outros factores que influenciam o mercado imobiliário, por exemplo o crescimento das taxas de juro, o que aparentemente poderia ter tido um efeito nocivo e que até agora não teve.

Realmente quando falamos do mercado imobiliário falamos de uma panóplia de muitas coisas distintas e, por exemplo começamos a ver agora a realidade do mercado de habitação e de apartamentos turísticos em Espanha a sofrer nitidamente, o que não sendo de esperar outra coisa. Ao longo de anos os preços multiplicaram cinco vezes e se descerem para metade ainda ficam duas vezes acima do que estava há uns anos atrás, logo são mercados com grande volatilidade. Não é o caso de Portugal, onde a volatilidade é baixa e os preços variam pouco. Realmente em Portugal estamos todos a acordar para aquilo que é a indústria em que podemos realmente fazer alguma coisa de jeito na Europa, que é a indústria do turismo, em geral e também do turismo residencial. Esse é um mercado em que há muito ou tudo por fazer em Portugal e portanto acreditamos que é um mercado interessante. Fala-se mais desse mercado, o que não significa que os outros tenham deixado de existir ou diminuído na sua importância ou na sua existência, os outros continuam a existir, já existiam antes, esta é mais uma novidade.

Mercados e investimentos

Disse que o mercado de habitação estava ainda por explorar. A CBRE pretende explorar essa área?

Sim. Nós temos alguma actividade no mercado de habitação e estamos a crescer, especificamente estamos a crescer no mercado de habitação relativa ao turismo. No mercado de habitação também há fenómenos muito distintos, nós não pretendemos competir com o fenómeno das cadeias que vendem tudo e mais alguma coisa em todo o lado e que vendem muito através da Internet e de lojas. Nós pretendemos estar no mercado de outra forma e provavelmente virados para outro tipo de área e acompanhar alguns promotores na área de reabilitação urbana e de produto de qualidade. E nesse mercado temos vingado e temos conseguido trabalhar produtos muito interessantes e de grande qualidade com sucesso. É uma área onde poderemos progredir não só organicamente mas também por aquisição, seria natural.

E no mercado de escritórios?

No mercado de escritórios consideramos que temos uma posição no mercado bastante dominante. Continuamos a crescer organicamente mas temos uma quota de mercado substancial, é difícil dizer qual é a quota de mercado de cada um, ninguém o saberá, mas achamos ter uma quota de mercado substancial muito provavelmente na casa dos 20/25%. Por isso também não nos parece que a nossa quota de mercado possa aumentar substancialmente, pode sempre aumentar um bocado e queremos acompanhar o mercado na medida em que o mercado volta a crescer. É uma área onde temos uma presença importante, sempre tivemos e pretendemos continuar a ter. Neste momento, os promotores imobiliários começam a despertar para voltar a fazer promoção de escritórios, voltar a construir novos edifícios de escritórios e nós queremos estar também aí. Posicionados para lhes vender terrenos para construir escritórios e como sempre para depois alienar junto de investidores institucionais esses edifícios. Há todo um ciclo que nós acompanhamos que passa pelo terreno, passa pelo inquilino, passa pelo investidor final. É um mercado forte, onde nós somos muito fortes e pretendemos continuar a sê-lo.

Porque é que o mercado de escritórios voltou a crescer?

Neste mercado temos que tentar olhar para duas vertentes, a vertente dos ocupantes que pagam renda e a vertente dos investidores que põem dinheiro no mercado.

Em tom humorístico costumamos dizer que precisamos de três coisas: prédios, inquilinos e investidores. Infelizmente normalmente estas três coisas não estão lá ao mesmo tempo. Às vezes há prédios e inquilinos e não há investidores, às vezes há inquilinos e investidores e não há prédios, às vezes há investidores, prédios e não há inquilinos. Esta tem sido a realidade dos últimos tempos. Tem havido prédios, tem havido investidores e tem havido poucos inquilinos e todos eles são necessários para que este seja um mercado que funcione bem. O mercado de escritórios é de longe o mercado com maior investimento na Europa, mais de 60% do investimento institucional é em escritórios, o que é natural, é um mercado tradicional que vai continuar a ser forte. Começamos a sentir alguma alegria da parte das empresas e logo a ocupação das empresas funciona bem, está a funcionar melhor. O que tem acontecido é que se tem produzido menos do que se tem absorvido e por isso a diferença entre a oferta e a procura começa a estar atenuada e portanto os investidores imobiliários começam a sentir que há mais margem para recomeçar a produzir escritórios.

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