Lisboa recebe habitação de luxo

Por a 21 de Setembro de 2007

Apresentando uma filosofia assente em padrões de excelência e na inovação, a gestora do fundo revelou alguns promenores ao nosso jornalEnquanto promotores foram muito elogiados durante a apresentação do projecto Jade na Trienal de Arquitectura de Lisboa. Visto que não é usual as promotoras serem tão elogiadas, porque acha que isto aconteceu?

Falo pelas pessoas que elogiaram, porque é que eles o dizem. Dizem que não é normal os promotores exigirem sempre o melhor. Segundo eles, pedem para fazer coisas bonitas mas para poupar, e nós fazemos o contrário. Nós queremos melhor e melhor, portanto não olhamos aos custos, queremos é a qualidade máxima porque quando se fala de habitação de luxo tem que se dar efectivamente o melhor. Mas em tudo! Os verdes têm que ser as melhores árvores, têm que vir grandes, viçosas. Um dos elogios veio da Proap, de um dos técnicos da Proap, autor do projecto dos verdes e eles não fazem só os verdes, fazem toda a envolvente, desde as piscinas (estou a falar dos Jardins de São Lourenço), desde aquele imenso passeio pedonal, nós exigimos os melhores bancos, nós exigimos as melhores luzes, os melhores candeeiros. E eles dizem que não estão habituados a um promotor que peça essas coisas, que pedem sempre bom, mas pedem para ratar um bocadinho nos preços, o que não é a nossa filosofia.

Qual é então a vossa filosofia?
O meu conceito, enquanto procuradora e gestora do fundo Imolux, antes era jornalista, não tinha nada a ver com esta área, já aí eu também era muito exigente e aqui também sou. E acho que é assim, só se deixa uma marca, só se faz um nome, as pessoas só acreditam num produto de sucesso se ele for realmente bom. Porque os portugueses não são mais estúpidos, os portugueses sabem o que é que querem, exigem qualidade e sabem.

E o resultado é uma grande procura?
É. Graças a Deus, temos grande parte dos Jardins de São Lourenço vendidos, temos outro projecto na Areia Branca que também está a correr muito bem, um projecto diferente deste mas também com grande qualidade, e isso traduz-se em vendas e as pessoas falam muito. É uma venda muito directa, muito boca a boca, quem compra aqui traz sempre um ou dois amigos para comprar também, o que é muito bom e torna as coisas muito fáceis. Quando o cliente chega já tem todas as referências, quase não é preciso falar, eu começo a falar e as pessoas dizem que não é preciso, "nós já sabemos que a qualidade é boa", e isto é uma mais-valia.

Já arrancou a comercialização do Jade?
O Jade ainda não iniciou a comercialização porque estamos à espera que a licença saia. Ela já estava numa fase final quando a Câmara caiu, agora o novo Executivo tomou posse, ainda não há equipas formadas, estamos à espera que as equipas se formem e que o projecto avance. Logo que tenha a licença começo a vender, já tenho 46 pessoas em lista de espera, à espera que venha a licença.

Para comprar?
Sim, sim. Telefonam e perguntam porque não aceito fazer uma reserva, mas não é a minha filosofia nem do fundo Imolux, reservar antes de tempo.

A seguir ao Jade, o que virá?
Estamos com estes dois grandes projectos, que são o Jade e os Jardins de São Lourenço. Neste momento estamos a fazer estes dois, mas pensamos fazer outros no futuro, de momento não.

Procuram investir no centro de Lisboa?
Procuramos, e até no estrangeiro. Mas neste momento queremos acabar bem e fazer bem estes dois projectos.

Vão continuar a querer renovar o centro da cidade, ao contrário de muitos projectos que fogem para o litoral?
O fundo Imolux é recente, tem cerca de dois anos. Foi constituído para estes projectos e um na Areia Branca. É uma empresa nova, portanto, a filosofia é a habitação de luxo e é isso que nós estamos a fazer. Se aparecer um bom terreno ou um bom projecto iremos pegar nele, mas sempre no centro de Lisboa, não queremos pegar noutras áreas.

É importante para este fundo ter o nome de um arquitecto associado aos empreendimentos?
Muito. Neste caso o arquitecto Gonçalo Byrne, nos Jardins de São Lourenço, a arquitecta Sónia Picolo e o arquitecto Nuno de Sousa.

Gonçalo Byrne é então uma grande mais-valia para o projecto?
É sim. É um génio em todos os aspectos. Pelo projecto que fez, pela divisão interna que é inédita. E depois não é só isso, é a simpatia dele, é o entusiasmo, é uma equipa que ele tem agregada no GB Arquitectos que eu nunca vi, eles adoram o arquitecto Gonçalo Byrne, trabalham todos tão unidos e isso é tão importante, que depois surgem estas coisas. Ele tem a trabalhar para o Jade, 35 arquitectos, e todos tão unidos à ideia e à filosofia do arquitecto Byrne, e todos tão empenhados… É toda uma equipa super motivada e com um orgulho tão grande de trabalhar com ele, que é muito bonito de ver.

O mesmo acontece na Proap, a outra empresa com quem trabalhamos e que achei muito interessante, pois abrimos um concurso para o Jade e concorreram cerca de 14 pessoas. Ganhou o arquitecto Gonçalo Byrne e no seu projecto já vinha descriminado que na parte dos verdes iria trabalhar só com a Proap, e eu achei imensa graça porque também pretendíamos esta empresa. Este é outro gabinete com umas ideias, com um grupo de jovens que saem das faculdades cheios de energia e que fazem coisas fantásticas e é giro ver isso em Portugal onde as pessoas estão sempre muito acomodadas.

A Imolux também foi vista com entusiasmo por parte da autarquia?
Sim, sim. A parte da Câmara, com quem eu faço os contactos. Há lá muita gente boa. É uma casa com muita burocracia, é uma máquina muito pesada, com os serviços todos muito dispersos mas há lá gente muito boa e competente e tenho sido muito bem tratada pela Câmara.

Acha que a crise do imobiliário na Europa vai afectar o fundo Imolux?
Não, acho que não. Tenho falado com algumas pessoas que até acreditam que os preços vão subir na habitação em Portugal.

O cidadão comum não tem acesso a este tipo de construção a 8 mil euros por metro quadrado.

É sempre um investimento, desde que seja uma construção boa, com áreas generosas é sempre um bom investimento.

O imobiliário de luxo tem sempre saída?
Tem sim.

E como surgiu o fundo Imolux?
É um fundo de investimento imobiliário fechado, com uma sociedade gestora. A Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) obriga a que todos os fundos tenham uma sociedade gestora e nós escolhemos o Millenium BCP que é o maior banco privado português. O que é sempre muito bom para os clientes que têm como garantia que por trás do fundo Imolux está o maior banco português. É um fundo fechado com investidores nacionais, internacionais e grandes instituições.

Acha que no ramo imobiliário, Portugal tem hipótese de se colocar ao lado dos outros países?
De marcar a diferença? Eu acho que sim, acho que já se começa a fazer muita construção boa, mas acho que ainda há muito por fazer. É muito fácil dizer e escrever habitação de luxo, eu não gosto de dizer mal de nada nem de ninguém porque acho que toda a gente tenta dar o seu melhor, mas como estou no ramo e tenho curiosidade e gosto de acompanhar o que se está a fazer, então vou ver. Dizem que é de luxo e depois chego e tenho uma grande surpresa, aquilo para mim não é luxo, e é vendido a preços de luxo e algumas pessoas compram. De facto, o que noto é que está a haver uma mudança de mentalidades, as pessoas começam a apostar no nome do arquitecto, que antigamente era um arquitecto de vão de escada que fazia, vejo as pessoas a terem preocupação com os materiais, que escolhem, mas são muito poucos, acho que ainda são muito poucos.

Aqui tem acontecido uma coisa interessante, que eu não fazia a mínima ideia que se passasse assim. Por exemplo, como nós temos casas muito grandes, isto em relação às casas nos Jardins de São Lourenço, – não falo no Jade porque ainda não está à venda-, temos casas de 647,10 metros quadrados, outras com 558,80 metros quadrados, 478,60 metros quadrados, 470 metros quadrados, estou a falar das maiores, portanto são um grande investimento. Então como é feita a compra? É interessante porque, sem saber ainda quem é o cliente, aparecem dois ou três arquitectos acompanhados por dois engenheiros e querem saber aquilo que eu pensava que era a mais-valia, qual o revestimento, qual é a caixilharia, qual é o isolamento, qual é a espessura do tijolo e qual o tijolo que é utilizado. A informação é toda passada por um crivo, em que eu tenho engenheiros que explicam isso, querem saber tudo, e fazem como que um BI completo ou uma radiografia de toda a estrutura da obra, que no início me surpreendia. Passado aquele crivo, há um dos responsáveis que diz quem é o cliente, e só depois aparece o cliente que vai ver os acabamentos.

Outro indicativo que eu considero importante, é que os donos de quatro das grandes construtoras em Portugal, de quem não vou referir o nome, compraram casa aqui, eles constroem em Lisboa e não compraram, compraram aqui.

É também a Edifer que vai a construir o Jade?
Ainda não lançámos concurso, assim que sair a licença lançamos.

Para quando está prevista a conclusão do empreendimento dos Jardins de São Lourenço?
30 de Abril de 2008.

Já está todo vendido?
Está quase.

A excelência é um caminho a seguir?
Só fazemos isso, e a ideia é sempre evoluir. Se os Jardins de São Lourenço têm esta qualidade e são já uma referência no mercado nacional, o Jade vai ser superior e os futuros projectos serão melhores.

Estão sempre a par com as novidades?
Sim. Mas é preciso procurá-las, porque elas existem. Muitas não são portuguesas, temos que procurar o que se está a fazer lá fora. Todos os engenheiros andam sempre à procura das melhores novidades, do que melhor se está a fazer.

O Imolux não está associado a nenhuma das grandes promotoras imobiliárias?
Não, no fundo acaba por ser tudo muito boca a boca. Temos algumas imobiliárias que nos dizem ter clientes interessados e obviamente aí ganham a sua comissão, mas são muito poucos.

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