Habitar ecológico

Por a 11 de Agosto de 2007

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Ana Rita Sevilha
Numa altura em que os problemas inerentes à sustentabilidade e à eficiência energética estão na ordem do dia, e que já é do conhecimento geral que os edifícios estão entre as principais causas de desperdício energético, é urgente mudar a atitude, a maneira de pensar e consequentemente o modo de projectar. Cada vez é mais recorrente o aparecimento de soluções que tentam unir o design, a arquitectura e uma reduzida pegada ecológica, de forma a dar resposta a esta necessidade que a cada dia se torna mais imprescindível. Tendo estas preocupações, entre outras, em mente, a agência municipal Cascais Natura juntou-se ao Atelier Barbini e Silva, "num exercício conceptual em busca de uma habitação de pegada ecológica mínima". O resultado foi a "Eco-cabana", um conceito que já foi distinguido com o prémio "Ideias Verdes Água de Luso – Expresso 2007", e que de acordo com um dos seus coordenadores, João Cardoso Melo, "surge da necessidade de disponibilizar um equipamento de apoio ou de alojamento em áreas que exijam uma intervenção mínima e um impacto ambiental reduzido", sublinhando que, nesse sentido "podem ser implantadas em qualquer sítio" que se enquadre nestes parâmetros.

Experiência pedagógica
Uma vez que é necessário uma mudança ao nível do comportamento do consumo energético doméstico, as "Eco-cabanas" pretendem ser "uma experiência pedagógica de habitação", revela a memória descritiva do projecto. Com 62 metros quadrados de área, o volume toma a forma de uma construção suspensa, evitando assim a impermeabilização dos solos, que ganha corpo recorrendo ao uso de materiais reciclados e/ou recicláveis, tais como a cortiça e madeiras provenientes de floresta certificada. Autónoma do ponto de vista energético, a "Eco-cabana" foi pensada como um volume adaptável a diferentes sítios, logo, para cada local de implantação "serão tidas em conta as estratégias bio-climáticas, de forma a optimizar a eficácia energética". Entre as soluções adaptáveis encontram-se os painéis fotovoltáicos, o aquecimento por meio de recuperadores de calor alimentados a biomassa, ventilação natural, o recurso a biodiesel, mini-hídricas e mini-eólicas, aproveitamento de águas e sua condução por gravidade, uma mini-ETAR, utilização de LED's e de tratamento de saneamento por fitolagunagem, entre outras.
Design inovador
Embora com alguma influência dos tradicionais abrigos de montanha e construções similares, a "Eco-cabana" apresenta um design inovador, associando materiais tradicionais a novas tecnologias na obtenção de uma estrutura leve, que por sua vez toma a forma de um objecto modular que permite "a conjugação de vários edifícios em edifícios maiores", revela a memória descritiva do projecto. Em declarações à agência Lusa, João Cardoso Melo, da Cascais Natura, referiu que as "Eco-cabanas" serão de estilo rústico e "despidas de luxos", apresentando contudo um "design" e um "software" de controlo inovadores. Uma das características desta habitação ecológica é a existência de um sistema de créditos que obriga a uma gestão de consumos energéticos. O sistema consiste num dispositivo electrónico através do qual o utilizador acompanha diariamente os consumos de água e energia, "uma má gestão agravará o custo da utilização da Eco-cabana, uma boa utilização permitirá conservar créditos no cartão que permitam usufruir futuramente do mesmo espaço". Cascais será o primeiro concelho português a receber, em Outubro, estas infra-estruturas sustentáveis, que vão "obrigar a reflectir sobre as fontes de energia e as suas limitações", sublinha João Cardoso Melo. n

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