Mergulhar nos “Vazios Urbanos”

Por a 9 de Fevereiro de 2007

Com vista ao estudo das zonas degradadas e abandonadas da urbe, a Trienal de Arquitectura de Lisboa, que se realiza entre 31 de Maio e 31 de Julho terá como pano de fundo os “Vazios Urbanos”

Os “Vazios Urbanos” serão o tema da Trienal Internacional de Arquitectura de Lisboa 2007. A realizar entre 31 de Maio e 31 de Julho, esta iniciativa da Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Sul, pretende constituir-se como um “festival” de arquitectura com capacidade para, não só atrair um público internacional, como também para “mobilizar a população” e promover a arquitectura nacionais. Para tal, contará com a presença de várias figuras internacionais, das quais se destaca Zaha Hadid, que participará na quarta sessão da conferência “O Coração da Cidade”, que aborda o tema “fluxo e permanência”.

Orçada em cerca de 1,5 milhões de euros, a Trienal terá sede no Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações, mas estará também presente nos pólos da Cordoaria Nacional, Fundação EDP (Culturgest e Fundação Calouste Gulbenkian) e Cascais. É Ricardo Bak Gordon quem executa o projecto expositivo no edifício que albergará as exposições “Portugal”, “Países”, “Paisagem”, “Arquitectos Convidados” e “Universidades”. A inspiração do arquitecto advém do trabalho do artista francês Yves Klein “Azul Absoluto”. Está confirmada a participação de nove países, de quatro dos cinco arquitectos convidados e de 14 universidades na exposição de arquitectura de Lisboa.

Na Cordoaria Nacional, pólo dois da Trienal, estarão patentes as exposições “AMPXXI/AMLXXI “ (sobre as áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa, respectivamente) e Promotores e Produtores, enquanto a Fundação EDP/Central Tejo, a Culturgest e o Auditório dois da Fundação Calouste Gulbenkian constituirão o pólo três, que receberá o Ciclo “Arquitectura e Música”. O quarto pólo situar-se-á em Cascais, onde figurará a exposição “Cascais XXI”.

O tema e os eventos

Nesta primeira edição, focar-se-ão os “Vazios Urbanos”: “fenómenos de rarefacção ou de ruptura urbana gerados por processos de decadência e degradação física e social de áreas das cidades”. Espaços com características de abandono, indefinidos nas periferias, “manchas de não-cidade” caídas em desuso e alheias a quaisquer sistemas estruturantes do território, causando, desta forma, um impacto negativo referente ao ordenamento global do território. Não serão apenas abordados os “Vazios Urbanos” lisboetas, uma vez que as exposições “Países” e “Arquitectos Convidados”, da responsabilidade de participantes estrangeiros, também terão esse tema como mote.

O início da exposição será assinalado pela Conferência Internacional de Arquitectura, a acontecer no Teatro Camões, de 31 de Maio a 2 de Junho. Este evento terá a participação de 25 convidados das áreas da arquitectura, artes, filosofia e história. Intitulada “O Coração da Cidade”, a conferência procura debater a problemática em redor da permanente evolução da definição da cidade contemporânea. Eduardo Souto Moura e Zaha Hadid fazem parte do lote dos nomes cuja acção marcará este acontecimento. A arquitecta originária de Bagdade irá ser uma das figuras, a par com Francisco Mangado e Françoise Choay, do debate “Fluxo e Permanência”, moderado por Nuno Grande.

Promovido pela Trienal e também abrangido pelo tema “Vazios Urbanos”, o concurso de ideias “Intervenções na Cidade” dirige-se tanto aos arquitectos como aos restantes cidadãos e convida os participantes a apresentarem propostas para Lisboa. Os projectos seleccionados serão expostos durante o decorrer da exposição, pelo que se prevê a instalação de painéis outdoor para o efeito, visando provocar o debate sobre a requalificação do local em questão.

Também integradas no programa do evento, as Extensões consistem em iniciativas de carácter cultural promovidas por entidades exteriores à Trienal. Estas exposições visam cruzar a arquitectura com as outras artes: cinema, teatro, artes plásticas, literatura e música. São elas a Exposição Polis, no Pavilhão de Portugal, Territórios de Transição#1_Espaço, Lugar e Paisagem, a acontecer na Galeria Luís Serpa e o Ciclo de Arquitectura e Música, na Fundação EDP/Central Tejo, Culturgest e no Auditório dois da Fundação Calouste Gulbenkian, com participação do músico Mário Laginha.

A importância da Europa

Ao lado do Pavilhão de Portugal, da autoria de Siza Vieira, situa-se o Pavilhão Atlântico, sede da Presidência Portuguesa da União Europeia que terá lugar no segundo semestre do ano, coincidindo, portanto, com o decorrer da Trienal. Estão previstas algumas sinergias entre ambas organizações, como, por exemplo, o evento Europa – Arquitectura Portuguesa em Emissão (dividido em duas temáticas: Eurovisão, que consiste na arquitectura nacional das décadas de 50 a 80, e Euronews, que situa a arquitectura portuguesa entre 1986, a entrada do país na CEE, e 2006, “os primeiros sinais de crise de identidade europeia”), o cerne da exposição “Portugal”. A acreditação dos jornalistas que acompanhem a Presidência do Conselho Europeu será feita no pavilhão onde decorre a Trienal. Desta forma ser-lhes-á fornecido um press kit referente à exposição de arquitectura, parte do Programa Cultural da Presidência Portuguesa da União Europeia.

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