Santarém recebe edifício com ritmo

Por a 15 de Dezembro de 2006

A erigir no centro da cidade ribatejana, o conjunto projectado pelo atelier Arqwork caracteriza-se pelos alçados dinâmicos que pretendem proporcionar uma riqueza visual ao conjunto, bem como em toda a zona envolvente degradada

A construir em Santarém, mais concretamente no Largo de São Lázaro, o edifício de habitação e comércio, da autoria do atelier Arqwork, enquadra-se no Plano de Pormenor (PP) que está actualmente em desenvolvimento pela Câmara Municipal de Santarém. Segundo a memória descritiva da proposta, o objectivo do projecto é o de criar um edifício de habitação que proponha uma nova imagem para o centro da cidade, ao mesmo tempo que requalifica uma área que se encontra degradada mas que é de grande importância urbana. Como explicaram os autores da proposta ao Construir, «o facto de o projecto se localizar a meio de um conjunto contínuo de edifícios não deixa margem de manobra para podermos integrar o edifício no existente pelo que se definiu muito cedo qual a opção a tomar. A envolvente será totalmente remodelada com a introdução de edifícios novos, pelo que a nossa preocupação principal é com os objectivos traçados para a zona, e não tanto com as construções degradadas existentes».

Alçados dinâmicos

Contemplando cinco pisos acima do solo, em que o piso térreo é para comércio, o volume projectado pelo Arqwork, caracteriza-se por um conjunto de planos, que compõem os alçados, e que visam «proporcionar uma riqueza visual ao conjunto», e consequentemente uma valorização da zona em que se insere, revela a memória descritiva. «Os alçados, enquanto integrantes do edifício, pretendem valorizar a zona através da criação de condições de vivência orientadas para uma população mais jovem. Sendo esta a primeira intervenção na zona, será também como um ponto de referência para as intervenções futuras, bem como um marco na regeneração de toda uma zona bastante degradada e carenciada de valorização», explicam os autores da proposta, sublinhando que, apesar de os planos que compõem a fachada serem estáticos, os mesmos «funcionam como elementos de sombreamento no alçado sul, originando um espaço de varanda entre o exterior e o interior, e são decorativos no alçado norte onde o edifício procura tirar o máximo de partido da luminosidade disponível». Para além da dinâmica introduzida pelos painéis, formados por uma estrutura em alumínio com painéis de resina fenólita revestida a folha de madeira natural, foi ainda introduzida uma marcação horizontal «através do prolongamento das lajes de piso para o exterior, de forma a deixar referências para os próximos edifícios que venham a surgir no local», explica o documento da proposta.

Sustentabilidade

Com uma área de implantação de 403 metros quadrados, o maior desafio para a equipa projectista foi o de «desenvolver um edifício para uma zona onde de momento apenas existem construções degradadas e onde a Câmara propõe criar uma zona com grande qualidade. Assim o edifício existirá sozinho durante um período de tempo indeterminado, ou seja, não terá envolvente construída o que dificulta a sua integração no plano camarário que ainda está por construir, apesar da maleabilidade que lhe tentámos incutir». Relativamente às questões de sustentabilidade, o desenvolvimento deste projecto, «teve como em todos os outros, atenção às questões de poupança energética», explicam os autores do projecto. Segundo os mesmos, a preferência «vai sempre para sistemas passivos em que se aproveita ao máximo o que o local nos proporciona. Neste projecto específico foram considerados os seguintes aspectos: tirar partido da orientação para assegurar o máximo de ganhos solares no Inverno e proporcionar sombreamento no Verão, dimensionar os vãos de acordo com a sua orientação, escolher materiais tendo em vista a sua energia incorporada, origem, durabilidade e posterior reciclagem, isolar pelo exterior minimizando as pontes térmicas». Relativamente ao interior do conjunto, as questões de sustentabilidade passam pela «utilização de sistemas de poupança de energia como sejam sensores de movimento nas áreas comuns do edifício, elevadores de baixo consumo, entre outros». No entanto, os mesmos sublinham que, gostariam de «ir um pouco mais além integrando um sistema de micro geração eólica para fornecer energia ao edifício, nomeadamente às partes comuns e eventualmente à rede eléctrica».

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