Ateliê à Lupa – e-studio

Por a 15 de Dezembro de 2006

Um atelier que respira criatividade

Como é que vieram parar a este espaço onde se juntam diversas empresas?

João Costa Ribeiro(JCR): Acima de tudo, este espaço para além de ser interessante, tem a particularidade de contemplar várias empresas, com as quais também trabalhamos e colaboramos. É o caso dos Artlusa; pedrita (que são designers); os KrvKurva, que são pessoas com quem temos uma grande afinidade pessoal e profissional e com os quais já entrámos em exposições; a Oficina de Jardins, que são arquitectos paisagistas; e o Gonçalo Prudêncio, que tambem é designer. Surgiu esta oportunidade, nós precisávamos de partilhar este espaço com outras pessoas e achámos que a coabitação poderia ser interessante, do ponto de vista pessoal e profissional, que existissem algumas «contaminações» entre as diferentes empreasa, o que de facto se tem vindo a verificar, e se tem traduzido numa experiência muito interessante.

Em termos de trabalhos, tem desenvolvido alguns em conjunto com alguma das outras empresas?

João Caldeira Ferrão (JCF): Nós já tínhamos trabalhado em conjunto antes, não é ao acaso que nos juntámos todos aqui. E é muito curioso que a partir do momento em que nos mudámos para este espaço, sempre que nos é pedido algum trabalho em que é necessário algum complemento que não de arquitectura, acabamos por nos socorrer das pessoas que estão mais perto. Por exemplo, desenvolvemos agora um concurso que realizámos em conjunto com os pedrita, e que contempla uma ligação a uma instituição, a Cenários Urbanos, que desenvolve estratégias conjuntamente com empresas para promover a qualidade do espaço público. Com a «Oficina dos Jardins», já desenvolvemos uma colaboração há alguns anos, porque como paisagistas que são complementam o nosso trabalho, o que tem sido bastante curioso porque para nós é um território completamente diferente. Em relação às outras empresas são estímulos diferentes e formas de abordagem muito diferentes.

JCR: O que também é engraçado é que em arquitectura a tudo o que é externo chama-se especialidade, e nós por estarmos tão próximos conseguimos que exista uma espécie de fusão.

Estudaram em Portugal e também fora do país. Em termos académicos que diferenças sentiram na altura?

JCR: Eu fiz Erasmus em Madrid e senti, muito pragmaticamente, que estamos relativamente bem preparados em termos de estudo prévio, de uma fase inicial do projecto. De uma forma geral, em termos de experiência posso dizer que foi muito dignificante em termos pessoais e profissionais.

JCF: Eu fiz Erasmus na Alemanha, numa faculdade muito técnica. Temos diferenças brutais e em termos de processo de adaptação também foi estranho, existia uma grande autonomia por parte dos alunos e um trabalho próprio que é acompanhado pontualmente. O mais curioso da experiência foi o choque entre as formas de pensar dos dois países, que são realmente diferentes.

O arquitecto João Caldeira Ferrão é docente da cadeira de projecto. Como analisa o ensino em Portugal?

JCF: Portugal tem o dom de criar bons arquitectos. Em todas as gerações saem muito bons alunos das nossas faculdades, portanto, não estamos mal ao nível da produção de arquitectura.

Ambos passaram pelo Office for Metropolitan Architecture (OMA). Como foi essa experiência e em que medida vos influencia hoje?

JCR: É radical, acho que influencia bastante na forma de pensar. Para já, não existe nada como estar num sítio com cem pessoas para nos apercebermos das nossas capacidades ou incapacidades. Por outro lado, acho que foi muito interessante a aproximação à forma de projectar que é muito diferente da nossa, menos apoiada no desenho e mais apoiada em ideias e conceitos, e também a existência de uma maior organização por equipa. A forma de organizar trabalho e a forma de expôr ideias e experimentar coisas é completamente diferente. As coisas são todas questionadas e isso foi muito interessante.

JCF: Outra coisa incrível é o estar exposto às coisas, interagir com a realidade em real time. Existem cem pessoas, todas elas calibradas para darem o máximo possível, e independentemente da qualidade que tem como arquitectos contribuem em termos de background para o gabinete.

Ao visitarmos o vosso site ficamos a perceber que tem um leque de actividade muito vasto. O facto de actuarem em tantas frentes é por gosto ou uma necessidade de mercado?

JCF: Tudo aqui é sempre feito por gosto, porque senão não éramos capazes de as fazer. Somos duas pessoas com mais três colaboradores, os trabalhos são nos propostos e nós respondemos, seja ele qual for, desde que do nosso ponto de vista sejam interessantes. Eu não vejo diferença nenhuma entre a reabilitação da frente marítima de Albufeira ou o desenho de um material para a TAP, é a mesma forma de operar, só que um vai-se exprimir num material e outro num projecto, contudo, a ambição em termos de trabalho é exactamente a mesma.

Faz sentido a especialização em arquitectura?

JCF: Desde que existam pessoas dispostas a isso é claro que é benéfico. A única questão é que, e isso já se verificou no passado, pessoas que são especialistas num qualquer assunto, tornam-se por isso a única autoridade a articular esses problemas. Estas especializações são produtivas mas contudo, devem ser articuladas de alguma forma.

Quais as maiores dificuldades que enfrenta um arquitecto, ou um gabinete de arquitectura em Portugal?

JCR: Uma das maiores dificuldades para nós é o facto de eu ter 30 anos e o João 31, tudo decorre daí, porque em certos meios as pessoas querem encomendar projectos a profissionais que tem barba branca.

No âmbito do 11º Congresso dos arquitectos foi apresentado um estudo que revelou, entre outras conclusões, que a classe estava na sua generalidade insatisfeita profissionalmente. Concordam?

JCF: Eu acho que se isso fosse aplicado a outra profissão dava exactamente o mesmo. As pessoas estão descontentes porque talvez não tenham os resultados que pretendem das coisas. Qualquer pessoa que seja realmente honesta com ela e que trabalhe verdadeiramente, mais dia menos dia há de ter os resultados que tanto espera.

ficha técnica

Nome: e-studio: extrastudio- arquitectura, urbanismo e design lda

Morada: Estaleiro Naval da Rocha do Conde de Óbidos, Av. Brasília, 1350-253 Lisboa

E-mail: [email protected]

Site: www.extrastudio.pt

Projectos: Loja e Cafetaria [em construção] | Setúbal, Outubro de 2006; Moradia na Ajuda [em construção] | Lisboa, Outubro de 2006; Moradia em Azeitão | Setúbal, Setembro de 2006; Piscina e apoios | Sintra, Agosto de 2006; Stand BTL [construído] | Lisboa, Janeiro de 2006; Exposição itinerante TAP 60 anos | Outubro de 2005; Betão Orgânico [produto] | Experimentdesign, Setembro de 2005; Imaterial [instalação] | Experimentadesign, Setembro de 2005; Kit Lounge [protótipo para exposição] | TAP/Experimentadesign, Março de 2005;

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