Serpa recebe uma «estrela»

Por a 3 de Novembro de 2006

De forma a responder a um programa de concurso lançado pela Câmara Municipal de Serpa, Ricardo Bak Gordon propôs um volume que se caracteriza por ser em forma de «estrela», e que estabelece diferentes relações espaciais com a envolvente tornando a sua vivência dinâmica

No âmbito de um concurso lançado pela Câmara Municipal de Serpa para a construção de um edifício que contemplasse o Atelier de Tempos Livres (ATL) da cidade, o gabinete de Ricardo Bak Gordon venceu o concurso e propôs um volume, como o próprio o caracteriza, «em forma de estrela». A proposta, refere-se ao edifício de ATL, mas também ao jardim existente no local, que por sua vez se encontra limitado pela rua Luis de Camões, pela rua M. Graça Afreixo e ainda pela avenida da Paz. De acordo com a memória descritiva do projecto, o espaço limitado pelas ruas, «conformam um quarteirão de geometria regular», mais concretamente de forma rectangular, no qual se encontram implantados diversos edifícios de carácter público, e ainda o edifício da Caixa Agrícola, que neste sentido, funciona como um limite do quarteirão a poente.

Limites espaciais

Os referidos edifícios de carácter público, que pontuam o quarteirão onde se localiza a área de intervenção, também limitam e definem o espaço, nomeadamente o volume que contempla a Escola Básica de Serpa que funciona como um corpo que define o extremo nascente, através da ajuda do seu espaço exterior cintado por uma vedação; e o Arquivo e Biblioteca Municipais, que tal como explica o autor do projecto, «se constroem de forma afirmativa e linear na charneira virada à rua M. Graça Afreixo, abrindo os seus espaços de referência a norte, sobre o jardim». Desta forma, segundo o mesmo, o quarteirão onde será implantada a intervenção «tem três dos seus lados já definidos e construídos com as diferentes volumetrias», atrás citadas.

Vivência dinâmica

De acordo com o autor da proposta, «o que se pode dizer em primeira mão, e no que ao edifício do Atelier de Tempos Livres diz respeito, é que se optou por construir um pavilhão de jardim», que não se define como um limite mas aposta num volume implantado no meio do parque, estabelecendo relações com todo o espaço envolvente e tirando partido das arvores existentes no local. Materializando-se «em forma de estrela», Ricardo Bak Gordon explica que optando por esta volumetria, «a cada ponta cabe um dos espaços fundamentais do programa» pretendido pela Câmara Municipal de Serpa, e desta forma o edifício do Atelier de Tempos Livres não contempla uma fachada principal ou secundária reconhecível, e abre-se «para todas as direcções do jardim». Encontrada a volumetria pretendida, a proposta foi-se desenvolvendo posteriormente no sentido de encontrar as três tipologias de aberturas que tinham como tarefa filtrar a relação entre interior e exterior. Encontradas as tipologias, a equipa projectista procedeu à sua localização, tendo como ponto de partida o facto de fazer «variar a intensidade nos alçados à razão das orientações solares», explica o autor da proposta. Neste sentido, o programa pretendido acabou por se adaptar a esta regra com a mais valia de tirar partido dessa mesma variação. As relações estabelecidas com o jardim e espaço envolvente através da implantação do volume, são intensificadas com a opção de «povoar as paredes periféricas em toda a altura com os diferentes vãos», explica o autor do projecto, sublinhando que esta localização dos vãos «cria uma multiplicidade de relações com a paisagem exterior», ao mesmo tempo que garante que a vivência no interior do edifício do Atelier de Tempos Livres se caracteriza por uma maior dinâmica.

Distribuição espacial

A escolha da volumetria «em forma de estrela», levou a que, como refere a memória descritiva do projecto, a distribuição do espaço fosse pensada de forma a excluir a opção de átrio-corredor. Foi assim criado «um espaço generoso, que põe em contacto todos os espaços funcionais através de uma área dinâmica». Este espaço de distribuição é «uma espécie de sala interior cujos limites transparentes ou translúcidos permitem percepcionar as actividades nas salas de trabalho», bem como perceber e contemplar a movimentação da luz nos diversos limites do edifício, revela o autor da proposta. Toda esta vivência dinâmica do espaço, que passa pela sua volumetria, implantação e diferentes relações com o espaço envolvente, é ainda intensificada através de uma componente cromática, que como explica a memória descritiva, «se pretende a partir da introdução de vidros de cor, nunca mais do que duas ou três cores complementares», que em conjunto com o pavimento criará «uma atmosfera sensorial e intensa, adequada ao programa de Atelier de Tempos Livres», explica Ricardo Bak Gordon.

Ficha técnica do projecto

Cliente: Câmara Municipal de Serpa

Data do projecto: 2006

Arquitectura: Ricardo Bak Gordon

Colaboração: Luis Pedro Pinto, Nuno Matos

Especialidades: Proença & Neves, associados

PUB