«Temos crescido 15 a 20 por cento ao ano »

Por a 20 de Outubro de 2006

KEric Van Leuven considera que no mercado espanhol são menos profissionais que em Portugal, e que o nosso país pode aspirar ao top10 das cidades que melhor se posicionam na Europa para receber empresas

Como é que está a correr o negócio da Cushman & Wakefield este ano?

Está a correr muitíssimo bem, este ano assim como nos anos anteriores. Estamos com crescimentos anuais na ordem dos 15 a 20 por cento. Estamos a expandir o negócio tanto na profundidade como na largura, estamos a aumentar as equipas, a acrescentar gente e a criar novas linhas de serviços, nomeadamente, na área de gestão de projectos, na área de hotelaria, muito em breve estaremos a actuar na área de gestão de centros comerciais, e muito em breve também na área de habitação.

Como está a correr este ano, em relação ao ano transacto?

Em relação ao ano passado continuamos a crescer.

O que espera para o futuro da empresa em Portugal?

Espero que continue a correr bem, e não tenho razões para pensar o contrário. Portugal tem sido muito bom para a Cushman, o nosso valor acrescentado é entendido neste país, ao contrário de outros, como em Espanha. Os colegas de Espanha têm mais dificuldade em impor o seu trabalho, porque são mercados menos profissionais, e neste sentido, estamos gratos a este país por nos acolher tão bem, no entanto, ainda há muito trabalho por fazer.

Porque é que para si em Espanha são menos profissionais do que em Portugal?

Porque são isso mesmo, menos profissionais. Em Portugal as pessoas talvez sejam em termos ético-profissionais mais desenvolvidas, o mercado é mais transparente, provavelmente porque a dimensão é menor que em Espanha e as pessoas conhecem-se e conversam. Uma das características que ainda não sei se é qualidade ou defeito, é que os portugueses acolhem de braços abertos tudo o que vem de fora, porque normalmente é reputado como sendo melhor. Neste sentido, adoptam-se mais facilmente novas práticas, mas por outro lado denota um certo sentido de inferioridade que já não tem razão de ser.

Quais foram as zonas de Lisboa que melhores transacções realizaram no primeiro semestre deste ano?

Na parte dos escritórios, a zona que melhores transacções tem feito é a do Parque das Nações. Esta parte dos negócios da Cushman representa cerca de 10 por cento do volume de negócio.

Qual é a vossa grande aposta em Portugal?

Daqui para a frente vai ser a área residencial na qual só agora estamos a dar os primeiros passos. Ainda não faz parte do nosso volume de negócios, no entanto, queremos apostar nesta área e já temos alguns mandatos para promover empreendimentos fora do país.

Quais são os negócios que mais volume de negócios trazem à Cushman & Wakfield? Depende de várias coisas, nunca é sempre a mesma área que tem os melhores rendimentos. Este ano curiosamente é capaz de ser a das avaliações, o que é uma excepção. Há dois anos foi a área das lojas e centros comerciais, no ano passado foi a área dos investimentos.

Qual a importância dos estudos realizados pela Cushman no desenvolvimento da empresa?

Os estudos trazem principalmente alguma coisa ao mercado. As nossas análises contribuem, no meu ponto de vista, para um mercado mais transparente, mais fluído, com mais informação. Nós não podemos existir sem fazer esta parte do trabalho, os nossos clientes esperam isso de nós. São estudos que custam muito dinheiro e recursos humanos, mas fazem parte dos nossos negócios e da nossa postura e têm de ser feitos.

Notícias recentes têm dado conta da forte aposta de empresas espanholas no país. O que é que acha da vinda das imobiliárias espanholas para Portugal?

O mercado espanhol está ao rubro, e fizeram-se fortunas em muito pouco tempo. Este é talvez o mercado mais quente que existe na Europa, com as rendas mais altas, com mais actividade, com um forte aumento no preço das casas e ultimamente as imobiliárias espanholas estão todos a absorverem-se umas às outras. São essencialmente promotores de habitação que estão a vir para Portugal, ainda não são nossos clientes porque ainda não estamos a fazer habitação.

Eu penso que os espanhóis não vêm trazer grandes mais valias para Portugal, trazem dinheiro como é de esperar, mas não acho que saibam fazer melhor do que os portugueses a actividade neste ramo. Temos de os respeitar pois vêm gastar e trazer capitais mas penso que não trazem nada de novo ao país.

Têm alguma estratégia delineada para fazer frente à invasão destas empresas espanholas?

Neste altura eles ainda não estão a invadir o meu território, por enquanto são apenas promotoras não são consultores, não são concorrência à Cushman.

Qual a importância do Salão Imobiliário de Lisboa?

Bem, eu não tenho uma opinião muito favorável sobre o Salão Imobiliário de Lisboa. Eu até penso que seja uma boa iniciativa, mas não acho é que seja boa para nós. Para quem se dedica ao mercado imobiliário não residencial o Salão Imobiliário de Lisboa não interessa muito. Se a Cushman & Wakefiled começar a fazer a área residencial, nessa altura, pode ser que estejamos presentes neste certame.

Num comunicado de imprensa recente afirmou que «Portugal deve ambicionar chegar ao top 10 das melhores cidades de negócios da Europa», como é que acha que o país pode alcançar este posto?

Isto vem na sequência de um estudo que fizemos o ‘European Cities Monitor’, que faz a comparação entre as cidades europeias que revelam as melhores condições para a instalação de empresas e escritórios.

Eu penso que para Portugal chegar ao top 10 tem de encontrar as suas características únicas do país e da economia (designados Unique Selling Points) para se focar aí e tentar atrair investimento estrangeiro. Na minha óptica, (e sou suspeito por ser estrangeiro e muito adaptado a Portugal, não sei se tenho distanciamento para opinar sobre estes factores diferenciais) o país oferece uma qualidade de vida ímpar, e não é apenas o clima, Portugal tem uma força laboral que se adapta muito facilmente, e um bom exemplo disso é a auto-europa, é a fábrica da Europa mais produtiva. Uma força laboral bem gerida, pode resultar em grandes coisas. O problema em Portugal não são os trabalhadores, mas os chefes. Penso que o problema seja falta de capacidade de gestão e não falta de capacidade de trabalho.

Resumindo os Unique Selling Points que devem ser explorados em Portugal são, a qualidade de vida, a força de trabalho adaptável e a aposta na diversidade de idiomas. Estes aspectos se forem bem explorados podem contrariar o êxodo das empresas, indústrias, que parece muitas vezes inevitável. Não são os salários baixos que atraem a implementação de empresas, isso não interessa verdadeiramente aos investidores.

Em relação aos edifícios ecológicos ou verdes e construção sustentável. Na sua opinião qual a importância que têm para os clientes da Cushman e para o mercado?

È cada vez maior a importância da construção sustentável no país. Eu penso que daqui a 10 anos vai ser a grande preocupação das empresas e dos investidores por toda a parte. A problemática da sustentabilidade está agora a dar os primeiros passos em Portugal e que vai ser um dos ‘drivers’ do mercado imobiliário nos próximos anos.

Quais as empresas que são clientes da C&W que mais se preocupam com o factor de sustentabilidade?

Sem dúvida a Sonae Sierra. Aliás ganharam um prémio internacional a semana passada devido ao projecto PERSONAE. Penso que nesta área a Sonae está mais avançada.

Qual o balanço que faz dos 15 anos da C&W?

O balanço é muito posi0tivo, foi sempre a crescer excepto em 2002, no qual registámos uma quebra, mas de resto foi sempre a subir.

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