Promontório renova Casino – Hotel de Tróia

Por a 20 de Outubro de 2006

No âmbito da renovação da península de Tróia, o ateliê Promontório Arquitectos desenvolveu o projecto para o Casino – Hotel da estância de veraneio, partindo de uma preexistência e da vontade de introduzir uma linguagem arquitectónica contemporânea aos novos volumes construídos

No âmbito da renovação imobiliária na península de Tróia, o ateliê Promontório Arquitectos traçou o projecto para o empreendimento que envolve a criação do Tróia Casino-Hotel, conjunto este que será parte integrante da estância de veraneio que começou a ser desenvolvida na década de 60 do século passado, e que actualmente se encontra em fase de regeneração. O empreendimento que têm inauguração prevista para Maio de 2008, é um investimento da Amorim Turismo e conta com cerca de 58 mil metros de área de construção. O futuro Casino – Hotel será instalado num edifício que não chegou a ser concluído, da autoria do ateliê Conceição Silva, e que se mantém até à data como um esqueleto em betão. Assim, o projecto assinado pelo Promontório Arquitectos conta com um casino, um hotel – apartamentos de cinco estrelas, um centro de espectáculos, um centro de conferências e um parque de estacionamento subterrâneo.

Conceito

De acordo com o Promontório Arquitectos, o conceito de intervenção partiu de uma reflexão sobre o território de Tróia e sobre o edifício existente, bem como sobre a recuperação dessa mesma estrutura e na introdução de uma linguagem arquitectónica contemporânea nos novos volumes construídos. Segundo a equipa projectista, «Tróia é por excelência um campo experimental da plasticidade do betão», e nesse sentido, o mesmo material foi utilizado com uma dupla função, a de material de acabamento e de material de construção, no intuito de desenvolver a nova imagem do Casino – Hotel baseado nestas referências. Enquanto proposta arquitectónica, a solução procura entender o sistema de referências das preexistências, e trabalhando sobre essa ideia, «propusemos construir um conjunto de edifícios que incorpora um vasto programa», procurando reforçar «a relação do visitante com a paisagem natural, com a história de Tróia e sobretudo com o imaginário que todos temos desta península», refere o documento da proposta.

Conjugação arquitectónica

O casino ficará localizado no lado poente do lote, ocupando a totalidade da área desde o limite norte ao limite sul. «A localização que propomos para o casino torna o seu alçado principal visível desde o rio Sado», de forma que quando se faz a aproximação ao cais de passageiros de barco, o casino e o volume correspondente ao hotel são os mais expostos e mais evidentes, explica a memória descritiva do projecto. A localização do edifício, proporciona uma visibilidade à actividade do jogo bem como uma «importância simbólica», uma vez que a frente da Marina, para a qual está virado, é «a área de maior valor urbanístico», refere o gabinete. Interiormente, esta infra-estrutura é constituída por uma nave com 40 metros de largura e com um pé direito livre de oito metros, dentro da qual existe uma área de mezzaninne. Relativamente às áreas de jogo, as mesmas estão distribuídas por dois níveis, mantendo contudo uma relação de visibilidade mutua. Como estrutura complementar ao espaço de jogo, existe o centro de espectáculos, que se insere numa lógica de produção, animação e entretenimento complementar ao casino. Desta forma, o edifício contempla uma sala de teatro que inclui um palco de média dimensão, área de sub-palco, zonas de preparação, camarins, e uma sala com capacidade para 500 pessoas que foi concebida de forma a permitir uma utilização mista, como sala de espectáculos e serviço de banquetes. O centro de conferências é outro dos equipamentos que constituem a proposta do Promontório, e está localizado no extremo nascente do lote, confinando com a rua do Casino – Hotel em toda a sua extensão e formando duas praças, uma em cada um dos extremos. Constituído por dois pisos, o piso superior contempla uma sala com pé direito duplo e capacidade para mil pessoas. No topo norte do equipamento, nasce uma pala que se estende e cobre a praça da marina, a partir da qual existe o acesso principal ao centro de conferências, acentuando desta forma a entrada para o mesmo e para o hotel, que são contíguas.

Movimento ondulante

Com uma altura total correspondente a 14 pisos, e contemplando 61 quartos e 144 apartamentos, oferece um total de 564 camas, bem como restaurantes, bar interior e um exterior na cobertura do casino. Este edifício, segundo a equipa projectista, «destaca-se de todo o conjunto do lote, uma vez que a sua imagem é marcada pela volumetria da construção existente», sendo o exterior do edifício caracterizado por um jogo de volumes de grandes dimensões recortados em diferentes direcções. A proposta para o edifício do hotel passa desta forma por integrar o edifício, «que marcou uma época da arquitectura portuguesa», e reforçar o «carácter iconográfico desta construção», que funciona como porta de entrada de Tróia, através da recuperação das fachadas e da actualização relativamente a materiais e tecnologias, refere a memória descritiva do projecto. Com uma área de construção de cerca de 3 mil metros quadrados, o volume que contemplará os apartamentos que ficará adoçado ao alçado norte do edifício do hotel, criando uma ampliação do mesmo, propõe «balanços em cada um dos pisos», adquirindo desta maneira um efeito plástico marcado por um movimento ondulante. Através dos paramentos das varandas, cada um dos pisos contempla o seu próprio movimento «assinalando a intervenção na estrutura existente», refere a equipa projectista. O projecto incluirá ainda um spa com cerca de 700 metros quadrados e que ficará situado no volume que faz a transição entre o hotel, o casino e o centro de espectáculos. O equipamento contempla uma área de tratamentos com piscina interior, salas de tratamento e massagens, sauna, e ainda uma piscina exterior, uma área de descanso e um bar .

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