Zaha Hadid projecta biblioteca de Sevilha

Por a 22 de Setembro de 2006

O ateliê de Zaha Hadid criou o projecto para a nova biblioteca e centro de investigação da cidade espanhola de Sevilha. Esta foi concebida como uma biblioteca geral, mas igualmente como centro de investigação que irá dar apoio não só à universidade, mas à própria cidade da Andaluzia, com a pretenção de se tornar um ponto de referência cultural

Uma nova biblioteca geral e centro de investigação da universidade de Sevilha que apoie os estudantes da universidade mas que sirva e seja utilizada por toda a cidade é o objectivo deste novo equipamento elaborado pelo ateliê da arquitecta Zaha Hadid, com conclusão prevista para 2008. Usando uma estratégia para promover a actividade cultural, educativa e recreativa para os estudantes da universidade, a proposta tenta «actuar como um pólo de atracção tanto para os utentes do Prado de San Sebastian como para os três mil investigadores da universidade. «Numa tentativa de converter-se assim num novo centro para a universidade e para a própria cidade», explica o ateliê.

O novo projecto foi concebido como uma prolongação do parque onde está inserido, como um volume que «emerge de si mesmo», numa superfície total de 8720 metros quadrados. O edifício expande-se longitudinalmente erguendo-se através de um material suave para terminar como um superfície sólida.

O conceito para a biblioteca, e especialmente a concepção de um espaço que integra a tecnologia e o processo de investigação foi mudando. Segundo o ateliê de Zaha Hadid, «no projecto final propomos um espaço de leitura que se apresente sobre o resto dos espaços, onde este local será sempre único. A tecnologia manifesta-se em espaços simples para se poder informar o usuário, e para além dos requerimentos técnicos dos espaços em grande escala, a qualidade destes espaços é o facto de poder comunicar e distribuir informação que dentro deles se genera, em contraste com o espaço de leitura, no qual a comodidade do utilizador é importantíssima para a sua própria concentração».

A envolvência

A parcela para a biblioteca foi pensada tendo em conta o tráfego de automóveis e autocarros e numa futura estação de metro a ser construída no local, e ainda a avenidade de maior movimento de tráfego da cidade, definindo assim que a zona de leitura estará virada para o local envolvente com maior tranquilidade. Foi a partir destas ideias que o desenho da autoria de Zaha Hadid e Patrik Schumacher se desenvolveu, determinando assim que a zona Norte fosse dedicada à leitura, e a zona Sul, junto às vias de maior fluxo, dedicada a outras actividades do pólo cultural.

O desenho do edifício apresenta-se como uma plataforma surgindo ao nível da rua, onde se localizam os armazéns e locais de armazenamento, o local de workshops, e ainda o parque de estacionamento. O parque é extendido ao longo da plataforma para que sejam formados os espaços públicos tornando-os de transição entre o parque envolvente e a biblioteca. Os utilizadores do edifício têm à sua disposição várias zonas comuns, como por exemplo a recepção, a sala de conferências, a sala de exibições, uma cafetaria e uma livraria, sendo o hall de recepção ponto de partida e de distribuição para os níveis seguintes.

O segundo nível da biblioteca será a zona de consulta e de estudo dos estudantes, albergando, na sala de leitura, cerca de 600 utilizadores e com um espaço para cerca de vinte mil livros. O ambiente recebe luz zenital através de uma entrada que cruza o edifício de norte a sul e que disponibiliza a vista do parque envolvente através de perfurações na fachada.

A arquitectura do edifício está principalmente concebida em betão e, numa pequena parte com perfurações gerando uma temperatura agradável no seu interior. Assim, e de acordo com os projectistas, o edifício encontra-se em «perfeita harmonia» com a sua envolvente devido à cor do material e à altura do mesmo, muito similar com os edifícios circundantes.

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