Propostas arrojadas para edifício Imocom

Por a 22 de Setembro de 2006

imocom

O novo «Edifício Imocom», que vai ser construído no Parque das Nações, conta com as propostas de conceituados arquitectos portugueses, espanhóis e holandeses. O vencedor do concurso que será anunciado no final de Setembro ficará responsável pelo projecto arquitectónico do novo edifício, no valor de 30 milhões de euros

Está patente na galeria do Casino de Lisboa, até ao dia 28 de Setembro, a exposição de propostas para o novo «Edifício Imocom» a ser construído no Parque das Nações. O edifício que representará um investimento de 30 milhões de euros conta com projectos de conceituados escritórios de arquitectos de Portugal, Espanha e Holanda, nomeadamente, Alexandre Burmester; NA Arquitectos; António Cruz Y António Ortiz (Espanha); ArkiByo; ARX – Portugal; Broadway Malyan; EMBT – Miralles/Tagliabue (Espanha); Erick van Egeraat (Holanda); João Luis Carrilho da Graça + Inês Lobo; Manuel Graça Dias + Egas Vieira e Ricardo Bak Gordon. O grupo Imocom propõe a concepção um edifício que seja referência na cidade de Lisboa pelo seu design arquitectónico intemporal, marcante, inovador e contemporâneo. Desde o conservador, ao contemporâneo, passando pelo futurista, todos estes estilos estão representados nas onze propostas apresentadas. Todas elas devem privilegiar a presença do elemento água nos seus projectos. O programa contempla três pressupostos essenciais: o elemento audiovisual, o elemento água e as características bioclimáticas.

O Edifício Imocom, que será implementado num terreno de 2.646 metros quadrados junto ao Centro Comercial Vasco da Gama, irá ter sete pisos de escritórios numa área total de 2.624 metros quadrados e um piso para a zona comercial, que ocupará um área total de 1.750 metros quadrados.

Para uma melhor compreensão dos projectos apresentados, o Construir dá a conhecer algumas das proposta a que teve acesso. O ateliê AN Portugal apresentou um edifício que funcione como um marco de referência na estrutura urbana onde se irá inserir. O edifício é constituído por três corpos distintos que reflectem a distribuição funcional. O Átrio de recepção e distribuição é o elemento central, a charneira entre os dois corpos de escritórios, situados no piso superior, e entre a rua o interior da zona comercial. O objectivo é que este volume apresente uma grande transparência, desmaterializando o elemento de ligação entre os dois corpos de escritórios e possibilitando a permeabilidade visual entre a rotunda e a zona comercial. Trata-se de um volume totalmente em vidro agrafado, serigrafado para uma maior protecção solar, sobre uma estrutura metálica ligeira, com um pé-direito livre nos oito pisos. A entrada e a recepção localizam-se no piso 0, sendo o acesso aos pisos superiores processado por quatro elevadores. Nos pisos superiores os passadiços com pavimento em vidro estabelecem a ligação entre os elevadores e os dois corpos de escritórios, bem como à escada de emergência. O embasamento configura uma galeria comercial com frente para a Avenida D. João II e Avenida do Índico. A zona comercial goza de acesso ao estacionamento público localizado no piso imediatamente abaixo. Este espaço privilegia a presença da água, quer pelo espelho de água junto ao núcleo de acesso aos escritórios, quer pelo jogo de percursos de água que vão surgindo no pavimento. O parque de estacionamento é composto por três pisos abaixo do solo, dos quais o piso – 1 é destinado ao público em geral e os pisos –2 e –3 estão reservados à Imocom e áreas de arrendamento.

Por seu lado, o ateliê ARX Portugal, propõe um edifício mais irreverente, em forma de cruz com um núcleo central compacto, onde se encontram as escadas, elevadores, átrio, courettes e sanitários. Desse núcleo, provêm 4 braços com capacidade para funcionarem de forma autónoma (2-4 empresas), ou como um todo (1 empresa). O fase inicial de concepção do edifício parte de um paralelepípedo neutro pousado nesse terreno. Segundo o processo de filtragem do contexto que o rodeia, são extraídos sólidos, gerando vazios nesse paralelepípedo. Os vazios a poente, servem para compensar o impacto dos edifícios vizinhos, que apresentam vazios mais pequenos para acolherem plataformas vegetais. A vegetação funcionará como brize-soleil natural. Já nos vazios maiores, a nascente, são desenhadas plataformas de água com juncos, numa alusão directa à atmosfera lagunar das margens do Tejo. O vazio a nordeste desce ao piso mais baixo permitindo a ventilação e iluminação natural das garagens. O tom negro realça os elementos naturais (água, luz e vegetação) bem como os artificiais. Para a concepção desses vazios estão presentes outros quatro temas, bem como, a introdução de luz solar homogénea e controlada na totalidade dos espaços de trabalho, nebulização de água para alimentação das espécies vegetais e refrigeração das fachadas em vidro, entradas de ar para ventilação transversal dos espaços internos e a geometria proposta de vãos em «L», confere privacidade dos espaços de trabalho.

Por último, e não menos importante, a proposta do ateliê Bak Gordon Arquitectos que contempla um edifício de geometria simples, capaz de contrastar com o excesso de formas e matérias presentes na zona da Expo. O edifício materializado de forma inovadora, através das suas fachadas trianguladas em vidro, formam dois diedros (exterior e interior), um dos quais, com máxima exposição urbana e que se reveste em vidro de cor vermelho. O embasamento apresenta-se ritmado, vertical e suficientemente robusto para suportar e dignificar o corpo do edifício que sobre ele assenta. No que se refere à praça comercial, a rede de acessos horizontais e verticais garante uma multiplicidade de caminhos, conferindo um maior interesse financeiro. Nos espaços dedicados aos escritórios, a cor da fachada triangulada em vidro atinge o seu máximo simbólico, pois o vermelho serve como elemento de protecção solar garantindo níveis de conforto indispensáveis. Também o ruído e os elementos imagéricos que poderão provocar desatenção, são remetidos para a proximidade das áreas de circulação. A variedade das tipologias de escritórios permite aos espaços Imocom ocupar pisos inteiros, utilizando os últimos quatro e deixando os primeiros três para arrendamento. O átrio do edifício Imocom, ocupa um lugar epicentral no piso térreo, isto é, será um lugar de passagem obrigatória. Relativamente à física do edifício, é proposta uma solução de tectos arrefecidos nas áreas de escritórios, que confere uma solução homogénea aos espaços de trabalho garantindo condições de conforto.

As fachadas situadas a sul e poente, estão claramente mais expostas ao sol, serão protegidas pelo sistema de vidro duplo de cor, que confere índices de protecção solar superiores ao vidro cristal, criando uma barreira acústica eficaz.

O «elemento água» neste projecto visa criar um ambiente atmosférico qualificado. Nos meses quentes é privilegiado pela sua capacidade de humidificação do ar e de minimização do ruído exterior a partir do som por si emitido no seu infinito e continuado percurso. O jornal Construir tentou obter mais informação sobre os restantes projectos, mas até ao final desta edição tal não foi possível.

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