Jorge Albuquerque assina hotel em «dominó»

Por a 22 de Setembro de 2006

dominó

O novo hotel do grupo Turilima/Empofir é um projecto da autoria de Jorge Albuquerque, arquitecto que faz parte da empresa portuense VHM. Localizado em Viana do Castelo, a unidade hoteleira de arquitectura contemporânea pretende revolucionar a oferta de negócios e lazer da cidade

O mais recente projecto do grupo Turilima/Empofir conta com a assinatura do arquitecto portuense Jorge Albuquerque, e está estimado em cerca de 12 milhões de euros. A empresa VHM, sediada no Porto, foi convidada pelo grupo para, tendo em conta todas as premissas a respeitar, desenvolver o projecto para um hotel com centro de negócios e Spa, entre outras valências, classificado com quatro estrelas. Num terreno localizado na antiga central de camionagem, situado no gaveto da Rua da Bandeira com a Avenida Capitão Gaspar Castro, e com uma área de cerca de 8500 metros quadrados, este permitia um índice de construção de 80 por cento, o que significava uma área de construção acima da cota de soleira de 6872 metros quadrados. Com um programa que pretendia dotar o empreendimento de um conjunto de serviços e equipamentos complementares ao hotel, de forma a dar resposta aos hóspedes e aos habitantes da cidade, a ideia passava pela instalação de uma unidade hoteleira com estruturas adjacentes de forma a potenciar o seu uso para seminários, e para a realização de estadias em trabalho, não esquecendo os espaços de relaxamento, lazer e distracção.

Distribuição funcional

Com um programa base que contempla um hotel com 88 quartos, um restaurante, um café-concerto, um centro de negócios, um health-club, espaços complementares e parque de estacionamento, o projecto consiste, em traços gerais num «edifício com quatro pisos, com um mezanine onde estão inseridos alguns quartos e uma série de equipamentos complementares de apoio ao hotel», explica Jorge Albuquerque, acrescentando ainda que o conjunto hoteleiro conta com «um health club, um spa, com 2265 metros quadrados onde serão disponibilizados diversos tratamentos e soluções de bem-estar, um centro de negócios com 738 metros quadrados e ligação directa ao hotel, e que funciona como um elemento complementar do mesmo», todos localizados no piso –1 que beneficiará de luz natural. Relativamente aos equipamentos complementares, o arquitecto refere que «existem dois ou três que ainda não tem um destino devidamente explicito, o que para nós também não tem sido fácil porque nos obriga a ter o projecto sempre em aberto». Ao nível do piso 0 encontra-se a recepção, as áreas de serviço e a área de restauração relativa ao hotel, bem como uma piscina com pé direito duplo. Os restantes cinco níveis contemplam os diversos quartos, estando ainda previsto um restaurante que funciona autonomamente em relação ao hotel e que contempla um drive-in, revela o autor do projecto. O mezanine inicialmente projectado para acolher os escritórios, foi posteriormente alterado «atendendo ao número de quartos pretendidos e de acordo com aquilo que o dono de obra queria», acabando por acolher mais quartos, «embora com tipologias diferentes das que temos nos outros pisos», explica Jorge Albuquerque. O projecto conta ainda com um piso para estacionamento, o piso –2, que se encontra dividido entre estacionamento de carácter público e estacionamento privado para utentes do hotel, com capacidade para 160 lugares.

Linhas contemporâneas

Apostando numa linguagem contemporânea, quer interior quer exteriormente, e numa selecção de materiais que passa pela utilização do vidro, do alumínio e da pedra, a proposta conta ainda com uma paleta de tons escuros em mate. De acordo com Jorge Albuquerque, o projecto é semelhante a um «monte de dominó», que segundo o mesmo «foi uma camisa-de-forças porque foi relativamente complexo fazer a articulação das infraestruturas com os espaços comuns aos pisos». O mesmo responsável adianta que «a modelação dos vãos na fachada foi uma preocupação muito grande», nomeadamente porque o dono de obra queria «as fachadas em vidro, o que termicamente ia ser uma catástrofe», e portanto «tivemos de reduzir a área envidraçada e ao mesmo tempo modelar tudo de forma a não perder a imagem de edifício que era pretendida». Para o arquitecto, o problema deste desenho é que o facto de se desejar uma fachada igual nos dois lados, «origina a existência de quartos virados a norte e a sul que por sua vez tem variações térmicas grandes». De acordo com Jorge Albuquerque, este edifício «não é nada de transcendente, e mesmo ao nível construtivo não é uma solução nunca vista», sendo segundo o mesmo, «apenas uma modulação de volumes que dilui o peso daquele conjunto e fica com algumas valências agradáveis». A nova unidade hoteleira que ocupa uma área total de 6639 metros quadrados, dispõe de 88 quartos, com cerca de 25 metros quadrados cada, entre os quais nove suites, quatro quartos preparados para deficientes motores e um piso para executivos.

PUB