Autodesk apresenta Buzzsaw em Lisboa

Por a 30 de Junho de 2006

autodesk

Amar Hanspal, vice-presidente da Autodesk Collaboration Services esteve em Lisboa para participar no Buzzsaw Breakfast Club, um momento de encontro em que participam decisores de negócio na indústria da construção e onde se apresentam e discutem práticas e exemplos na área da colaboração técnica digital

Sustentabilidade e eficiência energética serão os novos desafios da Autodesk durante os próximos dez anos.

O que é o Autodesk Buzzsaw e quais as principais vantagens deste software?

O Autodesk Buzzsaw é um sistema online para gerir informação relativa a um projecto, que é utilizado por empresas que estão a desenvolver projectos nos quais participam várias equipas em simultâneo, que o utilizam fundamentalmente para coordenar e partilhar informação entre os diversos intervenientes. Este software é principalmente utilizado por empresas a actuar no ramo da construção, porque existem inúmeras vantagens em melhorar a comunicação, uma vez que todos os intervenientes trabalham numa mesma base de informação, eliminando desta forma erros que acontecem frequentemente em projectos de grande envergadura. Com o Buzzsaw o processo torna-se mais transparente, uma vez que tudo é feito electronicamente, poupa tempo o que se traduz em poupar dinheiro. Os softwares de arquitectura e engenharia estão cada vez mais completos e desenvolvidos. Qual a posição de um profissional, arquitecto ou engenheiro, no desenvolvimento de um projecto actualmente?

O que os softwares pretendem fazer é automatizar os procedimentos, não substituir a criatividade de alguém. No passado, as pessoas despendiam muito tempo a fazer coisas não tanto alusivas à criatividade mas sim alusivas a questões mais técnicas, como a implementação de um edifício relativamente à sua exposição solar. Há 20 anos atrás, para além do pensamento criativo, era necessário criar uma série de informação complementar ao projecto para fornecer às empresas de construção. O que o software pretende é focar-se na ideia e produzir desenhos automaticamente; queremos pessoas que pensem activamente em resolver problemas, e não que percam tempo em enviar faxes ou com processos mais administrativos. Não acho que o software actualmente se imponha à criatividade humana, apenas automatiza tarefas que exigem tempo.

Existe um software ideal?

Criar ambientes sustentáveis, entender o que um edifício vai “sentir” em determinada localização antes da sua construção, é um tema que se vai desenvolver nos próximos dez anos, mas actualmente acho que não existe nada que se aproxime a este software ideal

Através destas tecnologias e destes softwares, existe o risco de visualizar um modelo no computador que depois de construído não corresponde ao pretendido?

As tecnologias podem ser falíveis e decepcionantes no sentido em que uma pessoa pode utilizá-la de forma a dar, por exemplo, um aspecto melhor do que realmente vai ter. Os computadores estão agora a ficar aptos a modelar as várias partes de um edifício. Primeiro os desenhos eram bidimensionais, depois vieram os desenhos tridimensionais, agora fazemos modelos tridimensionais que nos permitem entender as relações entre os diversos componentes de um edifício, mas continuamos a não modelar a parte relativa às canalizações, à electricidade, e a outras especialidades. Os softwares ainda não são tão bons que possam prever este tipo de coisas, e isso pode vir a ser um condicionante relativo ao aspecto final do edifício.

Estas novas tecnologias, são vistas com entusiasmo pelas gerações mais novas, mas por vezes com alguma desconfiança por parte das gerações mais antigas. Como é que esta geração mais velha está a aderir a estes softwares?

Alguns deles aderem, mas existem realmente duas maneiras distintas de ver estas novas tecnologias. As gerações mais novas sentem-se confortáveis em adoptar novas ideias, tais como simular um edifício ou comunicar pela Internet, usam-nas naturalmente. A geração mais antiga é um bocado mais complicada, olham para estas inovações como uma perspectiva de negócio, ou ganham ou poupam dinheiro, não como uma ferramenta de trabalho. Contudo, conseguimos encontrar utilizadores desta geração, um dos nossos clientes é uma empresa de construção japonesa, em que um dos utilizadores tem 70 anos.

A tecnologia aplicada à arquitectura permite uma nova maneira de pensar, criar e desenhar. Isso encaminha-nos para uma arquitectura menos real e mais experimental?

O que estas novas tecnologias permitem é explorar mais as ideias, mudar coisas e ter a possibilidade de visualizar como vão ficar. Não penso que seja mais experimental, apenas oferece mais opções até se decidir o que se pretende.

Depois de uma revolução industrial, estamos perante uma revolução digital?

Acho que é mais uma revolução de informação aquilo que está a acontecer actualmente. É impressionante a quantidade de informação que é possível armazenar num único sítio.

Quais os próximos desafios e projectos a desenvolver na Autodesk?

Do nosso ponto de vista existem dois factores a alcançar, um relativo ao design, torná-lo o mais fiel possível à realidade, e neste sentido ainda existe muita coisa a ser feita, e outro relativo à sustentabilidade energética, um design amigo do ambiente, não só em termos da escolha dos materiais, mas mesmo em termos de desenho. Como é que se sabe que o edifício irá gastar menos energia? Simulando estas situações no computador, podemos entender este tipo de coisas. Portanto existe ainda muito trabalho pela frente para simular modelos de edifícios mais reais. Existe também a ideia de melhorar em termos de comunicação. de forma a ajudar cada interveniente.

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