“Queremos tornar a OA verdadeiramente útil ao País e aos portugueses”, defende Charters Monteiro
O Construir convidou as duas candidaturas a apresentar as principais linhas de actuação e as suas propostas para a dinamização daquele organismo. Conheça aqui as ideias da Lista B, liderada por José Charters Monteiro

Casa da Arquitectura atribui 10 bolsas de doutoramento para estudo de acervos da instituição
Exponor recebe Empack e Logistics & Automation Porto a 9 e 10 de Abril
Pipeline de novos escritórios na grande Lisboa mais que triplica para 330.000 m2
JLL reforça aposta na área de Patrimónios Privados
A arquitectura nacional em destaque em Osaka
PERFISA: Inovação e Sustentabilidade na Tektónica
Porto Business School debate sinergia energética África – Europa
Grupo Preceram na Tektónica | 10 a 12 de abril 2025
Grupo Norfin anuncia construção de hotel da marca JW Marriott
CBRE representa 42% das colocações de flex offices no mercado em 2024
O Construir convidou as duas candidaturas a apresentar as principais linhas de actuação e as suas propostas para a dinamização daquele organismo.
Conheça aqui as ideias da Lista B, liderada por José Charters Monteiro
1- Qual o lema da candidatura e o que quer dizer com ela?
MUDAR A ORDEM, REFORÇAR A PROFISSÃO, PELOS ARQUITECTOS, PELO INTERESSE PÚBLICO
Mudar a Ordem, em quatro aspectos principais:
* na orgânica de funcionamento e na resposta quer às solicitações dos seus membros quer às solicitações externas, de instituições, da sociedade, do País,
* na ligação aos seus membros arquitectos, incentivando o debate de temas que, sendo-nos próprios, são de enorme relevância para o País; restabelecer a participação e o diálogo na Ordem dos Arquitectos (OA), perdido ao longo dos três últimos mandatos,
*na reorientação da actividade da OA, direccionando-a para o exercício da profissão e o interesse público, na garantia da sua total independência face a grupos de pressão (políticos, económicos, culturais) e de interesses individuais,
*na gestão financeira, estabelecendo com clareza os seus procedimentos e prioridades, pondo fim ao seu irresponsável e crescente endividamento que faz perigar a própria actividade.
Reforçar a profissão, porque ela se encontra fragilizada:
* pelo continuo alheamento da actual direcção que se recandidata às condições dos diversos modos de exercício da profissão (tem sido privilegiada a mediatização de alguns, poucos, exercícios de arquitectura e dos seus autores, enquadrados ou candidatos ao firefly sistem), ignorando a grande maioria do desempenho dos mais de 18.000 arquitectos membros da OA,
*pela falta de empenho da direcção recandidata pelo reconhecimento do importante papel da classe dos arquitectos na definição do nosso quadro de vida e no sentido e eficácia do sector económico em que nos situamos, que deve ser contrariada assumindo a OA um papel público, interveniente e propositivo nos grandes temas,
* pelo enquadramento absurdo – em número, em dispersão de conceitos e de procedimentos contraditórios – que a actual legislação faz ao exercício da nossa profissão; um caótico acervo legislativo que não mereceu qualquer reparo por parte da actual direcção recandidata.
*pela falta de atenção às áreas tradicionais e às novas áreas de actividade do arquitecto, de que se destaca, no primeiro caso, o planeamento e o urbanismo e, no segundo caso, a reconversão de extensas áreas de periferia e centrais das nossas cidades.
Pelos arquitectos e pelo Interesse Público, porque não se separa o campo de actuação do arquitecto, iminentemente colectivo e social, das grandes questões que balizam o presente e o futuro de uma sociedade mais justa, equitativa e propiciadora de oportunidades; actuação que deixa marca, visível, quase irreversível, no território e no quadro urbano, nas casas e condições de habitar.
2 – Quais os principais objectivos a que se propõe?
Tornar a OA verdadeiramente útil ao País e aos portugueses. É necessário que os arquitectos se mobilizem e intervenham activamente nas suas áreas de competência, que estabeleçam, com total abertura, um diálogo contínuo e profícuo com a sociedade, integrando a sua governância. É preciso aprofundar as condições que permitam o mais correcto e eficaz exercício profissional.
3 – Quais as razões da sua candidatura?
Hoje, e desde há três mandatos, sendo o último reincidente porque se recandidata, não existem na OA nem os pressupostos nem os objectivos que acima refiro; acresce a decepcionante capacidade de execução dos programas dessas candidaturas. São razões mais do que suficientes para que tenha surgido um movimento pela mudança, necessária, num período de crise, que se instalou e destruiu a vida associativa da OA. A nossa candidatura integra as grandes questões que constituem a Agenda da OA e dos Arquitectos nesta fase da vida do País e da OA. A forte presença de arquitectos com menos de dez anos de carreira (metade dos membros da OA) justifica a necessidade, vitalidade e justeza dos objectivos deste movimento para uma necessária mudança.
4 – Numa altura em que o País enfrenta uma crise profunda, de que forma pensam minorar os efeitos na profissão?
O nosso Programa é muito claro, ao definir medidas que se estruturam segundo três eixos:
EIXO 1 – CENTRAR A ACTIVIDADE DA OA NA PROFISSÃO E NOS SEUS DIFERENTES MODOS DE EXERCÍCIO.
EIXO 2 – AFIRMAR O INTERESSE PÚBLICO DA ARQUITECTURA no país e o papel da OA junto dos diferentes níveis da Administração, da Sociedade e das Instituições Internacionais.
EIXO 3 – A ORDEM DOS ARQUITECTOS, os seus objectivos e actividades, colocados no centro da mobilização e co-responsabilização dos Arquitectos.
Concretamente e pela sua pergunta direi o seguinte:
* a classe dos arquitectos em Portugal, que possui um ratio arquitecto/população dos mais altos na Europa e no Mundo, possui, e o País reconhece-lhe um papel social e economicamente útil, um campo de actividade em crescimento; que terá que ser redireccionado quando, como é o caso, em situação de forte recessão e no limiar da bancarrota, há que procurar maior eficiência nos actos de requalificação das áreas urbanas e do edificado, com economia dos meios a empregar.
*Possuímos excessos, em especial no segmento habitação. A OA e os arquitectos terão necessariamente um importante papel no equacionar de orientações e soluções; estamos disponíveis para tal, e fá-lo-emos em conjunto com a Administração Central e Local, e com as entidades sectoriais vocacionadas e implicadas nas áreas da urbanização e da edificação; estudaremos e proporemos soluções que acautelem o esforço de investimento feito e a sua efectiva adequação e utilidade social.
* Neste quadro, caberá inserir princípios de grande rigor projectual, nos programas e sua materialização construída, para que, o plano e projecto, sejam instrumentos de grande racionalidade quanto a custo e retorno de benefícios na sua utilização.
5 – De que forma pretendem acompanhar a encomenda pública, e fazê-la chegar também junto dos mais novos?
Recordo que no nosso Programa, e também no Compromisso Eleitoral, se conjugam dois propósitos programáticos:
* Relativamente à encomenda pública, a sua dignificação, aprofundando as disposições do CCP Código dos Contractos Públicos, D.L. 18/2008 de 29/01) públicos, a sua transparência e a igualdade de oportunidades para todos os concorrentes; é possível com o empenho da Ordem; que não tem existido na actuação do actual mandato que se recandidata.
* Uma Plataforma Início de Carreira – PIC, para a inserção profissional das novas gerações de arquitectos.
Integrará vários grupos de trabalho que promoverão, de forma articulada com os órgãos nacionais, a discussão e apresentação de propostas relativas à inserção profissional e ao início de carreira.
Onde destacamos:
1 – Apoio à iniciação da prática.
*Divulgação e promoção da actividade dos jovens arquitectos
*Formação direccionada para arquitectos no início da actividade profissional, visando o aumento da oferta de oportunidades de trabalho.
*Sistematização e/ou adaptação de acervo de informação.
2 – Acção concertada com os órgãos nacionais
* Melhorar o acesso, em igualdade de circunstâncias, de jovens arquitectos à encomenda pública.
* revisão do formato actual do estágio profissional, por forma a constituir uma real possibilidade de inserção profissional.
3 – Incentivo à participação das novas gerações no exercício e desenvolvimento da O.A.
*Debates periódicos que reflictam o exercício e as circunstâncias actuais da prática profissional e sua melhoria.
*Criação no site da OA de um fórum de discussão e esclarecimento de dúvidas.
6 – Que medidas serão tomadas para melhorar o enquadramento profissional?
Além do já referido, não esquecemos a regulação da prestação de serviços e a garantia dos seus resultados, tendo em conta o interesse público da Arquitectura; tudo faremos para que o Governo reponha a Tabela de Honorários e as suas instruções. Constituíram desde 1972 e até 2009 um instrumento de clarificação e valoração do trabalho de projecto que influenciou positivamente também o mercado privado, garantindo padrões de prestação de serviços, hoje mais indispensáveis ainda neste acrescido e complexo quadro de exigências e responsabilidades para os arquitectos.
7 – Com 18 mil arquitectos inscritos, por onde poderá passar o futuro dos associados?
Pela maior participação na OA, clarificando e contribuindo para os objectivos e propostas da nossa classe profissional; pela sua maior e mais consciente participação e envolvimento profissional. Assim se justifica o seu maior reconhecimento profissional e concretiza o seu insubstituível préstimo social.
8 – De que formas pretende promover e divulgar a arquitectura, para consequentemente se melhorar o ambiente construído?
A actividade cultural da OA deve ser centrada nas grandes linhas de estratégia e na exemplaridade das acções, tendo por critérios:
– o interesse público,
– a inovação programática e os modelos de concretização de novas políticas,
– o estabelecimento de parcerias com a Administração Pública, Instituições de ensino, entidades privadas,
– a prioridade do valor disciplinar intrínseco aos planos e projectos relativamente a outros factores, nomeadamente os de interesse pessoal.
A política editorial da OA deve ser pautada pelo interesse público da Arquitectura. Devem ser estabelecidas políticas editoriais específicas, quer no âmbito da OA e seus associados, quer na divulgação junto do grande público, procurando o máximo de eficácia na sua divulgação e a maior economia de meios humanos e materiais.